CUIDADOS

Luminosidade nem sempre é bem-vinda

22:51 · 19.11.2011
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Maior propensão ao olho seco em idosos e mulheres amplia as chances desse grupo ter fotofobia

Dirigir à noite costuma causar um sério desconforto em função dos "clarões" emitidos pelos faróis dos carros. L.M.S, publicitário, 29 anos, também restringe o lazer semanal, a medida que só vai à praia a partir das 16 horas, já que nos horários em que o sol é mais forte, sofre muito em decorrência de lacrimejamento constante e visão turva.

Situações como a vivida por L.S são muito frequentes, principalmente com habitantes de cidades litorâneas como Fortaleza - também denominada "Terra da Luz" - onde a exposição intensa à luminosidade pode se tornar extremamente prejudicial à saúde ocular. Um dos maiores alertas dos oftalmologistas diz respeito à fotofobia, problema caracterizado pela aversão à luz, que restringe a vida de 3 em cada 10 brasileiros. Dentre os fatores que podem desencadear a fotofobia estão a síndrome do olho seco e doenças inflamatórias.

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, além da claridade, o calor excessivo favorece a evaporação das lágrimas e o surgimento de inflamações como a conjuntivite e a ceratite. Nesses casos, deve-se evitar o tratamento com o uso de receitas caseiras, que podem potencializar ainda mais o problema. O certo é, independente da intensidade do desconforto ocular, procurar um oftalmologista.

Astigmatismo

O astigmatismo é outra causa importante da fotofobia, dano ocular no qual ocorre uma deformação da córnea e a visão do portador passa a ter vários focos, onde todos os objetos, perto ou longe, são vistos de forma distorcida. "O astigmatismo pode ser hereditário ou induzido pelo hábito de coçar os olhos, sendo mais comum entre pessoas alérgicas. O avanço da idade também pode levar à doença em função da soma de pequenos traumas e até pelo peso das pálpebras caídas sobre a córnea", afirma o oftalmologista. Por enxergar desfocado tanto para perto como à distância, o portador do estigmatismo acaba adquirindo uma maior sensibilidade à claridade.

Luz artificial

Um estudo realizado por Leôncio Queiroz Neto com 1,2 mil pacientes que usam o computador por mais de seis horas por dia, revelou que 75% apresentam a síndrome da visão turva no computador. "O uso excessivo do computador influi no aparecimento da fotofobia porque piscamos cinco vezes menos do que o normal na frente do micro", conta o oftalmologista.

Pacientes com esse tipo de comportamento costumam apresentar sintomas frequentes como dor de cabeça, cansaço visual, olho seco e visão turva. Para diminuir o desconforto, deve-se descansar a visão adotando uma postura prazerosa: olhar para o horizonte por cerca de cinco minutos a cada hora passada usando o computador.

Grupos de risco

Segundo Leôncio, os idosos e as mulheres, especialmente após a menopausa, possuem maior chance de desenvolver a fotofobia por terem uma maior propensão ao olho seco. Medicamentos como corticoides - utilizados no tratamento de doenças autoimunes - e a pílula anticoncepcional também podem desencadear o problema, uma vez que provocam o ressecamento das lágrimas e induzem ao aumento da sensibilidade à luz externa.

Pessoas de olhos claros também têm uma maior propensão à fotofobia, pois a visão permite uma entrada maior de luz solar.

Bebês que não conseguem abrir os olhos na claridade, têm olhos grandes e lacrimejam muito podem sofrer de glaucoma congênito, má formação que limita a drenagem do humor aquoso, líquido responsável por nutrir o globo ocular. A deficiência no processo causa a fotofobia nos pequenos. A solução para o caso é submeter a criança a um procedimento cirúrgico que, se realizado precocemente, pode reduzir em mais de 90% dos casos os riscos de permanente.

Como tratar

O tratamento da fotofobia varia conforme o fator responsável pelo problema, explica Leôncio. Se for relacionado ao uso de medicamentos para outras doenças, recomenda-se a utilização de óculos escuros com filtro protetor para bloquear a incidência dos raios ultra-violetas. Caso seja consequência de astigmatismo, o mais adequado é usar óculos, lentes de grau ou mesmo a realização de uma cirurgia corretiva.

Se a fotofobia é decorrente de inflamações como ceratite ou irite, pode ser tratada com anti-inflamatórios prescritos pelo especialista. Já no caso de uma conjuntivite, o tratamento é feito através de colírios prescritos pelo oftalmologista ou por meio de compressas. Se os sintomas não desaparecerem em dois dias, é necessário retornar ao consultório para nova avaliação.

Olho seco

A fotofobia por olho seco pode ser tratada com lágrimas artificiais, hidratação corporal e ômega 3. Dessa maneira, cuidados com a alimentação ajudam a prevenir o olho seco e, consequentemente, a fotofobia.

Segundo o médico, é importante reduzir o consumo de carboidratos, gorduras e carne de vaca, apostar em alimentos ricos em vitaminas A e E, como cenoura, manga, espinafre, derivados do leite e óleos vegetais. A inclusão do ômega 3 na dieta também é recomendada, podendo ser encontrado em peixes (bacalhau e salmão), e nas sementes de linhaça e nozes. Detalhe: o consumo de pelo menos dois litros de água por dia ajuda a manter a quantidade do filme lacrimal.

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