PRECONCEITO

Louco é quem não consegue ser feliz

20:31 · 08.10.2011
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Socialização: Atividades realizadas na Praça do Ferreira ajudam a reintegrar os pacientes na sociedade. Música, arte e poesia integram a programação
Socialização: Atividades realizadas na Praça do Ferreira ajudam a reintegrar os pacientes na sociedade. Música, arte e poesia integram a programação ( Alex Costa )
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Dia Mundial da Saúde Mental visa derrubar mitos sobre pessoas com transtornos mentais

As barreiras que excluem as pessoas que sofrem de transtornos mentais ou psicológicos ainda são muitas. Pensando em acabar com o preconceito e sensibilizar a sociedade para as questões de saúde mental, a Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secretaria Municipal de Saúde, realiza amanhã, dia 10, a partir das 8 horas, na Praça do Ferreira, mais uma edição do Dia Mundial da Saúde Mental. A data foi instituída em 1992 pela Organização Mundial de Saúde (OMS), para alertar a população sobre a importância de se cuidar do bem-estar mental.

Tendo como tema central "Saúde Mental e Doenças Somáticas Crônicas: a necessidade de cuidados continuados integrados", o evento informa sobre os tratamentos complementares que auxiliam na reintegração e socialização dos pacientes.

Arte coletiva

Para a ocasião, a expectativa é contar com a participação de cerca de 400 pessoas, entre usuários dos 14 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Fortaleza, familiares, profissionais da saúde mental e pessoas interessadas na temática.

O público será recepcionado com um grande painel em branco estendido no chão da praça, onde cada um poderá expressar sua veia artística através da uma pintura, de forma a deixar a imaginação livre na criação de uma obra coletiva. A poesia também tem espaço, com a performance de dois usuários dos CAPS, Anselmo e Antônio, que declamarão poemas de própria autoria.

Em outro momento, as pessoas poderão acompanhar uma palestra-espetáculo sobre os benefícios das Ocas Comunitárias. São espaços de terapias comunitárias, voltadas para práticas populares de educação e saúde, que associa conhecimentos antigos - dos índios, por exemplo - a massagens terapêuticas como a massoterapia e a argiloterapia.

De acordo com Fátima Castro, coordenadora das Ocas Comunitárias da Regional VI, os usuários dos CAPS são encaminhados para as Ocas, para transpor a barreira do tratamento puramente médico. "Nas Ocas não trabalhamos com doenças, mas com cicatrizes que não curaram. A pessoa precisa entender que cada um é sujeito da própria história e a cura está dentro de cada um", afirma Fátima Castro.

Som é saúde

O grande destaque do dia será a apresentação de cinco atrações musicais, todas compostas por usuários dos CAPS. Fundado há 10 anos, o "Som Saúde" será um dos grupos convidados para a mostra. Criado pela psicóloga e musicista Ré Moura, o grupo trabalha a musicoterapia como forma de expressão de sentimentos. A psicóloga conta que utiliza mais de 35 instrumentos que não precisam de um aprendizado técnico mais apurado, como triângulo, reco-reco e agogô. "O instrumento musical funciona como um mediador das expressões do indivíduo. Através das escolhas do paciente, o que ele quer tocar e o que quer ouvir, é possível entender melhor a sua essência", diz Ré Moura.

Os integrantes do bloco "Doido é tu" farão um carnaval fora de época e uma amostra do que vão levar às ruas em fevereiro de 2012. O bloco, que já existe há cinco anos e no último carnaval chegou a contar com um público de 600 brincantes, traz como tema "De artista e de louco, todos nós temos um pouco". De acordo com Eliza Gunther, coordenadora do bloco, o "Doido é tu" é um espaço fundamental de socialização e de auxílio no processo de aceitação do indivíduo".

O bloco ajuda a fortalecer a identidade desses pacientes, é um espaço de expressão. Também proporciona a possibilidade de circular pelo território da cidade, explica.

"As pessoas, às vezes, ficam muito tempo dentro de casa ou nos CAPS, e acabam perdendo o contato com a rua. O bloco promove uma maior autonomia nos usuários", afirma Eliza Gunhter. Reforça ainda, que o bloco não é exclusivo para os pacientes e qualquer pessoa pode entrar na brincadeira.

"A nossa mensagem principal é a importância de cuidar da saúde mental de forma integrada e humanizada, pois não existe saúde física sem saúde mental", conclui Eliza.

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