SAÚDE

Lesões indicam riscos

02:58 · 30.01.2011
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Os cuidados com as unhas, não só das mãos mas principalmente dos pés, não se restringem apenas às mulheres. Os homens também devem estar atentos para este detalhe. É o que indica a dermatologista Maria José Diógenes, ao fazer uma advertência aos diabéticos e portadores de insuficiência vascular: "Nesses pacientes, pequenos traumas podem ser porta de entrada para infecções mais graves", indica.

O cirurgião vascular Pedro Diógenes, professor da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, esclarece que, nos casos de insuficiência arterial, as repercussões nas unhas ocorrem devido ao baixo fluxo de sangue nos pés, o que altera o próprio crescimento da unha, tornando-a deformada e quebradiça.

Conforme o especialista, é importante estar atento a isto, uma vez que pacientes com má circulação têm dificuldade em cicatrizar cortes ou mesmo ferimentos nos dedos.

Insuficiência venosa

Pacientes com insuficiência venosa, muitas vezes, revela Dr. Pedro Diógenes, desenvolvem alterações de pele e edema (inchaço) nas pernas, alterações que predispõem à infecções. Ao sofrer um trauma ou lesão próximo à unha, a chance de infecções mais graves pode ser aumentada, afirma o especialista.

As doenças que mais frequentemente se associam às alterações arteriais e que poderiam ter alguma manifestação ungueal se encontram em pacientes fumantes, diabéticos, obesos e aqueles com o colesterol elevado. Todos, conforme o cirurgião cardiovascular, estão predispostos a desenvolver obstrução nas artérias. "Nas pernas estas obstruções (entupimento) também podem ocorrer, levando ao baixo fluxo de sangue nos pés e nas unhas.

Outra advertência do especialista diz respeito aos traumas periungueais ou nas unhas (nas idas à manicure, por exemplo) os quais predispõem o corpo à entrada de infecções nos pacientes com insuficiência vascular. Cita os pacientes diabéticos, que têm, muitas vezes, pouca sensibilidade (dormência) nos pés, associado a baixo fluxo de sangue.

"Um ferimento criado ao fazer as unhas pode resultar em grave infecção (gangrena) pois o paciente não sente a região e o sangue não chega lá adequadamente para combater a infecção. Quando este percebe o odor da ferida, a infecção pode ter se alastrado muito".

Cita outro exemplo clássico, do paciente que, após sofrer um ferimento próximo às unhas, desenvolve pequena infecção localizada que, ascende em toda perna tornando-se uma erisipela (infecção nos vasos linfáticos) levando a edema (inchaço) da perna. Este último é mais comum em indivíduos diabéticos, com imunidade baixa, e obesos.

Atividades do lar

As pessoas que utilizam produtos de limpeza (sabões) devem redobrar os cuidados com as unhas, uma vez tais produtos mudam o PH da pele, favorecendo o desenvolvimento de bactérias e fungos. Também podem agir como alérgenos ou irritantes primários, provocando dermatites periungueais (paroníquias), onde se instalam germes, secudariamente, levando a deformidades ungueais. Óleos de limpeza e agentes corrosivos também podem provocar paroníquias. "Durante a preparação dos alimentos, a penetração de detritos pode atuar como agente traumático ou provocar reações", diz Dra. Maria José.

Para reduzir os riscos, a dermatologista recomenda o uso utensílios com cabo (esponjas, escovas, vassouras), assim como colocar objetos ensaboados sobre a pia, deixando-os sob água corrente antes de tocá-los.

Quanto à utilização de luvas (para pessoas não alérgicas à borracha), ela orienta limitar o manuseio de produtos oleosos ou corrosivos. Quando se dá a lavagem com material comprometido por furos ou rasgos, a água ensaboada pode ser ainda mais agressiva por passar mais tempo entre a pele e a luva. Nestas situações, o melhor é optar por máquinas de lavar louça e/ou roupas.

Para melhorar a barreira de defesa cutânea, a médica indica também o uso de hidratantes próprios para mãos, antes e depois de atividades domésticas.

O que elas revelam

Esbranquiçadas: Manchas com esta característica indicam anemia, dermatites de contato, micoses, psoríase, insuficiência renal, carência de zinco e proteínas;

Amareladas: Unhas com esta tonalidade indicam tabagismo, uso de antibióticos, ingestão excessiva de betacaroteno, diabetes, micoses e problemas de fígado;

Arroxeadas: Quando as unhas apresentam uma coloração arroxeada existe risco de ocorrência de micoses, tumores, uso de remédios coagulantes, problemas cardíacos, assim como lupus eritomatoso;

Esverdeadas e com inchaço e vermelhidão que se expande ao redor do dedo: A condição indica onicobacterioses e onicomicoses;

Com uma parte branca e outra avermelhada: Doenças renais;

Faixas negras: Disfunções hormonais, micoses, tumores ungueais, câncer de pele;

Amarelada, espessa e sem crescimento: Doenças pulmonares;

Ondulações evidentes: Traumas mecânicos, doenças cardíacas, pulmonares, anemia;

Enfraquecidas, quebradiças e secas: Carência nutricional (cálcio, zinco, vitaminas A, B e E), anemia e hipotiroidismo.

Roer as unhas é um vício nocivo

Após a visita ao dermatologista, este indicará os exames (laboratoriais de detritos de unhas e/ou de sangue, testes alérgicos e biópsia de unhas ou região sub-ungueal) para saber as condições gerais do paciente. Dependendo da causa das lesões, outros profissionais como cirurgião vascular, psicólogo (onicofagia e aneroxia nervosa), endocrinologistas ou infectologistas, devem ser procurados.

O vício de roer as unhas é um comportamento que pode estar relacionado a quadros de ansiedade, depressão, tiques, estresse, auto-estimulação ou, até mesmo, com um comportamento de imitar pessoas significativas, diz a psicóloga clínica Cíntia Figueiredo. "Quando observados em crianças ou adultos, deve-se procurar orientação de um profissional da área e, juntamente com a identificação de outros sintomas, realizar a busca por diagnóstico e tratamento adequado", explica.

Como as mãos são membros que estão muito expostos à apresentação, acabam por denunciar o estado emocional da pessoa. Por terem uma grande visibilidade, diz Cíntia, os membros contribuem para o conjunto de impressões que adquire em relação às pessoas. "Entrevistas de emprego, encontros afetivos e reuniões de amigos são situações nas quais aqueles que roem unhas sentem-se envergonhados diante da percepção dos outros acerca de suas dificuldades", revela.

Como socialmente todos buscam esconder seus defeitos, a exposição de imperfeições costuma causar grande desconforto, principalmente nas mulheres. A psicóloga explica que o ato roer as unhas pode estar relacionado com uma forma de conter a agressividade, assim como medo, ansiedade ou tristeza. "A história de vida é importante para o estabelecimento de relações entre emoções e onicofagia, sendo necessária uma investigação e tratamento adequados, como terapia comportamental e medicação".

A terapia, diz psicóloga, buscará compreender a história do hábito de roer unhas, estabelecendo relações com outros comportamentos, o ambiente em que a pessoa vive, suas emoções e funções comportamentais. Somente a partir daí será estabelecido um plano terapêutico para o paciente.

Entrevista
*Dra. Maria José Cerqueira

Endocrinologista alerta para a atenção redobrada no caso de lesões nas unhas dos pés de pacientes diabéticos

Que complicações podem advir de traumas nas unhas dos pés?

Pode haver o desenvolvimento de processos inflamatórios, que vão desde pequenas inflamações ou infecções nos tecidos moles próximos das unhas até quadros de erisipela ou mesmo osteomielite (infecção na parte óssea dos dedos do pé).

Por que no diabético as complicações são mais graves?

Porque, dependendo da gravidade do diabetes, pode-se desenvolver vasculopatia e neuropatia, que diminuem a sensibilidade nos pés e nos dedos fazendo com que o paciente possa não sentir dor mesmo após um ferimento mais profundo, que sem ser percebido, piora. A microcirculação deficiente dificulta a ida das células de defesa ao local, dificultando a cura.

Como evitar essas complicações pós traumáticas?

É importante recomendar que a pessoa procure profissionais especializados em locais onde todo o instrumental é esterilizado com autoclave, pois a esterilização em estufa não é suficiente para eliminar todos os vírus e bactérias que devemos evitar.

Até onde elas podem evoluir?

Podem evoluir para infecções graves que necessitam de internação para que o paciente seja submetido a tratamento com antibióticos potentes por via endovenosa. Se o tratamento for tardio, essas infecções podem levar até mesmo a amputações de dedos ou do próprio pé.

Como tratá-las de forma a não causarem maiores danos?

O tratamento deve ser feito o mais cedo possível, com curativos próprios e antibióticos prescritos por especialistas. Inicialmente devem ser tomados por via oral e em casa. Apenas complicações mais graves exigem internamento hospitalar.

*Endocrinologista, professora das Faculdades de Medicina da UFC e Christus

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