TERÇOL

Lesão palpebral exige cuidados constantes

00:00 · 12.01.2014
Causado por bactérias, se não tratado, o terçol pode evoluir para um nódulo crônico benigno. Higienizar é prevenir

Olhos inchados ao acordar, uma protuberância na pálpebra que dificulta os movimentos. Juntas ao edema, a vermelhidão e a dor, principalmente ao tocar, não demoram a aparecer. Ao fitar-se em frente ao espelho, já à primeira vista, a imagem refletida acusa uma enfermidade bastante comum: o terçol.

A higienização dos olhos, incluindo as pálpebras e cílios, deve ser feita diariamente com muito critério. Quando as impurezas não são removidas corretamente, os restos de maquiagem e as mãos podem conduzir vírus e bactérias foto: reprodução

Também chamado de hordéolo, o terçol é um pequeno nódulo palpebral doloroso que pode ou não apresentar um ponto de drenagem. Causado pela penetração de uma bactéria, é uma inflamação que pode ocorrer externa ou internamente.

A lesão se instala mais comumente na borda da pálpebra, próxima aos cílios, e vem acompanhada dos sinais típicos de uma infecção bacteriana: dor, rubor e calor na região ocular.

Nódulos incômodos

O hordéolo externo é uma infecção estafilocócica aguda das glândulas das pálpebras (Zeiss ou Moll). Já o hordéolo interno também é uma infecção estafilocócica da pálpebra, mas acomete as glândulas de Meibômio.

"O tamanho dos nódulos varia de acordo com o grau de acometimento e o tempo para o início do tratamento", esclarece o oftalmologista Petrônio José Dias, professor do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Incidência e evolução

A doença é comum à população em geral e não há prevalência quanto ao sexo ou à faixa etária. Entretanto, de acordo com o médico, pessoas mais jovens parecem ter uma incidência maior na realidade clínica diária.

"Alguns indivíduos são mais suscetíveis, como aqueles que possuem uma pele mais oleosa, por exemplo", pontua. Importante: não existem pesquisas conclusivas sobre esse tipo de ocorrência.

O diagnóstico, por sua vez, é feito por meio de exame clínico realizado no consultório do oftalmologista. Em geral, a ferida pode drenar espontaneamente alguns dias depois de instalado o quadro.

Como tratar

O tratamento do terçol é feito normalmente com o uso de colírios e pomadas antibióticas, podendo ser usados anti-inflamatórios também. Além disso, a aplicação de compressas mornas de três a quatro vezes ao dia é indicada para diminuir o edema e facilitar a drenagem do hordéolo.

Detalhe importante: não se deve espremer o terçol em nenhuma hipótese. O ideal é esperar que seque sozinho.

Segundo Petrônio José Dias, no caso de um hordéolo interno, os cuidados devem ser redobrados e o tratamento deve ser rápido. "Se não tratado, pode evoluir para um calázio, que é um nódulo crônico benigno que só se resolve com tratamento cirúrgico", alerta o especialista.

Manter as mãos sempre limpas é o primeiro passo para evitar a transmissão de vírus e bactérias. Por isso, lavá-las várias vezes ao dia e evitar passar o dedo no local em que aparecem as lesões oculares são recomendações que devem ser levadas em consideração, sempre. "As mãos sujas podem transmitir infecção, portanto temos que evitar coçar os olhos com as mãos não higienizadas", reforça o Dr. Petrônio José Dias.

O oftalmologista afirma, ainda, que os terçóis não evoluem para doenças mais graves ou malignas, mas ressalta que a higienização das pálpebras é preventiva para o surgimentos de novos nódulos.

"A higienização dos olhos, incluindo as pálpebras e os cílios, deve ser feita diariamente, se possível duas vezes por dia, usando produtos adequados encontrados nas farmácias ou mesmo com xampu neutro", aconselha.

FIQUE POR DENTRO

Maquiagem deve ser removida completamente

Seja em função de produtos fora da data de validade ou pela má remoção, o uso inadequado de maquiagem pode ser fator de risco para a incidência do terçol e até mesmo de outras doenças oculares, como a conjuntivite (inflamação da membrana conjuntiva - a parte branca do olho) e a blefarite (disfunção das glândulas ao redor dos olhos, que produz uma secreção gordurosa com o aspecto de caspa).

Quando não removida bem, a maquiagem pode causar doenças oculares (externas): hordéolos, as blefarites e blefaroconjuntivites. Daí a importância da remoção total da maquiagem ser uma questão de saúde.

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