Dor

Interpretar a sensação evita lesão e excesso

00:23 · 16.04.2013
Dor muscular é o sinal mais claro do corpo mostrar que se chegou ao limite do que é o exercício saudável

O termo "No pain, no gain" (em tradução livre "Sem danos, não há ganhos") já se transformou em lema aos que decidem mergulhar de cabeça na prática de exercícios físicos, buscando a perda calórica e o corpo bem definido.

A prática de exercícios pode levar à dor, mas não é algo que faz parte do processo FOTO: LUCAS DE MENEZES


Há quem pense que dor e corpo sarado caminham juntos. Apesar de dietas e novas modalidades nas academias, a sensação de exaustão após uma sequência de exercícios ou a prática de esportes ainda é um forte estimulante aos que almejam seu ideal de boa forma.

Afinal, a dor pode ser um medidor eficaz na avaliação da eficiência do exercício? Talvez. Segundo Elivan Júnior, profissional de Educação Física e especialista em Treinamento Desportivo, a dor pode alertá-lo nos esforços exagerados ou mostrar o caminho certo. O importante é sabermos interpretar essa sensação, pois nem sempre é tão benéfica quanto se pensa.

Reação do corpo

"Recebo frequentemente relatos dos alunos que deram um start no seu novo estilo de vida, mas, levados pela empolgação, não sabiam quando parar o exercício e, devido ao excesso, não conseguiram retornar ao segundo dia de treino", revela o educador físico.

Trata-se de uma ocorrência comum, já que é preciso levar em conta a ação de fatores internos como a endorfina, hormônio que age como um anestésico natural, fazendo o praticante perder a noção de limites e a sensação de pequenas lesões, podendo evoluir para problemas mais extremos.

Por conta disso também, as dores musculares oriundas de fadiga ou a sensação de queimação é uma reação natural do organismo. Mesmo assim, devem ser tratadas com certa cautela.

Adaptação

"Muitas vezes, a dor é um sinal de que o período de adaptação foi iniciado, além de ser realmente necessária. Isso porque o restabelecimento destas lesões proporciona modificações estruturais e químicas no músculo, e o fortalecimento em si, tornando possível a execução de treinos mais intensos e o alcance das melhoras prometidas pelo exercício", explica Elivan Júnior.

É comum o indivíduo relatar dor no dia seguinte ou após um curto período de tempo em que se lançou à prática regular de exercícios. "Tal condição costuma estar relacionada com a fadiga muscular do primeiro dia e pode levar a um quadro de dor muscular tardia, causado pela repetição no exercício, a sobrecarga e até mesmo aos alongamentos", revela. Nada tão grave a ponto de se preocupar.

A dor muscular tardia é provocada pelos processos inflamatórios desencadeados por micro lesões musculares, resultantes de exercícios. É o que ocorre com maior frequência em indivíduos que realizam manobras mais vigorosas sem ter o preparo físico adequado, ou quem começa uma atividade física ou a reinicia com intensidade maior que o habitual, buscando a superação.

Esse tipo de dor, originada principalmente pela fadiga, tem uma duração média de 72 horas após a execução do exercício. Daí, ser imprescindível um cuidado especial com a intensidade do mesmo. Do contrário, em casos extremos, pode resultar na incapacidade de fazê-lo, evoluindo para febre na musculatura trabalhada.

Para saber se a dor é um dos aspectos do processo natural de quem inicia qualquer tipo de exercício físico, deve-se primeiro identificar sua origem. "Não são sadias aquelas que incomodam na articulação e se espalham em outras áreas, alheias ao exercício, ou impossibilitam os movimentos de forma extrema", descreve o educador físico Elivan Júnior.

VICKY NÓBREGA
ESPECIAL PARA O VIDA

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.