CÂNCER DE BOCA

Iniciativa cearense concorre a prêmio

02:31 · 27.11.2011
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O Programa de mapeamento e diagnóstico já atendeu a mais de 20 mil pessoas em todo o estado
O Programa de mapeamento e diagnóstico já atendeu a mais de 20 mil pessoas em todo o estado ( Divulgação )
São treze coordenadores e mais de cerca de 60 profissionais, desde 2005, trabalhando no atendimento e encaminhamento de casos de CA de boca em várias localidades do Ceará
São treze coordenadores e mais de cerca de 60 profissionais, desde 2005, trabalhando no atendimento e encaminhamento de casos de CA de boca em várias localidades do Ceará ( Divulgação )
Programa de mapeamento e diagnóstico da doença é exemplo de política pública

Fruto do trabalho de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Fortaleza (Unifor), Secretaria Estadual de Saúde do Ceará (Sesa), Conselho Regional de Odontologia e da Casa de Misericórdia de Fortaleza, o Programa Permanente de Diagnóstico e Rastreamento do Câncer Oral no Ceará é um dos finalistas do Prêmio Saúde 2011, da Revista Saúde, na categoria Políticas Públicas.

O projeto, que já atendeu mais de 20 mil casos de tumores de boca em todo o estado, atua desde 2005, quando foi iniciado um trabalho interdisciplinar (patologistas, estomatologistas, cirurgiões, epidemiologistas) de combate ao câncer oral no Ceará. São 13 professores que coordenam o projeto: Fabrício Bitu, Eveline Turatti, Lea Maria Bezerra de Menezes, Maria Eneide Leitão de Almeida, Eliardo Silveira, Wagner Freire, José Maria Sampaio Menezes, Marcelo Esmeraldo Holanda, Alexandre Nogueira Simões, Marlio Ximenes, Maria Aragão Sales, Fátima Azevedo e Francisco Ivan Mendes Jr. Há ainda a participação de uma equipe de cerca de 60 pessoas, entre estudantes de graduação, pós-graduação e residentes.

"A ideia surgiu a partir do cansaço, da perplexidade e da insatisfação profissional de vermos tantos pacientes terminais com câncer de boca. Não tínhamos muito o que fazer diante daqueles casos. Percebemos que era necessário agir, ir onde essas pessoas estavam, transcender os muros de nossos serviços. Juntos, descobrimos que um sistema interinstitucional e interdisciplinar seria mais eficiente", explica o coordenador geral do projeto, o Prof. Dr. da Faculdade de Odontologia da UFC, Fabrício Bitu.

O programa

O trabalho de rastreamento e diagnóstico do CA de boca é realizado em todo o Ceará. Muitas células de saúde já foram visitadas e receberam a implantação do programa, porém, o prof. Bitu ressalta que ainda há várias regiões descobertas. "O Ceará é muito grande. Temos áreas de mar, sertão, serras. E há pacientes desse tipo em todas elas. As estruturas políticas muitas vezes acabam atrapalhando por não permitir um trabalho mais continuo e estruturado", lamenta.

São realizadas diversas atividades, desde o rastreamento de pacientes suspeitos (realizado mediante viagens periódicas) até a capacitação de profissionais no interior do estado, assim como campanhas de conscientização da população.

Com o levantamento das áreas mais impactadas pela doença, o passo seguinte é realizar exames detalhados e até biópsias, caso necessárias. " No início utilizamos os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) para casos mais simples, e, posteriormente, os serviços de estomatologia das universidades para os procedimentos mais complexos. Casos confirmados são atendidos principalmente pela Casa de Misericórdia", informa prof. Fabrício Bitu.

O Ceará é um dos estados mais atingidos pelo câncer bucal. Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA)/2010, esse é o quarto mais prevalente no sexo masculino no Ceará. Para o odontologista, isso se deve ainda ao alto índice de tabagismo e consumo de bebida alcoólica destilada (principais responsáveis pelo câncer intraoral), assim como a falta de proteção solar (associada aos tumores nos lábios) e lesões associadas ao HPV.

"Temos observado uma mudança significativa na formação odontológica e uma rede de diagnósticos reconhecida nacionalmente. Acredito que nosso maior desafio para os próximos anos é transformar o cenário das secretarias municipais de saúde, para que elas se tornem corresponsáveis pelos pacientes, assim como investir na formação dos profissionais; implementar e melhorar o acesso ao tratamento oncológico", conclui.

Índice

15 mil É o número estimado de casos de tumores de boca em todo o Brasil, em 2010. Segundo dados do INCA, no Ceará, esse tipo de câncer é o 4º mais prevalente no sexo masculino

ANAMÉLIA SAMPAIO
REPÓRTER

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