IMAGINAÇÃO

Imagens e o potencial criativo para o bem-estar

20:44 · 24.09.2011
( )
As imagens atuam no interior de modo a criar possibilidades de saúde, bem-estar e expansão da consciência
As imagens atuam no interior de modo a criar possibilidades de saúde, bem-estar e expansão da consciência ( Arquivo )
Bruce Lipton: a unidade mente/corpo deve ser recuperada na ciência médica
Bruce Lipton: a unidade mente/corpo deve ser recuperada na ciência médica ( )
Poder das imagens mentais é capaz de alterar a fisiologia do corpo, com ações benéficas ou não

Se os pais, educadores e adultos responsáveis pudessem supor o quanto suas crianças são susceptíveis às imagens que presenciam no cotidiano (reais ou virtuais, no que veem, ouvem e fantasiam) exerceriam de modo mais preciso o papel de filtros cognitivos em sua forma de educar.

Uma garotinha de cinco anos, que pede à mãe para assistirem a um filme, exemplifica sobre uma máxima que se diz compreendida mas não recebe as adequadas reservas. Ou seja: uma imagem consegue em certos casos um impacto maior do que mil palavras.

A mãe se dirige à locadora próxima, passa vista na sessão infantil e pega um Dvd, lendo rapidamente a sinopse e escolhe a história baseada em um conto russo. Em casa, coloca o filme e, cansada, adormece sem se dar conta das cenas que a pequena iria ver.

Na manhã seguinte, a criança arde em febre de 40 graus. Sem entender nada, leva-a à pediatra, que não identifica qualquer problema físico aparente que justifique o estado febril. Levanta a hipótese de um possível trauma para a "febre emocional".

Escolha criteriosa

Checa no colégio algum episódio fora da normalidade. Em casa, antes de devolver o filme, liga o aparelho e se assusta ao se deparar com a tenebrosa bruxa Baba Yaga, que rouba uma garotinha órfã (de mãe) de sua família. Consciente da causa da febre da filha, a mulher toma a decisão de tornar-se mais criteriosa com sua exposição e da filha ao universo das imagens.

As histórias, conforme o psicanalista e escritor Rubem Alves, são de fato medicamentos, verdadeiros alentos para a alma de uma criança. E também em qualquer outra fase da vida. Os especialistas em Programação Neurolinguísticas, como Magui Guimarães, chamam de metáforas, as histórias com conteúdos imagéticos pertinentes, utilizadas para tocarem a imaginação e o coração, mobilizando as pessoas para atitudes proativas a seu favor.

Na situação citada, a psicopedagoga explica que a criança só vai criando filtros perceptivos por volta dos sete anos de idade. Antes disso, recebe praticamente tudo como realidade. Por isso, para os pequenos é tão fácil crer em Papai Noel e tapete mágico, diz. "No processo educativo, é importante que os pais e educadores façam essa seleção natural de imagens de conteúdos mais densos a fim de não tornar banal situações de perdas, que podem vir a se tornar muito dolorosas."

Todas pessoas, de um modo ou de outro, utilizam o poder da visão interior, das imagens mentais, embora em muitas situações desastrosas, de forma a potencializar estados emocionais desagradáveis, tais como medo, insegurança, raiva, mágoas, enfim, quadros que dizem não gostar nem querer sentir.

Conforme Alzira Boechat, especialista nas técnicas Psych-K e Visualização Criativa, o que torna o uso de imagens mentais efetivo é a sensibilidade de cada pessoa. Em seu workshop O Poder Dinâmico da Visualização Criativa - ministrado este mês em Fortaleza e com o qual percorre várias cidades do País (www.visualizecriativa.com) - afirma não falar apenas dessa técnica (encontrada em livros), mas como vivenciar isso na prática.

De acordo com ela, o que leva cada pessoa a decidir o que quer (ou o que não quer) e ir em busca disso são as próprias crenças (pessoais e coletivas) existentes de poder alcançar o que tem em mente. "Além de usar a técnica de visualização criativa, é importante saber transformar crenças limitantes em crenças que nos apoiam". Isso não é tão fácil de se fazer sozinho, explica.

Além da PNL, hipnose e outras abordagens que atuam com objetivo de transformação de crenças, o método Psych-K pode ser aliado, como procede Alzira em sua prática terapêutica, a um trabalho da ´criança interior´, oferecendo ao processo de criação de imagens um tom leve e eficaz, inclusive para trabalhar com traumas/crenças/expectativas que são paralisantes.

A especialista (que reside em Estocolmo, na Suécia), afirma ser possível visualizar a transformação de estados e situações traumatizantes, várias vezes, de diferentes maneiras, a fim de alterá-los de forma decisiva.

"Nosso cérebro pensa com imagens. Por isso, podemos ir substituindo imagens traumáticas por imagens confortadoras". Ela acompanha pessoas que perseveram e transformam suas vidas. À medida que esses sentimentos e emoções são trazidos à consciência para serem vistos, observados, acolhidos e tratados, acabam perdendo, pouco a pouco, seu poder, revela.

Viajando na viagem

Tudo o que se vivencia no dia a dia e se torna comum, esclarece Magui Guimarães, acaba indo direto para o inconsciente. Já situações distintas do cotidiano ou inusitadas seguem para o consciente. Estas duas dimensões da mente podem ser distinguidas por níveis de percepção, como um estado de sono, de um lado e estado desperto, de outro.

Sair de nossas referências cotidianas, periodicamente, é uma forma de exercitar as duas dimensões da mente. Em 2006 e 2008, Magui fez essa escolha ao realizar duas viagens, uma como mochileira pela Europa e a outra para a Índia. Longe de suas referências cotidianas de casa, família, amigos, trabalho, celular e computador, abriu-se para o novo à sua frente. Sua âncora foi a escrita, registrando suas experiências interiores. O resultado está no livro "Viajando na Viagem", que lança no dia 27, às 19h, no Centro Cultural Oboé.

Estar só em sua presença, ancorado no presente é um grande desafio que viajar normalmente possibilita, diz Magui. A dimensão da mente consciente que se excita ao receber permissão para se abrir ao desconhecido e receber novos estímulos (cores, sons, odores, sensações), sai do "piloto automático", e assume para si os ganhos com expansão de consciência, libertando do aprisionamento do cotidiano.

Magui e Alzira, embora de áreas distintas, observam de forma similar algumas experiências que se acabam precipitadamente julgando como erros. Dentro de uma visão ampliada, tais vivências são vistas como oportunidades de transformação pessoal. Cada ser tem um aprendizado único de como funcionar de outras maneiras, mais ecológicas quanto mais saudáveis para si e também para os demais.

Hoje, matéria e energia são observadas como unidade

Como a mente consegue ser mais forte que a programação genética? Como a simples crença de um profissional de saúde pode afetar o resultado final do tratamento?

Estas e muitas outras questões foram povoando o espírito investigativo do biólogo celular Bruce Lipton, que por muitos anos deu aulas na Escola de Medicina da Universidade de Wiscosin (EUA), desenvolvendo pesquisas pioneiras sobre a membrana celular na Universidade de Stanford. Os resultados foram precursores de uma nova ciência, a Epigenética, da qual Lipton se tornou fundador e um de seus maiores especialistas.

Limitação de Descartes

No século XVII, o pensamento de René Descartes formava o novo paradigma científico de então, separando o material do imaterial, o racional do emocional. Sem conseguir identificar a natureza da mente, Descartes deixou em aberto uma questão filosófica: se a matéria só pode ser afetada pela matéria, como a mente não material pode estar conectada a um corpo denso? Definida como "o fantasma na máquina", a incógnita que ficou em aberto criou uma predominante e crucial divisão entre o corpo e a mente, que muitos cientistas quebraram a cabeça para derrubar e que Bruce Lipton dissolve com o novo paradigma da crença atuando em conjunto e (até) transformando de modo inacreditável a matéria.

Os supostos milagres nada mais são do que a quebra da crença do impossível. "Em termos médicos - registra Lipton em "A Biologia da Crença" (Editora Butterfly)- é muito mais simples consertar um corpo mecânico sem ter de pensar na incômoda figura de um ´fantasma´ - ou mente imaterial".

A biologia da crença vem confirmar o que a psicossomática e as neurociências descortinam. A energia do pensamento suscita emoções intensas e pode ativar ou inibir proteínas e o funcionamento da dimensão celular.

Entrevista

Dr. Fabio Gabas *

Várias práticas se integram hoje à Medicina como a respiração, a meditação, a coerência cardíaca e a visualização. Os efeitos são percebidos no âmbito da mente e do corpo

De que modo o fator crença tem alterado as perspectivas da biologia e da saúde humana?

Todos os profissionais da saúde, ao longo de sua trajetória profissional, tiveram a oportunidade de verificar, na prática, as ações das crenças de um indivíduo na sua recuperação de uma doença ou um trauma qualquer. A diferença hoje é que a própria ciência, através dos estudos da Física Quântica, tem demonstrado como a ação de um pensamento (energia) pode interagir com nosso DNA (matéria), provocando profundas modificações em sua expressão.

O senhor realiza palestras com base na obra Biologia da Crença. Como tem sido a receptividade?

Tenho falado sobre este tema em vários locais, como universidades, centros espiritualistas, lojas maçônicas e, também, em programas de TV. Conheci a obra do Dr. Lipton nos EUA e consegui uma editora brasileira para traduzir este seu livro principal e publicá-lo. Fui o revisor técnico da tradução. Claro que trata-se de uma assunto relativamente novo no meio leigo, mas com a velocidade das informações nas redes e a própria ansiedade do ser humano hoje em adquirir mais conhecimento, parece que estes conceitos têm sido muito bem aceitos, compreendidos e até praticados para se conseguir uma vida mais saudável e satisfatória. Infelizmente, a ciência médica leva um tempo muito grande entre a comprovação de determinadas técnicas e sua introdução no mercado, mas tenho observado que os colegas têm aberto muito mais suas mentes e seus corações para novos conceitos, afinal, o modelo atual tem melhorado muito pouco a qualidade de vida das pessoas.

Esses conceitos não são novos.

No meio científico podem até ser mas a Ciência evolui e sempre acaba comprovando o que a filosofia nos ensina há muito tempo. Há milhares de anos ouvimos sobre o poder da fé e sua influência na materialização de seus desejos. Quem quiser se aprofundar mais na mecânica da materialização dos pensamentos, recomendo a leitura do livro "O Efeito Isaías". Seus efeitos são surpreendentes.

Quem estuda isso hoje?

Há numerosas pesquisas em todo o mundo. No Instituto HeartMarth, situado em uma cidade ao sul de São Francisco (EUA), pesquisadores já estudam a ação das emoções no DNA. Várias pessoas são treinadas a sentirem emoções diversas em seus corações, desde as consideradas positivas como amor, apreciação, admiração, como também as consideradas negativas como tristeza, raiva e medo, verificando-se alterações importantes no comprimento do filamento de DNA. Emoções "positivas" alongam o filamento permitindo que uma maior área seja exposta com maior potencial de expressão de seu potencial, enquanto que emoções tidas "negativas" encurtam seu filamento, restringindo esta expressão.

O que estes estudos provam?

Que se o homem hoje quiser ser efetivamente feliz, saudável e mais completo, deve atentar para o estudo da mente e aproveitar o que este conhecimento pode fazer por cada um. Vale lembrar que o coração é a sede dessas emoções e, portanto, ao se cultivar sentimentos de amor e bondade, consegue-se que estas informações tragam para suas células o equilíbrio e a harmonia necessários para saúde plena. O mundo está em mudanças importantes e para acompanhar, devemos mudar nosso foco do mundo apenas material, para aspectos mais sutis da espiritualidade e nossa evolução como seres que "habitam" este corpo material. O caminho do altruísmo e do serviço para a construção de um mundo melhor demonstra hoje ser a menor distância entre o ser humano e a paz que todos almejamos.

Médico, especializado em Medicina Integrativa e Preventiva

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.