INCIDÊNCIA

Fungos: tratamentos e novas drogas

13:11 · 06.03.2011
José Machado Moura Jr, diretor Médico da Astellas Farma Brasil, destaca a ação de novas drogas antifúngicas
José Machado Moura Jr, diretor Médico da Astellas Farma Brasil, destaca a ação de novas drogas antifúngicas ( )
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O fungo do gênero (candida) representa o 6° patógeno mais comum nas infecções da corrente sanguínea

O que explica o aumento das infecções invasivas nos últimos anos, particularmente em relação as que envolvem fungos do gênero Candida? Como é feito o diagnóstico?

As infecções invasivas por Candida tem aumentado devido aos avanços nos cuidados médicos aos pacientes, que cada vez são mais agressivos e permitem que pacientes com doenças graves e muito graves sobrevivam por tempo prolongado.

Os pacientes com maior risco de infecções por Candida, portanto, são aqueles submetidos a tratamento com imunossupressores, como os transplantados de órgãos e com câncer, os bebês prematuros que não tem o sistema imune bem desenvolvido e pacientes que necessitam de cirurgia abdominal de grande porte. O diagnóstico é feito pelo isolamento do fungo no sangue ou em um órgão estéril.

Quais problemas o paciente infectado por este fungo está sujeito? E quais as consequências e possibilidade de recidiva?

O paciente com infecção fúngica normalmente apresenta uma síndrome infecciosa semelhante àquela causada por bactérias, mas os sintomas dependem do órgão acometido. Os mais comuns são febre, aumento dos leucócitos no sangue, aumento da frequência cardíaca, sudorese e mal estar.

Porém, quando a infecção ocorre em um paciente grave, com doenças que possam diminuir sua imunidade, as infecções invasivas por Candida podem levar a morte. Em alguns casos pode haver recidiva da infecção, especialmente se o paciente desenvolver um abscesso.

Até que ponto o sistema imunológico pode ser determinante nestes casos? Qual a gravidade de contaminação e sequelas em recém nascidos?

O sistema imunológico é essencial na efetividade do tratamento de uma doença infecciosa, mesmo quando o paciente está recebendo o tratamento antimicrobiano adequado, dai ser mais difícil tratar pacientes com problemas imunológicos. Assim, pacientes como os recém nascidos prematuros podem apresentar infecções graves, com meningite e retinite, que podem levar a sequelas neurológicas ou comprometer a visão.

Quais outros tipos de fungos apresentam uma incidência crescente no Brasil?

No Brasil observamos um aumento nas espécies de Candida chamadas de não-albicans, hoje responsáveis por mais de 50% das infecções hospitalares. Essas espécies são especialmente preocupantes por serem mais resistentes ao tratamento com alguns antifúngicos usados nos hospitais.

Fale-nos sobre os tratamentos disponíveis, assim como as medidas preventivas. A rede de saúde pública disponibiliza tanto tratamento como prevenção?

Existem três classes de antifúngicos disponíveis na rede pública para tratamento: os triazólicos, os poliênicos e as equinocandinas. Essas drogas podem ser usadas tanto no tratamento como na prevenção infecções fúngicas em populações específicas.

Fale-nos de novas opções de tratamento.

Dentro da classe das equinocandinas, existe agora uma nova opção de tratamento, o Mycamine, cujo princípio ativo é a micafungina. Essa droga representa um avanço, já que é extremamente eficaz no tratamento da candidíase invasiva, sendo eficaz até no tratamento das espécies de Candida resistentes a outras drogas.

A nova opção apresenta um excelente perfil de segurança, com poucos efeitos colaterais e baixa toxicidade. Com esse perfil favorável, a nova droga foi avaliada no tratamento de candidíase invasiva inclusive em pacientes recém nascidos, (até mesmo os prematuros) e provou ser igualmente segura e eficaz, o que possibilitou à micafungina ser a única equinocandina aprovada nesse grupo de pacientes.

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