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Fitoquímicos agem como protetores do organismo

00:00 · 07.10.2013
Cresce a consciência de que a manutenção da saúde e a prevenção de diversas doenças passa pela alimentação

Proteger as células e órgãos do organismo da ação destrutiva dos radicais livres é uma das principais funções dos fitoquímicos. Esses perigosos agentes são produzidos pelo consumo de alimentação inadequada, estresse, tabagismo, exposição a poluentes do ar, luz e solar (raios ultravioleta e também como subproduto do metabolismo.

As frutas cítricas ( limão e laranja), são as principais fontes de flavonoides, substâncias que possuem importantes propriedades farmacológicas foto: divulgação

Substâncias biologicamente ativas, os fitoquímicos são encontrados em diversos vegetais, sendo usualmente relacionados à cor de frutas e verduras. Entre as atividades bioativas destaque para a ação positiva sobre hormônios; antioxidante, antiviral e bactericida, além de estimular as enzimas desintoxicantes e do sistema imunológico.

É sobre estas poderosas substâncias que trata um dos capítulos do livro "As Cores da Longevidade - A batalha antioxidante contra o envelhecimento" do doutor em Química Orgânica pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Alexandre Cabral Craveiro, também fundador da Polymar Ciência e Nutrição.

"O conhecimento sobre as propriedades antioxidantes e os benefícios das vitaminas têm crescido rapidamente por meio de evidências científicas, sendo atualmente um dos principais argumentos a favor do consumo de frutas e verduras", afirma Craveiro que possui larga experiência em química orgânica e produtos naturais, com ênfase em síntese orgânica e biopolímeros.

Radicais livres

Extremamente reativos, os radicais livres são capazes de interagir com praticamente todas as células do organismo humano. Os alvos preferidos são justamente células ou tecidos saudáveis.

Tal condição resulta em diversas doenças ou respostas biológicas desfavoráveis. Entre as doenças associadas à presença de radicais livres ou espécies oxigenadas reativas: artrite, aterosclerose, câncer, desordens neurológicas, envelhecimento, esclerose múltipla, formação de catarata, isquemia do miocárdio, malária e problemas cardiovasculares.

Proteção

Segundo Alexandre Craveiro, "existem fortes evidências científicas de que os fitoquímicos interferem no estágio inicial do câncer".

E que "alguns fitoquímicos atuam bloqueando enzimas que ativam os genes envolvidos no câncer ou prevenindo a formação de substâncias que causam a doença. Alguns deles bloqueiam a ação de compostos que destroem células, tecidos e órgãos, ou então ajudam o organismo a produzir enzimas que destroem as substâncias nocivas".

Há também os fitoquímicos que bloqueiam a disseminação do câncer no organismo interferindo na reprodução das células expostas às substâncias cancerígenas.

Os fitoquímicos podem reduzir o risco de doenças coronarianas, tendo várias dessas substâncias associadas à redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol, assim como o bloqueio da oxidação do colesterol (LDL), prevenindo sua deposição no interior das artérias.

Flavonoides

Encontrados em uma grande variedade de vegetais, entre os antioxidantes mais ativos estão os compostos fenólicos, especialmente os flavonoides. São eles os responsáveis pelo aspecto colorido das folhas e flores, podendo estar presente em outras partes das plantas.

Da classe das antocianinas, na coloração azul, vermelha e violeta, são fontes as frutas e flores; das flavanas (mono, bi e trifavanas), incolor, são encontradas em frutas e chás; das flavanonas, incolor e amarelo pálido, estão em frutas cítricas; das flavonas, em amarelo pálido, estão em frutas cítricas, cereais e ervas; dos flavonóis, em amarelo pálido, estão em frutas e verduras; enquanto os isoflavonoides são encontrados nos legumes, principalmente na soja.

As principais fontes de flavonoides são as frutas cítricas, especialmente o limão e a laranja. Presente também frutas (as maiores quantidades estão na polpa) como cereja, uva, ameixa, pêra, maça e mamão. No caso dos bioflavonoides, as melhores fontes são pimenta verde, brócolis, repolho roxo, cebola e tomate.

Dentre as diversas atividades farmacológicas atribuídas aos flavonoides destaque para a capacidade antioxidante, atividades anti-inflamatórias e de efeito vasodilatador, ação antialérgica, contra o desenvolvimento de tumores, bem como ações antimicrobianas antivirais.

O doutor em Química Orgânica também mostra que os flavonoides podem inibir vários estágios dos processos que estão diretamente relacionados com o início da aterosclerose.

Vitamina C e colágeno

"Os flavonoides auxiliam na absorção e manutenção da vitamina C, protegendo-a da destruição, potencializando e prolongando o seu efeito no organismo", destaca Alexandre Cabral Craveiro.

"Estes compostos estão envolvidos na manutenção da saúde do colágeno. A atividade anti-inflamatória dos bioflavonoides, aliada a ação reparadora do colágeno pode auxiliar em problemas que atingem as articulações e tecido conectivo, a exemplo de artrite, tendinite, artrite reumatoide e gota", destaca.

Os benefícios se estendem no fortalecimento dos vasos capilares. Os flavonoides aumentam a permeabilidade e a integridade dessas estruturas do sistema circulatório, que distribuem oxigênio e nutrientes para órgãos, tecidos e células, afirma Alexandre Cabral Craveiro, cuja área de atuação abrange, ainda, o estudo da quitosana, quitina, biotransformações, alimentos funcionais e fitoterápicos.

FIQUE POR DENTRO

Década de 1970 marca o início das descobertas

Animais alimentados com brócolis, repolho, couve-de-bruxelas e outros vegetais da família dos crucíferos tiveram a incidência de câncer reduzida em relação ao grupo que não ingeriu esses vegetais. A constatação foi o ponto de partida para as pesquisas realizadas com fitoquímicos pelo cientista Lee Wattenberg, PhD da Universidade de Minnesota (EUA), na década de 1970.

Outra linha de estudos foi desenvolvida por cientistas da Universidade de John Hopkins (USA). Concluíram que os animais alimentados com vegetais crucíferos apresentaram uma redução de 90% na incidência de câncer após a exposição a aflatoxina, um reconhecido agente causador de um tipo de câncer letal.

Desde então, descreve Alexandre Cabral Craveiro, vários fitoquímicos vêm sendo isolados de diversos vegetais e revelando as poderosas propriedades anticâncer.

Na mesma década, cientistas alemães descobriram que civilizações orientais - especialmente a japonesa - que ingerem grandes quantidades de alimentos derivados da soja, apresentam 30 vezes mais genisteína na urina, além de uma incidência muito baixa de câncer em relação às civilizações ocidentais.

SAIBA MAIS

Flavonoides:
Morango, amora, ervas, verduras;

Isoflavonas: Cevada, linhaça, soja;

Isotiocianatos: Vegetais crucíferos (couve, repolho, brócolis, couve-flor);

Monoterpenos: Casca de cítricos;

Organo-sulfúricos: Cebola, alho, cebolinha;

Saponinas: Feijão, grãos em geral;

Capsaicina: Pimentas;

Esteróis: Óleos vegetais.

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