Escolha da dieta

Exige bom senso

01:27 · 19.02.2013
Proteína, gordura ou carboidrato? Excluir grupos alimentares é um modismo e requer cautela. Nutricionista explica a importância de se comer de tudo um pouco moderadamente

Quem nunca fez provavelmente conhece alguém que já se aventurou numa dieta "milagrosa", daquelas que prometem ótimos resultados em pouco tempo. Superpopulares, elas estão em livros, revistas e na boca do povo. Mas, os nutricionistas alertam: as dietas restritivas, monótonas e não individualizadas - que como o nome já diz restringem do cardápio um dos grupos de macronutrientes (carboidrato, proteína ou gordura) - podem, a longo prazo, causar danos à saúde.

FOTO: LUCAS DE MENEZES

A nutricionista, Mestre em Saúde Pública e professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Sara Limaverde, explica que, hoje, a nutrição prega uma alimentação saudável todos os dias. "Não existe o ´estou de dieta hoje´. É importante as pessoas terem controle da alimentação sempre. A opção ideal é planejada por um profissional e deve ter 55% de carboidratos, 15% a 20% de proteína e o restante de gordura. Cada grupo alimentar desses é importante para o bom desempenho do organismo", afirma.

Por isso, as dietas restritivas são tão questionadas. Quando se bane a proteína, o carboidrato ou a gordura do cardápio, por tabela, restringem-se automaticamente algumas vitaminas e minerais importantes. "O indivíduo come, mas fica mal nutrido porque deixa de ingerir alimentos essenciais", pondera.

A promessa de redução rápida de peso (até 7 quilos/mês) deve ser vista com grande cautela. Segundo estudo conduzido pelo Proteste Associação de Consumidores, das sete revistas femininas analisadas, apenas 43% das dietas propostas ligam regime alimentar a alguma atividade física.

Riscos

A dieta da moda, a da proteína, por exemplo, vem ganhando muitos adeptos ao pregar a redução do consumo de carboidratos a quase zero e a substituição por proteínas. A perda de peso é significativa e rápida, mas os danos ao corpo aparecem com o tempo. "Quando se ingere mais carboidrato do que precisa, o excesso se armazena em forma de gordura. Com a proteína não há armazenamento e o rim precisa trabalhar muito mais para quebrar a proteína. A longo prazo pode haver falência renal, colesterol alto e sobrecarga no fígado", diz a nutricionista.

O carboidrato é responsável por fornecer energia e, quando é decomposto no organismo, vira glicose utilizada no cérebro. "Por isso, muitos sentem dores de cabeça, sonolência e até fraqueza", completa a professora. Fica claro que cada grupo alimentar trabalha em conjunto para fazer essa complexa máquina do corpo humano funcionar a contento.

Sara Limaverde reforça, ainda, que há uma outra característica muito comum a todas essas dietas restritivas: o indivíduo não aguenta tanto tempo e, quando retorna à alimentação normal, geralmente passa a comer em demasia e engorda novamente (leia-se o recorrente efeito sanfona).

"Não posso dizer que essas dietas são 100% inadequadas. Existem aqueles que conseguem reduzir o peso em um curto período e, depois, fazem uma reeducação alimentar. Nesses casos, tudo bem. Contudo, a maioria não consegue. Depois, ganham peso", relata.

Reeducação alimentar

A exclusão dos alimentos também é encarada como um desencorajador no processo de reeducação alimentar. "Temos que levar em conta a sociabilidade no planejamento de um programa alimentar. É salutar quem sair num fim de semana e comer pizza ou churrasco. O importante é saber que depois será preciso controlar a alimentação para compensar", ensina.

O fator psicológico conta bastante nesse processo de reeducação. Por isso, faz-se necessário atentar também para isso. O recomendado é procurar a ajuda profissional, tanto de um nutricionista - que fará o planejamento alimentar - como, em alguns casos, de um psicólogo.

"As pessoas costumam esquecer que passaram anos para ganhar peso e querem perdê-lo de uma hora para a outra. Não é assim que funciona. Existe também o fato de muitos terem uma relação distorcida com a comida. Dessa forma, um trabalho psicológico ajudará nesse sentido", reforça Sara Limaverde.

Opções

Dietas restringem nutrientes

Proteína

Reduz o consumo de carboidratos, como pães, massas e doces, e privilegia o de proteínas, como ovo, carnes e queijos. Legumes e frutas são proibidos e apenas alguns tipos de verdura estão liberados.

Sem Gordura

Preconiza o banimento de todo tipo de gordura da alimentação, seja de origem animal ou vegetal. Consumir menos gordura que o recomendado pode comprometer algumas funções do organismo.

Sopa

Consiste na substituição de até duas refeições por sopas de vegetais. Não apresenta quantidade adequada de proteínas e carboidratos e há também a perda de líquidos e massa magra do corpo.

Six Weeks to OMG

Baseado no livro de Venice A. Fulton, entre outras orientações, a dieta prega um programa onde as frutas são eliminadas e o nutriente predominante é a proteína. Permitidas apenas três refeições.

KARINE ZARANZA
REPÓRTER

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