pterígio

Excesso de exposição aos raios UV danifica a visão

00:00 · 25.11.2013
Comum nos trópicos, o pterígio pode ser corrigido com cirurgia, mas a prevenção exige cuidados contínuos

À primeira vista, o nome parece um tanto estranho: pterígio. A doença que atinge os olhos, no entanto, é bastante comum em regiões tropicais, como o Brasil, e costuma afetar quem trabalha ou vive exposto ao sol. É por isso que estar diariamente submetido à luz solar e, por vezes, ao vento também, exige cuidados constantes com os olhos.

O pterígio costuma ocorrer com maior intensidade nas regiões Norte e Nordeste devido à intensidade dos raios UV. O vento forte, a fumaça e a poeira também são elementos danosos à visão. Proteção ocular é um item obrigatório foto: Agência DN

Tanta exposição pode provocar um processo de irritação ocular crônica, e o pterígio surge como uma resposta de defesa do olho à acentuada incidência dos raios solares.

Localizado geralmente no canto interno do olho, o pterígio é uma carnosidade fibrosa e vascularizada da conjuntiva (membrana que reveste a esclera, parte branca do olho) que cresce em direção à córnea e ocorre com maior frequência em homens a partir dos 30 anos.

Norte e Nordeste

Trata-se de uma doença benigna, sem causas bem definidas. Entretanto, além da luz solar, a predisposição genética pode ser um fator de risco para a enfermidade.

"Sabemos que, no Brasil, o pterígio ocorre mais nas regiões Norte e Nordeste, devido à grande incidência dos raios solares, mas a poeira, a fumaça, o vento e o ar condicionado são fatores que contribuem para o aparecimento e o crescimento da doença", aponta o oftalmologista Josué Araújo Feitosa.

"A visão começou a ficar ardendo como se tivesse areia. Fui ao oftalmologista que detectou a existência de uma ´carnezinha´ que se chama pterígio, e que era melhor eu tirar logo porque a tendência era crescer mais e atrapalhar minha visão". Foi assim que a enfermidade se manifestou na técnica de enfermagem Ana Freitas, de 41 anos. Aos 35 ela começou a perceber que a parte branca do olho não estava normal. "Como trabalho no interior e lá tem muita poeira, mesmo usando óculos de sol, ao pegar ônibus, por exemplo, eu sempre estava muito exposta", lembra.

Com a doença, o paciente se queixa de ardor, olho vermelho, lacrimejamento, irritação, fotofobia (sensibilidade à luz) e visão borrada. Além disso, o pterígio causa a sensação de corpo estranho no globo ocular, comprometendo a qualidade de vida.

É assim que, muitas vezes, as pessoas percebem a presença da carnosidade no olho. "Ela fica no cantinho e quanto mais a gente tenta coçar, mais o olho fica irritado", afirma Ana Freitas.

Intensidade

O pterígio geralmente se manifesta simultaneamente nos dois olhos, mas não com a mesma intensidade. No caso da técnica de enfermagem, a doença avançou mais rapidamente no olho direito.

Segundo o oftalmologista Josué Feitosa, a enfermidade tem evolução lenta, mas, em alguns casos, a progressão é rápida e chega a se apresentar de forma agressiva.

"Com o crescimento da carnosidade em direção à córnea, o pterígio causa trações na córnea levando a um borramento da visão. E, se a doença crescer até cobrir a pupila, pode evoluir para a cegueira, mas isso é reversível com o tratamento", esclarece o especialista.

No início, o tratamento do pterígio é feito com colírios lubrificantes, anti-inflamatórios e vasoconstrictores (substâncias que provocam a contração dos vasos sanguíneos) que eliminam a vermelhidão do olho.

Já quando o avanço da doença passa a oferecer algum risco à visão, o tratamento cirúrgico é o mais indicado. O procedimento é realizado com anestesia tópica, por meio de colírio anestésico, e dura cerca de 15 minutos.

Procedimentos

"Existem várias técnicas de cirurgia de pterígio. As mais usadas são a esclera nua e o transplante de conjuntiva. Na esclera nua faz-se a retirada da carnosidade e uma cuidadosa cauterização.

No transplante de conjuntiva se retira o pterígio e, depois, extrai-se uma parte da conjuntiva abaixo da pálpebra superior para ser suturada ou colada no local de onde foi eliminada a formação carnosa", explica.

A técnica usada na cirurgia dependerá de cada caso, afinal, o tratamento cirúrgico também é indicado por questões estéticas. Ana Freitas fez o procedimento no olho direito há um ano e, há seis meses, decidiu fazê-lo no esquerdo também.

"O pterígio não chegou a atrapalhar a minha visão porque fiz a cirurgia e comecei a usar o colírio logo no início. Fiz pela estética, porque é muito feio e dói, e também pelo trabalho, porque quem trabalha com enfermagem precisa ler medicamentos com precisão e com o pterígio não dava nem para colocar a lente direito. A recuperação foi rápida e não tenho cicatrizes. Em quinze dias eu já estava muito bem", conta.

Prevenir é cuidar

Evitar o pterígio pode ser difícil no caso de uma predisposição genética, mas o crescimento da formação carnosa pode ser retardado com o uso de óculos escuros que tenham proteção extra contra raios ultravioleta.

"Além disso, as pessoas também devem evitar ambientes com muita poeira, fumaça e vento e é muito importante que haja o acompanhamento médico anual. Caso o paciente perceba que o pterígio está crescendo muito rápido, é fundamental que procure logo um oftalmologista", aconselha o médico.

Mesmo para quem já fez o tratamento, após a cirurgia o risco de uma recidiva do pterígio ainda existe, principalmente se o paciente não seguir as orientações médicas e não utilizar a medicação adequada.

Para a técnica de enfermagem Ana Freitas, a boa recuperação está no uso da medicação acompanhado por um médico e no repouso. "Hoje, eu só ando de óculos de sol e uso sempre o colírio lubrificante para o olho não ficar seco", complementa.

Protetor solar o ano inteiro

No Nordeste, o valor do Índice Ultravioleta (IUV) ultrapassa 11 em horários próximos ao meio dia solar, podendo chegar a 13 e 14 no verão. Mesmo em horários considerados seguros, são observados valores significativos. "Por exemplo, medidas realizadas em Natal (RN) mostraram valores de IUV de 10 às 9h30. O que confirma a necessidade obrigatória de proteção".

É o que justifica o meteorologista físico Marcelo de Paula Corrêa, professor do Grupo de Estudos sobre Meio Ambiente, Informação e Saúde do Instituto de Recursos Naturais da Universidade Federal de Itajubá (MG). Ele também é responsável pela pesquisa da Johnson& Johnson sobre a incidência de radiação solar nas regiões do Brasil.

O sol no Brasil

Os valores máximos de IUV observados no Brasil ocorrem no Sudeste (no verão). Isso se deve ao fato da posição geográfica (em torno de 23 º de latitude) coincidir com o ângulo de inclinação do planeta; portanto os fluxos de inclinação são mais intensos, chegando a 14.

Embora no Nordeste o índice seja de 11, o meteorologista informa que ele é considerado bastante alto e inspira cuidados redobrados quando a pessoa se expõe ao sol.

No Ceará, mesmo que sob a proteção de guarda-sol ou ´debaixo de uma barraca´ como se costuma dizer, a pessoa está exposta aos danos causados pelos raios UV. Isso ocorre porque os raios UV são, geralmente, muito altos na maior parte do dia. Mas o que pensam as brasileiras quanto o tema é proteção solar?

Protetor solar

Segundo pesquisa da J&J, as consumidoras falam que pegar sol traz um ganho em autoestima. Também se preocupam cada vez mais com a exposição: problemas imediatos (desconforto e queimaduras); e de médio e longo prazos (envelhecimento precoce, rugas e manchas de pele).

Hoje, conforme o estudo, 31% das brasileiras usam protetor solar diariamente. Porto Alegre e Recife se destacam pelo uso o ano todo (78% das mulheres de Porto Alegre e 77% de Recife); Rio de Janeiro é a cidade onde as mulheres mais carregam protetor solar que usam no rosto (53% vs. 42% do total).

Em algumas cidades, como Goiânia e Fortaleza, a proteção também acontece com luvas (no braço inteiro, item típico dos motoqueiros) de todos os tipos, cores, tecidos e estampas. A sombrinha também costuma ser muito utilizada pelos nordestinos.

Cuidados

Usar óculos escuros com proteção extra contra raios UV e evitar ambientes com muita poeira, fumaça e vento
Josué Araújo Feitosa
Oftalmologista

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