Aftas

Estresse pode estar na raiz das úlceras bucais

00:00 · 23.12.2013
As mulheres estão mais suscetíveis às aftas, enquanto em fumantes e idosos a predisposição à ulceração é reduzida

A palavra vem do grego e significa "eu queimo, incendeio, ardo". Elas são até pequenas, mas o tamanho reduzido não as faz menos dolorosas. O fundo, por sua vez, varia entre branco e o amarelo e é circunscrito por bordas avermelhadas.

A ardência é um dos principais sintomas da afta. Elas podem surgir na cavidade interna das bochechas, lábios, língua, assim como na base das gengivas ou no palato mole ("céu da boca"). Medicações alopáticas ou caseiras são paliativos. A prevenção ocorre por meio de uma dieta com menos condimentos e álcool foto: agência dn

As aftas são formas de úlceras bucais que constituem uma doença inflamatória autoimune bastante comum e costumam aparecer de repente, sem um motivo aparente. Entretanto, não demoram a causar incômodo no dia a dia. As mulheres são mais suscetíveis que os homens e a incidência ocorre desde a infância. É entre a quarta e quinta década da vida, contudo, que há uma progressão maior no número de casos de aftas.

Maior carga de estresse

"Isso ocorre provavelmente por ser um momento de maior carga de estresse emocional. Em idosos já não é tão comum, pois estes indivíduos apresentam a mucosa mais espessa. Os fumantes, por também apresentarem a mucosa nestas condições, possuem pouca predisposição para as aftas", diz Roberta Cavalcante, mestre e doutora em patologia oral e professora do curso de Odontologia da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Genética e imunidade

Apesar da possibilidade de serem hereditárias, em função de uma predisposição genética, em algumas situações as causas das aftas não podem ser determinadas. Há, entretanto, históricos de que ocorrem com infecções virais ou estão vinculadas a problemas no sistema imunológico.

"Além disso, existem fatores que desencadeiam o processo, como microtraumatismos durante a escovação dentária, reação a alguns alimentos específicos a até mesmo hábitos como o de roer unhas e o estresse emocional".

O principal fator que a difere de outras doenças, principalmente de outros tipos de úlceras que estão associadas a distúrbios gastrointestinais ou da úlcera de um carcinoma, por exemplo, é o tempo de evolução.

"A afta não deve ser confundida com outras doenças que também apresentam úlceras em sua sintomatologia, a exemplo da herpes ou da doença de Behçet. Esses outros tipos são persistentes, enquanto a afta cicatriza em um prazo de sete a dez dias", ressalta a professora da Unifor.

Sintomas frequentes

As aftas geralmente aparecem na superfície interna das bochechas, lábios, língua, palato mole (ou ´céu da boca´) e na base das gengivas. Mais que uma questão de estética, o que incomoda os pacientes é a sensação de ardência. Os sintomas podem aparecer um ou dois dias antes de a afta despontar e podem levar de uma a três semanas para que esteja totalmente curada.

Dependendo da localização, o indivíduo pode sentir dificuldade para engolir alimentos ou líquidos, principalmente os mais ácidos. "A dor, no entanto, costuma desaparecer num intervalo de tempo que varia de sete a dez dias", afirma Roberta Cavalcante. Normalmente, o diagnóstico é feito apenas por meio de exame clínico, não sendo necessária a realização de uma biópsia.

A especialista em patologia oral destaca, ainda, que não há tratamento efetivo ou específico para as aftas; todos são apenas paliativos. Na maioria dos casos, contudo, a ulceração na cavidade bucal desaparece sozinha.

Para pacientes com quadros leves, é indicada a aplicação tópica de pomadas para uso oral (orabase), na qual há associação de corticoides, antibióticos e anestésicos, protegendo a mucosa e prevenindo infecções secundárias. No caso das úlceras mais severas, Roberta Cavalcante indica o uso de medicamentos de uso sistêmico. "Mas os medicamentos comercialmente disponíveis são apenas paliativos", esclarece.

Prevenção e tratamento

Além dos medicamentos aplicados diretamente na área lesionada, é recomendado evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, alimentos muito condimentados ou muito apimentados. O uso de soluções enxaguantes bucais também pode ajudar a reduzir o incômodo causado pela lesão.

No caso de a afta não cicatrizar em um período de até 15 dias, é importante obter a avaliação de um dentista. "Se houver grande desconforto, dificuldade de engolir ou recorrências frequentes, este é o profissional habilitado a fazer o diagnóstico e, se for o caso, encaminhar o paciente a um médico", conclui.

FIQUE POR DENTRO

Soluções caseiras reduzem a dor e são paliativas

Quem possui um histórico de aftas sempre tem uma receita fácil, feita em casa mesmo, para tentar solucionar o problema. Mas é necessário cautela e bom senso.

Uma das receitas mais conhecidas é a mistura de uma solução de 50% de água oxigenada e 50% de água, que é aplicada sobre a lesão com um cotonete de três a quatro vezes ao dia, acompanhada de uma pequena quantidade de leite magnésia. O remédio caseiro minimiza a dor e pode ajudar a curar a afta.

Roberta Cavalcante destaca, entretanto, que, assim como os medicamentos comercialmente disponíveis, as receitas caseiras representam apenas cuidados paliativos.

"Deve-se ter cuidado com substâncias que podem causar uma injúria adicional à mucosa e retardam a cicatrização, como é o caso de medicamentos cáusticos que causam queimaduras superficiais", acrescenta a mestre e doutora em patologia oral. Assim, para evitar uma infecção bacteriana, contudo, a principal recomendação é escovar os dentes, passar fio dental e consultar um dentista regularmente.

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