CABELOS

Estresse emocional nas quedas capilares

02:09 · 27.03.2011
( )
Na atualidade, muitas tecnologias foram desenvolvidas no sentido de minimizar os efeitos negativos dos tratamentos estéticos e de saúde sobre os cabelos, sobretudo, quando a pessoa é acometida pelo estresse, o que provoca normalmente queda capilar.

Os tricologistas (especialistas no estudo dos cabelos) observaram ser o estresse um indutor da entrada dos fios capilares precocemente na fase de repouso.

A dermatologista Maria José Diógenes, confirma que o eflúvio telógeno (queda de cabelos exagerada e rápida que ocorre dois a quatro meses após o estímulo que provocou a passagem da fase anágena para a fase catágena (de crescimento e estabilização) encontra-se entre as mais comuns das alopecias localizadas ou circunscritas.

Costuma ocorrer no pós-parto, estados febris, sífilis, suspensão ou mudança de contraceptivos orais, dietas radicais, pós-cirurgias, pós hemorragias, excesso de vitamina A, uso de anticoagulantes, de lítio e outras drogas, bem como quimioterápicos, intoxicação por veneno e pelo estresse emocional.

"As causas do eflúvio telógeno podem ser as mesmas em ambos os sexos, exceto aquelas causas relacionadas com alterações metabólicas e/ou hormonais próprias do sexo feminino, como gravidez e pós-parto, ovários micropolicísticos, uso de anticoncepcionais, e doenças mais frequentes em mulheres", diz.

Tensão em excesso

Nas mulheres, o estresse e tensão em excesso eleva os níveis dos hormônios andrógenos e prolactina, os quais, por sua vez, influem sobre os ciclos capilares. Pode acarretar em determinadas pessoas psoríase do couro cabeludo, doença dermatológica sempre agravada pelo estresse, como a dermatite seborreica.

Muitos dos problemas capilares podem ser tratados com o uso de produtos tópicos e loções. Os dermatologistas costumam indicar produtos cicatrizantes, bactericidas, fungicidas, emolientes e estimulantes para cada caso.

Alguns especialistas hoje se profissionalizam em terapia capilar. Utilizam técnicas integradas, oferecendo um setor de equilíbrio energético com música, reflexologia, shiatsu e Reiki. A terapeuta capilar Sonia Mesquita é uma delas e tem observado em mais de duas décadas experiência com cabelos que o estresse provoca má irrigação e prejudica muito o couro cabeludo.

Outros fatores que, segundo ela, contribuem para a obstrução e enfraquecimento dos folículos pilosos são o excesso de cloro, flúor, ferro e resíduos na água (tornando-a muito pesada) e o próprio suor da pessoa.

Sempre recomenda aos que a procuram com problemas de queda e calvície total ou parcial que procedam a uma higienização regular (diária, se possível) com xampu que limpa bem e dissolve a gordura.

Ela desenvolveu um tratamento específico para tratar o couro cabeludo e devolver saúde a essa região. Mesmo pessoas com calvície de longa data e quedas capilares intensas (como a artista Márcia Vinchi) se surpreendem com o renascimento dos pelos e a suspensão das quedas.

Para se proteger os fios, permitindo que permaneçam em seu processo natural, diz ser importante que não se favoreça ao acúmulo de gordura no couro cabeludo. E nos períodos de estresse, equilibrar sono, relaxamento e a alimentação, com higienização apropriada."No estresse a respiração é ofegante. Com isso, se respira mal, comprometendo a irrigação sanguínea e, em consequência, dificultando a irrigação periférica do couro cabeludo. Deve-se procurar fazer algo para se tranquilizar e respirar melhor. Cabelos são como os vegetais, quando se dá boas condições de solo, ar e água, eles crescem de novo e rapidinho".

Entrevista
*Dra.Helena M.A.Ximenes

Adequação nutricional é essencial para a saúde e beleza dos cabelos

Quais são as principais deficiências nutricionais encontradas na raiz das quedas capilares?

Deficiências de zinco (Zn) e de ferro (Fe), sendo o zinco o mineral mais relacionado às perdas de cabelos. Além disso, temos a deficiência de proteínas, de ácidos graxos essenciais e vitamina D. Dietas com restrições calóricas severas por longos períodos de tempo, por provocarem deficiências nutricionais diversas, também são importantes motivos para as perdas excessivas dos cabelos.

Elas são parecidas em ambos os sexos ou há distinções?

Difere entre homens e mulheres. Dentre os tipos de perdas, há dois que representam bem esta diferença: padrão de perda feminino e padrão de perda masculino, ambos conhecidos como alopecia androgenética. No padrão feminino, a perda se dá predominantemente no alto da cabeça, ficando a parte frontal mais preservada.

No masculino, a perda se dá na parte frontal, inicialmente, de forma bitemporal, evoluindo para toda a região frontal, muitas vezes, restando somente pouco volume de cabelos laterais e na parte posterior da cabeça. Há estudos que indicam que cerca de 50% das mulheres podem ter experiência de perda capilar em algum momento de sua vida. Assim como 50% dos homens também apresentarão, especialmente, com o avançar da idade.

As mulheres, após o parto, costumam sofrer intensas quedas capilares. Por que isso ocorre?

A perda capilar após a gravidez ocorre mais intensamente entre o segundo e terceiro mês após o parto e é um processo normal. Durante a gravidez, há um aumento de alguns hormônios com menor perda capilar e com volume de cabelos, muitas vezes, maior.

Ao seu término, esses hormônios diminuem e o ciclo capilar da mulher volta ao normal, com mais perdas, um tipo e compensação pelo que não foi perdido durante a gravidez. Mas, essa perda maior é temporária. Se houver alguma deficiência nutricional, o processo poderá ser potencializado. Se após seis meses a um ano do parto, essas perdas não pararem, é preciso procurar um especialista para investigar o que pode estar provocando isso.

Mulheres que fazem dietas radicais são mais sujeitas às perdas?

Sim, as dietas radicais normalmente são caracterizadas por restrições calóricas severas e essa restrição é também acompanhada da restrição de diversos nutrientes, incluindo os que foram citados anteriormente, que quando deficientes podem levar às perdas capilares.

Quais as orientações nutricionais para os que atravessam período de convalescência de doenças?

Bom, isso depende da doença. E é importante o paciente ter um acompanhamento nutricional adequado para uma recuperação desejável. Muito do que vejo de comprometimento de saúde (muito, mas não tudo) está relacionado a uma alimentação inadequada. Os hábitos alimentares da maioria de nossa população são caracterizados por baixíssimo consumo de frutas e vegetais, pobre variedade de alimentos, prevalência de alimentos muito refinados e industrializados, o que os torna pobres em muitos nutrientes essenciais, além de inadequação de horários para alimentação.

Quais medicamentos contribuem para as quedas capilares?

Uso de contraceptivos orais, beta-bloqueadores, retinóides, anticonvulsivantes, antidepressivos, anticoagulantes, além dos usados em quimioterapia e, ainda, tratamento de radioterapia.

*Nutricionista, doutora em Nutrição e em Fisiologia Humana

Cortisol avaliado nos fios

Homens e mulheres enfrentam o estresse de maneira distinta? Com certeza. Hoje elas apresentam queixas antes mais comuns no sexo masculino, como fadiga, ansiedade, depressão, insônia, apatia e queda capilar.

Fatores estressantes como o trabalho, atritos no casamento e problemas financeiros afetam igualmente a ambos os sexos. A revista "Stress" publicou uma pesquisa de estudiosos canadenses da University of Western Ontario, os quais desenvolveram marcadores biológicos para o estresse crônico ligando-os aos ataques do coração.

Como ainda não existiam marcadores biológicos capazes de mensurar o nível de estresse considerado crônico (apenas mensuravam os níveis de cortisol - considerado o hormônio do estresse - momentâneo na corrente sanguínea), esta foi uma grande descoberta.

O novo método consistiu em avaliar os níveis de cortisol nos fios de cabelos (verificados antes pelo soro, urina e saliva). Os fios capilares fornecem informações precisas a respeito dos níveis de estresse nos meses que antecederam aos enfartes.

Na constatação dos estudiosos, a secreção de cortisol aumenta muito durante períodos de estresse. O hormônio pode ser capturado na extensão de um fio de cabelo e como estes crescem um centímetro/mês uma amostra capilar com seis centímetros de comprimento torna possível determinar os níveis de estresse dos últimos seis meses pela medição do cortisol presente nos fios.

No estudo, amostras de cabelo com três centímetros de comprimento foram colhidas de 56 adultos do sexo masculino, comparadas as de outro grupo controlado, também de 56 pacientes hospitalizados por razões diversas. Os maiores níveis de cortisol correspondentes aos três meses anteriores foram encontrados nos pacientes que tiveram ataques de coração. A prevalência de diabetes, hipertensão, tabagismo e histórico de doenças coronarianas na família não determinaram diferenças significantes entre os dois grupos, só o colesterol elevado.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.