VACINA

Esperança no combate a dengue

22:22 · 22.10.2011
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O controle da transmissão do vírus da dengue se dá essencialmente no âmbito coletivo e exige uma ação no âmbito das políticas públicas, assim como esforço de toda a sociedade
O controle da transmissão do vírus da dengue se dá essencialmente no âmbito coletivo e exige uma ação no âmbito das políticas públicas, assim como esforço de toda a sociedade ( Reprodução )
Jornada Nacional de Imunizações debate perspectivas no desenvolvimento da nova vacina

A pesar da redução no número de casos notificados, Ceará e Pernambuco seguem na liderança de ocorrência de dengue no Nordeste. Em 2009 o Ceará foi um dos estados mais atingidos por epidemias de dengue. Em 2010 e 2011 o número total de carros reduziu e com isso diminuiu também a entrada do vírus 1. Entretanto, a incidência da doença vem aumentando em Fortaleza - o número de casos em 2011 já é cinco vezes maior que o registrado em 2010, quando foram confirmados 27.618 casos.

Diante desse quadro, as atenções estão voltadas para o desenvolvimento da vacina contra a dengue. As novidades e desafios desse processo serão apresentados durante a 13ª Jornada Nacional e a 3ª Jornada Paulista de Imunizações, de 26 a 29, em São Paulo.

Perspectivas

Segundo o Dr. Luiz Carlos Rey, pesquisador associado do Instituto de Biomedicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), somente uma das vacinas que estavam sendo desenvolvidas passou para a fase 3, ou fase de testes clínicos. "Todas as pesquisas clínicas com outras vacinas atenuadas contra dengue foram descontinuadas nas fases 1 ou 2. Há outras vacinas em vias de serem produzidas, tanto vivas (manipuladas geneticamente) quanto inativadas, entretanto elas irão demorar um pouco mais para chegar à fase 3", adiantou o médico.

Com previsão de chegar ao mercado em 2015, a vacina apresenta um horizonte promissor em função dos resultados obtidos até agora. No entanto, o fato exige certo cuidado, principalmente no sentido de criar expectativas quanto aos resultados, indica Dra. Consuelo Oliveira, médica pesquisadora da Seção de Arbovírus e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas/Ministério da Saúde.

Saúde pública

A dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente em mais de 100 países de quase todos os continentes (exceto a Europa).

Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da doença. O relatório do Ministério da Saúde 2010-2011 aponta os estados com risco muito alto da doença: Rio de Janeiro, Amazonas, Amapá, Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Bahia. Onde há risco alto são os estados do Pará, Mato Grosso, Tocantins, Minas, Espírito Santo, São Paulo e Paraná.

No início de 2011, os casos graves da doença no Nordeste, segunda região mais populosa do país, foram 16% do total nacional. Em Pernambuco foram 116 casos, no Ceará 109 e no Rio Grande do Norte 74. De acordo com Luiz C. Rey, o estado ficou durante décadas com o sorotipo DEN-2 e depois com o DEN-3. "O sorotipo 4 ainda não tem importância epidemiológica por aqui, ele limita-se ao Norte", informa o médico cearense.

É importante lembrar que o objetivo da vacina é fazer a prevenção do adoecimento, uma vez que a redução da circulação do mosquito Aedes aegypti está a cargo da população por meio de medidas educativas incentivadas pelas políticas públicas em todos os estados brasileiros.

Para o médico Renato Kfouri, presidente da SBIm Nacional, "o controle da transmissão do vírus da dengue se dá essencialmente no âmbito coletivo e exige um esforço de toda a sociedade", afirma. Ele considera ainda prioridade prevenir sempre, uma vez que não existe nenhuma evidência técnica de que a erradicação do mosquito seja possível em curto prazo.

Fique por dentro

Tecnologia da vacina tetravalente contra a dengue

Há vários desafios para o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue, entre eles, o fato de a vacina precisar garantir a imunização contra 4 tipos de vírus diferentes. A vacina da Sanofi Pasteur contra a dengue é uma vacina viva atenuada, que pode induzir uma resposta imune, sem causar a doença, por meio de tecnologia avançada. O desafio em desenvolver uma vacina viva atenuada é encontrar o equilíbrio certo entre imunogenicidade (proteção) e segurança (não causar a doença).

A atenuação é obtida pelo uso da tecnologia do DNA recombinante. As propriedades imunogênicas de cada um dos quatro sorotipos da dengue são combinadas com o perfil atenuado bem caracterizado da cepa da vacina YF-17D (usada para a vacina contra a febre amarela). Existem vários exemplos muito bem-sucedidos de vacina viva atenuada usada para controlar doenças, como sarampo, caxumba, febre amarela e encefalite japonesa.

As vacinas de febre amarela e encefalite japonesa são vacinas vivas atenuadas empíricas e a vacina contra a dengue é uma vacina viva atenuada recombinante. Todos os três vírus são da família do flavivírus e são transmitidas por mosquitos. A vacina contra a dengue se beneficia da alta fidelidade do processo de replicação do 17D YF (polimerase), ao contrário de outros vírus de RNA. Experimentações in vitro e in vivo demonstraram que a vacina candidata é geneticamente estável.

"Estamos muito entusiasmados por estar na etapa final de desenvolvimento clínico. Estamos confiantes de que seremos os primeiros a obter nos próximos anos uma vacina contra a dengue, que atenderá as necessidades médicas e mudar a vida de milhões de pessoas", diz Olivier Charmeil, presidente da Sanofi Pasteur.

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