sup pilates

Equilíbrio e força em contato com a natureza

00:00 · 04.11.2013
A prática do sup pilates exige uma maior atenção quanto às posturas e às forma de execução dos movimentos, uma vez que diante da instabilidade da prancha podem ocorrer quedas com maior frequência. Apesar de estar sobre a água, a queda da prancha pode machucar muito.

As alunas se preparam para a postura Shirsasana, considerada simples pois é feita com três apoios. O grau de dificuldade é maior nas feitas de pé foto: Helosa Araujo

Parte daí a necessidade de o pilates, seja o tradicional ou na modalidade sup, ter que contar com a orientação de profissionais capacitados e regulamentados para tal.

Segundo Walter Cortez, professor do curso de Educação Física da Unifor, "o pilates é uma atividade regulamentada somente para profissionais de Educação Física e Fisioterapia. Já o stand up paddle é um esporte e, como tal, o único profissional regulamentado a ministrar qualquer uma das duas modalidades é o profissional de Educação Física. Por isso, o interessado no sup pilates deve saber que é uma modalidade do esporte sup e atentar para quem esta ministrando as aulas, para poder obter o melhor benefício com a atividade".

Com qual prancha eu vou...

A escolha do tipo ideal de prancha de stand up paddle leva em conta as especificidades de cada exercício. As mais indicadas são as do tipo infláveis, por serem mais largas, estáveis e confortáveis.

Outro item de segurança importante é o local onde o sup pilates é praticado: "A Lagoa do Colosso, por exemplo, tem delimitações hídricas bem definidas, o que torna a prática bem mais segura do que a realizada no mar", considera Elayne Vieira.

Assim como o educador físico, a fisioterapeuta ressalta que, como qualquer esporte, é essencial que haja o acompanhamento profissional. "Para garantir a segurança, a exatidão na execução dos exercícios e minimizar os riscos de lesões causadas pela prática mal feita ou não direcionada", esclarece.

Novo estilo de vida

A iniciativa de praticar o sup pilates surge, para muitas pessoas, acompanhada do desejo por mudanças no estilo de vida. Foi assim com a empresária Jamyle Carvalho, 22 anos, praticante há pouco mais de três meses.

"Passei por uma fase difícil. Minha mãe adoeceu, terminei o namoro e estava muito triste. Vi o Sup Pilates Brasil no Instagram e resolvi ir até a Lagoa do Colosso. Desde o primeiro dia gostei muito". Cuidar da saúde e da boa forma foi outro motivador: "Queria um corpo mais seco e definido", conta Jamyle.

Já para o fisioterapeuta Fábio Marangoni, 38 anos, a modalidade foi a forma que encontrou para associar duas paixões: a atual, já que é professor de pilates há sete anos, à outra antiga, a natação. "Eu era nadador e queria fazer algo que me desse mais prazer do que ficar só no studio". Uma aula foi suficiente para dá a ele a certeza de querer continuar no sup pilates. "Gostei muito e não tive muita dificuldade. Pela profissão, já tenho noções de biomecânica. E tendo a prática em solo, em cima da prancha há um equilíbrio maior", afirma.

Terapêutico e democrático

Para Marangoni, "conseguimos força, flexibilidade, e sem o desgaste físico da academia. Não substitui uma caminhada ou corrida, mas dá suporte para uma vida com mais resistência, menos desgaste e maior condicionamento físico".

A estes ganhos soma-se: melhora no equilíbrio, na coordenação motora e na circulação sanguínea; o relaxamento alivia as tensões e reduz o estresse; trabalha a respiração e a postura; e promove a interação social.

Elayne Martins destaca que o sup pilates é democrático. "Qualquer pessoa maior de 14 anos pode fazer, desde que não tenha medo de água. É terapêutico, podendo ser usado na reabilitação (mediante uma avaliação médica prévia e maior atenção do fisioterapeuta)", diz.

O sup yoga na calmaria do mar da Praia do Mucuripe

Outra atividade que ganhou uma nova interpretação com a prancha de stand up paddle é o yoga. Em Fortaleza, um grupo de mulheres encontrou na calmaria das ondas da praia do Mucuripe (Avenida Beira Mar) as condições ideais para experimentar o sup yoga.

Uma delas é a publicitária Mariana Marques, que teve o primeiro contato com o yoga em 2008, por meio do ashtanga e que, desde 2010, dedica-se à prática do hatha yoga, ambos em studio. "O sup yoga foi meio intuitivo. Um dia tentei fazer uma ponte na prancha e deu certo; até a queda foi divertida. Já tinha visto fotos em blogs da Austrália. De vez em quando ia praticar, mas não tinha companhia nem frequência certa", lembra. Hoje, o grupo tem 30 integrantes (elas combinam, cada uma a seu tempo, de praticar toda semana).

O sup yoga não é uma nova modalidade do yoga. "Nem de longe é, nem tem a pretensão de sê-lo. Quem pratica yoga sabe como o encontro do corpo com os asanas (posturas) proporciona um bem-estar muito real, quase tátil. O corpo acaba escolhendo as posturas que mais se adequa. Unimos as duas coisas que nos trazem contentamento e paz: o mar e a prática. Quando estamos juntas, não tem aula nem sequência fixa", ressalta.

A modalidade é acessível a qualquer pessoa. "O único compromisso é respeitar o mar, a natureza, o corpo e saber nossos limites. Contentar com o ponto em que estamos, se não conseguimos avançar nas posturas. E isso parece muito com a filosofia do yoga", descreve.

Mariana revela que o sup yoga a ajudou a superar a ansiedade, alguns vícios posturais e dificuldade de concentração. "Diria que é o benefício de uma prática recorrente do yoga traz isso. No mar, a gente se diverte muito juntas, conversa, troca de prancha, cai no mar, vê o nascer do sol e a cidade de outro ângulo. Acho que tudo isso tem um ganho de saúde mental, sim".

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