RECONSTITUIÇÃO

Engenharia genética revoluciona implantes

19:55 · 27.02.2011
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Nova técnica de reconstituição óssea com células tronco revoluciona tratamento bucal

A perda precoce dos dentes representa um trauma em qualquer idade, não somente no momento em que ocorre; pode durar tempos afetando a autoestima e convivência social das pessoas. Ao longo dos anos, a modificação da arcada dentária e da própria configuração da face é observada devido à redução gradativa dos ossos pela ausência dos dentes, sendo muitas vezes drástica e progressiva.

De acordo com o cirurgião dentista, especialista e mestre em implantodontia, Dr. Jório da Escóssia Júnior, diretor de um dos dois únicos hospitais odontológicos do País, após a extração ocorre uma reabsorção dos ossos da face, de início, leve mas se aproximando da totalidade ao longo do tempo, se não houver o estímulo funcional. O uso da dentadura, com o passar dos anos, resulta em uma perda óssea significativa, que reduz em muito a possibilidade de reabilitação com implantes, devido à falta de estrutura óssea.

Para estes casos, nestas duas décadas de realização de implantes dentários, foi desenvolvida a técnica cirúrgica de enxertos ósseos, retirados da crista ilíaca (osso da bacia), calota craniana (cabeça), ou ramo mandibular. Contudo, além de ser uma cirurgia de grande morbidade para o paciente, os riscos de infecção, o trauma cirúrgico, um tempo maior de cirurgia e o longo tempo de recuperação do enxerto sempre foram contabilizados.

Avanços

Professor responsável pela disciplina de implantodontia do Curso de Odontologia da Universidade Federal de Fortaleza (Unifor), Dr. Jório Júnior está sempre acompanhando os avanços tecnológicos na área de implantodontia, recebendo em seu hospital regularmente para ministrar aulas, Cirurgiões Dentistas de todo o mundo. "A Odontologia brasileira é uma das mais avançadas do mundo", destaca o especialista, que faz cirurgias regulares também em Curitiba, em parceria com o colega Mestre em Cirurgia da Cabeça e Pescoço no CHH/SP; Doutor em Implantodontia na UFSC, André Zétela, no momento em Fortaleza.

Na última terça-feira, a dupla de cirurgiões realizou uma série de cirurgias combinando duas técnicas ultramodernas: um equipamento sofisticado de ultrassom piezoelétrico, indicado em cirurgias onde é necessário a retirada de uma estrutura óssea, sem lesionar o tecido mole e um produto ósseo indutor já aprovado pelo FDA norte-americano desde 2002 e a Anvisa em 2009. Trata-se da proteína morfogenética recombinante humana (RhBMP-2), uma proteína que estimula as células tronco circulantes do paciente a migrarem ao defeito ósseo e iniciar a produção do osso que está faltando.

Os dois explicam que este dispositivo conta com dois componentes. Um deles é um recombinante humano (Proteína Morfogenética sintética RhBMP-2) e, o outro, um veículo carreador (esponja de colágeno ACS), onde a proteína óssea é aplicada, levada ao sítio receptor e, posteriormente, reabsorvida pelo próprio organismo até que haja a formação óssea desejada, esclarece Dr. Jório Jr.

Segundo o Dr. Zétola, como a proteína é encontrada no corpo humano em pequenas quantidades, foi recombinado o DNA responsável pela proteína em células de laboratório, podendo ser produzida na quantidade necessária através da engenharia genética.

O propósito da proteína é atrair as células tronco circulantes no local, sendo o único material de enxerto com capacidade osteoindutora que realiza formação óssea suficiente para a posterior colocação dos implantes (cerca de cinco a seis meses). E, após a maturação deste osso neoformado, nos estudos iniciais foram realizadas biópsias para verificar a qualidade deste material. Os especialistas observaram que tinha as mesmas características de um osso normal.

Rapidez e eficiência

A falta de estrutura para colocação de implantes, devido às diferentes formas de perda óssea e dentária, tem nesta técnica de regeneração, a Proteína Morfogenetica Sintética (RhBMP-2), uma opção com bastante eficácia e segurança, menor morbidade e desgaste ao paciente.

O grande avanço na área óssea trouxe para os tratamentos odontológicos, neurológicos (de coluna) e ortopédicos (nos desgastes de articulações, por exemplo) benefícios enormes, informa o professor da Unifor.

Dr. André Zétola também lembra do emprego dessa técnica para correção de fissura lábio palatal com êxito. Entre as vantagens na reabilitação oral, computa-se a rapidez e a eficiência nos resultados.

A perda de dentes compromete muito a estética e diminui a autoestima, avalia Dr. Jório da Escóssia Jr. Suas consequências vão desde a mastigação e distúrbios gastrointestinais, até o envelhecimento facial. Na reabilitação oral desta forma, os pacientes rejuvenescem sem plástica.

Dr. Jório Jr e Dr. André Zétola já fizeram juntos em dois anos mais de 60 cirurgias com a nova técnica. Destacam que o pós-operatório exige um acompanhamento mais direto e interdisciplinar, onde um fisioterapeuta realiza seções de drenagem linfática, diminuindo edemas e na aplicação de laserterapia a fim de acelerar a cicatrização da ferida cirúrgica e diminuindo a dor.

Devolver o sorriso de volta a pessoas de diversas idades sempre emociona Dr. Jório Jr, ao ver a alegria de seus pacientes com sua boca com dentes de novo. Não existe limite de idade, entretanto, pacientes diabéticos e cardíacos deverão regular sua saúde antes deste procedimento.

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

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