BIODança

Em busca de si e do outro

00:00 · 02.12.2013
Sentir a música e se entregar aos movimentos da dança ajuda a expandir a sensação de bem-estar e de saúde

Vamos caminhar sentindo a nossa presença, deixando tudo do lado de fora. Entrando nesse ambiente, sem nos preocupar ainda com as pessoas que estão aqui. Vamos sentir o nosso corpo, como está nesse momento. Ouça a música e caminhe no ritmo que ela te levar.

Nos braços da mãe Carolina Melo, Iandê, 11 meses, se conecta no embalo da dança FOTO: ALEX COSTA

Ditas no salão, as palavras (chamadas de consignas) da facilitadora Cleusa Denz descrevem os próximos movimentos que o grupo executará e são um convite à dança. A mudança na intensidade da iluminação ajuda a suscitar o clima do ambiente. Ora no máximo da claridade, ora próxima a uma penumbra um tanto intimista, a luz também dança conforme as emoções, sentimentos e instintos que transitam ali. Trata-se de uma sessão de biodança.

Abordagem terapêutica

Criada na década de 1960 pelo antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro, a biodança é um trabalho terapêutico de desenvolvimento humano - pessoal e interpessoal - e de reintegração afetiva que propõe o reaprendizado de funções originárias da vida.

Não se trata de uma terapia de grupo, já que não se propõe a curar nem a recuperar nenhuma deficiência, distúrbio ou doença, mas trabalha a expansão de potenciais vitais em busca de saúde e bem-estar.

"A nossa cultura, que às vezes dissocia mente e corpo, feminino e masculino, faz a gente se desconectar de funções biológicas. Não sabemos mais comer ou dormir direito; as pessoas têm dificuldade de manter o exercício físico. Quando nos conectamos de novo (olhar para si, se perceber, se reconhecer e melhorar), recuperamos a saúde", afirma a psicóloga e educadora biocêntrica Carla Weyne, que facilita sessões de biodança há dois anos.

O método chegou ao Ceará no fim da década de 1970, trazido pelo professor Cezar Wagner, do curso de psicologia da Universidade Federal do Ceará (UFC). Aqui, foi criada a primeira escola de biodança do mundo a sistematizar um currículo para a formação de novos facilitadores, a Escola Nordestina de Biodança. Tempo depois, foi desmembrada em outras três escolas: uma no Ceará, uma na Bahia e outra em Pernambuco. Em 1986, então, nasceu a Escola de Biodança do Ceará, que funciona até hoje.

Para mães e bebês

Carla Weyne estabeleceu os primeiros contatos com a biodança ainda na faculdade, mas a maternidade despertou nela um outro olhar sobre as possibilidades de aplicação do método. Há dois anos, após o nascimento do primeiro filho, decidiu enveredar pela prática com mães e bebês.

Por ser um trabalho não muito comum no Brasil, a psicóloga contou com a supervisão de Ruth Cavalcante, uma das precursoras da biodança no Ceará, para sistematizá-lo. "Juntas gestamos e adaptamos o método. Com bebês precisamos reduzir o tempo e aprender a lidar com a imprevisibilidade, pois no meio da sessão, por exemplo, o bebê chora, faz cocô, quer mamar", lembra.

Cada sessão dura entre uma hora a uma hora e meia e acolhe bebês de três a 18 meses. O principal objetivo é estreitar o vínculo mãe-bebê, fortalecendo conexões em atividades que, muitas vezes, são realizadas automaticamente no cotidiano. Foi o que fez a psicóloga Carolina Melo, 30, que iniciou a trajetória na biodança em 2003 e, por meio dela, reforça os laços com o filho Iandê Melo, de 11 meses.

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