MATERNIDADE

Doula na hora do parto

20:25 · 30.07.2011
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Anna Luíza e Emma: "Foi muito importante ter o controle do meu próprio parto. A doula estava ali para ajudar, mas era o meu corpo que estava fazendo tudo"
Anna Luíza e Emma: "Foi muito importante ter o controle do meu próprio parto. A doula estava ali para ajudar, mas era o meu corpo que estava fazendo tudo" ( FOTO: MARÍLIA CAMELO )
Suporte físico, emocional e afetivo são decisivos para que a gestante dê a luz com segurança

O período da gestação geralmente é acompanhado pelos medos e dúvidas das futuras mães. Por isso o apoio de alguém que possa orientá-las é fundamental. Nesse sentido, uma figura cada vez mais presente na ajuda às gestantes é a doula, acompanhante de parto que oferece suporte físico, emocional e afetivo, através de massagens, dicas de respiração, posições e recomendações sobre os cuidados que a mulher e a família precisam ter para garantir uma gravidez mais segura.

"Costumamos dizer que a doula é uma mão na travessia, ou seja, um apoio que vai ajudar a nova mãe no caminho para o nascimento do filho", afirma Ineida Sales, doula, enfermeira obstetra e facilitadora de cursos para casais grávidos. "A doula é uma pessoa que possui maior disponilbilidade e sensibilidade para captar as necessidades da gestante", descreve.

Amparo emocional

Ineida se formou em Enfermagem em 1993, especializando-se em obstetrícia, mas em 1998 decidiu tornar-se doula. "Resolvi fazer o curso de doula para complementar o que já fazia na minha profissão. Percebi que não bastava dar o apoio médico àquela mulher que estava tendo um bebê. O parto só será especial para a mãe se ela for tratada bem, se for chamada pelo nome. Sendo assim, ela só vai ter boas lembranças do parto", diz.

Para ser uma doula não é necessário ser profissional da área de saúde, mas é preciso fazer um curso para adquirir alguns conhecimentos sobre anatomia humana, questões psicológicas da mulher e remédios não farmacológicos que possam diminuir as dores. Mas acima de tudo é preciso que exista uma vocação para exercer a atividade. Neste sentido, o Ministério da Saúde realiza cursos periódicos para a qualificação de novas doulas. O serviço integra o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), instituído em 2000.

Recompensa

A Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), em Fortaleza, possui 17 doulas em seu quadro funcional, enquanto o Hospital Distrital Gonzaga Mota (Gonzaguinha de Messejana) também possuía um grupo de doulas, embora a maioria passe a fazer parte do grupo de técnicas de enfermagem do hospital.

Segundo Ineida Sales, isso acontece porque o trabalho desempenhado pela doula (na maioria das vezes) é voluntário e não oferece nenhuma perspectiva profissional. Os serviços podem custar entre R$200,00 e R$1.000,00, mas as que atuam na rede pública recebem apenas o auxílio alimentação.

A enfermeira obstetra garante que a maior recompensa pelo seu trabalho é o carinho que surge entre as doulas e as mães. "Não costumo divulgar meu trabalho. As relações de afeto que construimos já fazem isso por mim", informa Ineida.

Com apenas um mês de vida, Emma é o novo xodó de Anna Luiza Araújo. A mãe, que também já teve Maria Elena, de três anos, optou pelo parto normal e afirma que teve dificuldade em encontrar um acompanhamento mais humanizado na rede particular de saúde. "Eu precisei falar para o meu médico que não queria ficar sozinha na hora do parto. Foi quando ele me indicou a Ineida Sales como doula, que eu já conhecia de cursos de amamentação e de yoga."

No momento do último parto, além do marido e do pai, Anna Luiza foi assistida pela doula. Garante que isso foi fundamental para o nascimento de Emma. "Meu parto aconteceu de madrugada e o médico se encontrava em outro lugar. A doula fez praticamente tudo. Eu fiquei só esperando a chegada do médico para ter o bebê, mas a presença da doula foi essencial. Orientou até mesmo o meu marido, pois recebeu indicações de livros (antes do parto) que informavam como ele deveria se portar para me ajudar no parto", conta Anna Luiza.

Anna Luiza buscou a humanização da gestação desde a primeira gravidez. Por isso procurou a Maternidade Escola Assis Chateaubriand. Foi lá que Maria Elena nasceu, graças aos trabalhos de uma parteira e uma doula do próprio hospital. "Quem me deu assistência foi uma senhora de quase 70 anos, que realiza esse trabalho de forma voluntária", conclui.


ORIGEM

"São Paulo foi o primeiro estado a trabalhar com doulas. A partir de então o Ministério da Saúde expandiu as formações"

Ineida Sales
Doula, enfermeira obstetra e facilitadora de cursos para casais grávidos


Fique por dentro

Gestante faz suas próprias escolhas

A presença de um acompanhante no momento do parto é apenas uma das medidas adotadas pelo movimento de humanização. Segundo Luis Carlos Weyne, ginecologista e obstetra dos hospitais César Cals e Gonzaga Mota (Messejana), parto humanizado é aquele em que a mulher é tratada em condições humanas, ou seja, é esclarecida durante o pré-natal, recebe orientações e conhece técnicas simples que podem minimizar a dor. Dessa maneira, as gestantes são conscientizadas de que devem fazer as próprias escolhas em relação à gravidez, como o tipo de parto que desejam, quem gostariam que estivesse presente na hora do nascimento e até mesmo a melhor posição para ter o bebê.

Os defensores da humanização do parto colocam também a importância do procedimento por vias normais, que garantem ser mais seguro, já que a cesariana é indicada principalmente para gravidez de risco. "O parto natural é fortalecedor e engrandecedor para a mulher, pois ela é ativa durante o processo", afirma Dr. Luis Carlos.

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