NORDESTE

Dor incapacitante

20:44 · 24.09.2011
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Fatores como obesidade, má alimentação, consumo de álcool e o cigarro influenciam no aparecimento dos sintomas
Fatores como obesidade, má alimentação, consumo de álcool e o cigarro influenciam no aparecimento dos sintomas ( Arquivo )
Falta de assistência adequada justifica número crescente de portadores de cefaleia crônica

Nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a dor de cabeça sofre forte influência da precariedade do sistema de saúde, pois os indivíduos que têm cefaleias episódicas, se não diagnosticados e tratados adequadamente, evoluem para cefaleia crônica diária. A prevalência de enxaqueca na população brasileira pesquisada é de 9,5%, 8,5% e 13,6%, respectivamente, enquanto a de cefaleia crônica diária, 11,8%, 10,2% e 7,7%.

Os dados, resultado da pesquisa apresentada pelo pesquisador Luiz Paulo de Queiroz no Congresso Brasileiro de Cefaleia (realizado dia 17 último, em São Paulo), revelam a existência de múltiplas razões para o desenvolvimento de dores de cabeça em diferentes regiões no Brasil. Tal estudo demonstra como o sistema de saúde público deve agir em cada região ao entender os reais motivos que desencadeiam as dores. Foram entrevistados 3848 sujeitos das cinco regiões do País.

Na região Sul e Sudeste, o estilo de vida mais estressante e competitivo faz com que os indivíduos destas regiões desenvolvam dores de cabeça. Na primeira fase da pesquisa do Dr. Queiroz foi constatado prevalência de enxaqueca em 20,5% da população do Sudeste e 16,4% no Sul. Na cefaleia crônica diária, as duas regiões têm taxas de prevalência de 6,2%.

Fatores genéticos

Outro aspecto curioso é em relação aos fatores genéticos. Nos estudos epidemiológicos realizados em outras partes do mundo, a prevalência de enxaqueca é bem maior: na Europa, América do Norte, América do Sul, Ásia e África. Segundo o censo brasileiro, os habitantes do Sul e Sudeste têm uma maior proporção de pessoas com ascendência europeia, e os das outras regiões, maior proporção de descendência africana.

"Este estudo confirma a grande prevalência das dores de cabeça na população brasileira. As cefaleias são um verdadeiro problema de saúde pública, causando um grande sofrimento para a população e gerando gastos significativos, não apenas para a própria pessoa e sua família, mas para toda a sociedade, pois a perda de horasdias de trabalho é muito grande", explica o pesquisador Luiz Paulo de Queiroz. Todos os médicos, e não apenas os neurologistas, deveriam saber como diagnosticar e bem tratar estes pacientes, pois não há neurologistasespecialistas em cefaleia suficiente para atender todos os pacientes atingidos por este problema", destaca o médico.

Dor feminina

As alterações hormonais e o uso de contraceptivos explicam a alta incidência do sofrimento vivenciado pelas mulheres, segundo explica a neurologista Eliana Melhado, da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

Existem cerca de 200 tipos de cefaleia classificadas no mundo e dois tipos são exclusivas das mulheres: a cefaleia da pré-eclampsia e da eclampsia. "Grávidas que sofrem esse problema costumam ter dores de cabeças persistentes durante a gestação", diz Dra. Eliana. A maior representante do grupo das cefaleias primárias, a migrânea, acomete cerca de 20% das mulheres e 6% dos homens.

Outras dores predominantemente femininas é a dor de cabeça chamada Hemicrânia paroxística que afeta apenas um lado da cabeça, mais a região frontal e o olho (acompanhado de sintomas como lacrimejamento e vermelhidão nos olhos, queda da pálpebra, suor, coriza). Tem uma duração curta, e acontece com uma frequência maior. A versão desse tipo de dor que tem a duração maior - entre 15 minutos a três horas, em média - é a cefaleia em salvas e acomete mais o sexo masculino.

Fique pode dentro

Maior predisposição

A dor Cervicogênica, cefaleia que inicia com uma dor na coluna cervical (causada ou não por lesão) e que toma a cabeça toda, atinge quatro mulheres para um homem. Já em relação as jovens, estudo mostra que são elas mais predispostas à cefaleia causada pela anestesia peridural e a relacionada à hipertensão intracraniana idiopática, ou seja, a dor gerada por uma complicação da anestesia. Cefaleia pós traumática (atribuída ao transtorno da articulação temporomandibular e à nevralgia do trigêmeo) atingem mais o sexo feminino.

Incidência

81% das mulheres relatam algum tipo de dor de cabeça contra 59,7% dos homens. Dos 200 tipos de cefaleia, dois são exclusivos das mulheres: da pré-eclampsia e da eclampsia.

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