ONCOLOGIA

Dieta na medida certa

22:19 · 19.03.2011
Para "abrir" o apetite do paciente é essencial investir na apresentação dos pratos. Trata-se de um recurso psicológico, de fácil adaptação à questão nutricional
Para "abrir" o apetite do paciente é essencial investir na apresentação dos pratos. Trata-se de um recurso psicológico, de fácil adaptação à questão nutricional ( )
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Alexsandra Antero, nutricionista do Hospital do Câncer do Ceará, diz ser fundamental fazer com que o paciente oncológico sinta que é especial e merecedor de toda a atenção da equipe do Serviço de Nutri&ccedi
Alexsandra Antero, nutricionista do Hospital do Câncer do Ceará, diz ser fundamental fazer com que o paciente oncológico sinta que é especial e merecedor de toda a atenção da equipe do Serviço de Nutri&ccedi ( )
Alimentação colorida e variada para pacientes com necessidades específicas

Fazer pequenas refeições - várias vezes ao dia - em um ambiente tranquilo. Mastigar bem os alimentos e não ter medo de experimentar coisas novas. Para reduzir os efeitos colaterais, lançar mão de medidas simples e eficazes como optar por talheres de plástico quando existe gosto metálico na boca. No caso de xerostomia (boca seca), o incômodo pode ser atenuado ao degustar balas de limão e hortelã ou optar por goma de mascar sem açúcar.

Tais estratégias bem que podem ser aplicadas no tratamento de várias patologias, mas, neste caso específico, integram o arsenal de condutas indicadas para pacientes em tratamento oncológico (quimioterapia, radioterapia ou cirurgia). O paciente com câncer é diferenciado por apresentar necessidades específicas, a exemplo das de natureza nutricional como as restrições dietéticas, intolerância a determinados alimentos, estado clínico geral e efeitos colaterais.

"A presença do nutricionista oncológico deve ser considerada já a partir do diagnóstico, para prevenir a perda de peso e desnutrição protéico calórica", informa Alexsandra Antero, especialista em Nutrição Clínica e responsável pelo Serviço de Nutrição do Hospital do Câncer do Ceará (ICC).

Das três formas de tratamento, a quimioterapia é a que produz mais efeitos colaterais, sendo os mais frequentes a fadiga, mucosite, diarreia, vômitos, constipação, queda de cabelo e suscetibilidade a infecções (leucopenia). A perda de apetite costuma ser acentuada; se for continuada, pode gerar desnutrição, perda de peso, massa muscular e de força, dificultando a capacidade do organismo de se recuperar.

A micosite, explica Alexsandra Antero, compromete a capacidade de alimentação do paciente, uma vez que as células que revestem a cavidade bucal e a garganta podem ser danificadas pelo uso da droga antineoplásica. Mesmo assim, é importante saber que as feridas costumam sarar completamente ao final do tratamento. Mas antes que isso aconteça, o nutricionista orienta o paciente a experimentar caldos, sopas e vitaminas, alimentos de fácil deglutição (frutas cozidas, queijos cremosos, pudins); e evitar frutas cítricas, alimentos secos, crus e muito frios, e granola.

Para prevenir ou reverter o declínio do estado nutricional, os pacientes acometidos por vômitos e náuseas (provocados por odores de alimentos e pela presença de gases no estômago), são recomendadas pequenas quantidades de líquidos, e dieta fracionada (a cada 2 horas).

"Dicas como essas são indicadas nas diarreias concomitantes à quimioterapia, mas que também podem estar relacionadas à ansiedade e ao nervosismo, comuns em patologias como o câncer",explica a nutricionista. Todas as condutas são lastreadas em protocolos de cunho nutricional reunidos em um documento de consenso, aprovado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e por representações nacionais de instituições que promovem a assistência nutricional ao indivíduo com CA.

Inclua mais cor no prato e na vida

Diante de um diagnóstico de CA, duas perguntas costumam ser frequentes: "Doutor, o meu cabelo vai cair?"; "O que vou poder comer?" Dependendo do tratamento - quimioterapia, radioterapia e cirurgia -, provavelmente o paciente apresentará efeitos colaterais, mas que por mais incômodos que sejam, podem ser contornados de forma a não limitar e comprometer a dieta. "A alimentação é fundamental, pois a desnutrição acontece rápido dificultando o tratamento e a recuperação", alerta o presidente da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos, Ricardo Camponero.

E foi para ajudar nessas questões que a Sanofi-aventis lançou a nova edição do "Comida que cuida 1 - mais cor no prato e na vida durante o tratamento do câncer", escrito pela jornalista Cris Ramalho, com ilustrações de Wesley Martinez. Terceiro livro da Coleção Comida que Cuida, a nova versão traz - além de mais de 103 receitas - novidades que visam aproximar ainda mais o médico do paciente, além de abordar temas como a alimentação infantil, cuidados com a auto estima de mulheres com câncer de mama, a importância dos imunonutrientes (que estimulam a resposta imunológica) e dos cuidados com a saúde bucal. E o mais importante: as receitas foram sugeridas por médicos, nutricionistas, nutrólogos e pacientes com a doença.

Segundo o oncologista Ricardo Camponero, também consultor geral do livro, o objetivo foi promover um equilíbrio entre a especificidades próprias da doença e a abrangência do tema, trazendo dicas que ajudarão o paciente com CA em cada etapa do tratamento.

Distribuído gratuitamente em clínicas e hospitais (com versão on-line disponível no site www.sanofi-aventis.com.br), o livro apresenta receitas divididas em entradas, pratos principais, lanches e sobremesas, além serem devidamente classificadas - laxativas, sem lactose, pastosas, leves semilíquidas, sem fibras e vegetarianas - elaboradas para atender às necessidades específicas de cada paciente.

Unindo a família

Há alguns anos não havia tanta preocupação com a alimentação das crianças durante o tratamento do câncer. O importante era fazer com que comessem. Caso isso não ocorresse, o médico fazia uso da nutrição parental ou por sonda. Com a inclusão de nutricionistas e psicólogos na equipe multidisciplinar, ouve uma maior aproximação entre médicos, pacientes e familiares, garantindo um tratamento mais eficaz e duradouro.

A atenção especial dada às crianças deve ocorrer não só pela fragilidade decorrente do tratamento, mas justamente por estarem em fase de crescimento e desenvolvimento. "Os pais ficam preocupados quando o filho não come. É importante a atuação dos nutricionistas para orientá-los. O livro ajuda com receitas práticas que utilizam ingredientes acessíveis para que eles possam usar criatividade", explica a nutricionista e doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Ilana Elman.

"Diferente do adulto, a criança é bem flexível no quesito alimentação. Se ela diz que não gosta de brócolis, tentar formas alternativas de apresentação pode fazer com que mudem de ideia", aconselha o Dr. Roberto Camponero. Desenhos no prato usando a comida e a imaginação muitas vezes faz com que os pequenos aceitem legumes e verduras, geralmente rejeitados.

Não só no caso das crianças, mas para todos os pacientes oncológicos, não se deve, conforme cita a dra. Ilana, impor grandes restrições alimentares. Por isso, as receitas foram selecionadas de acordo com pesquisas de preferências alimentares, possibilitando que as crianças continuem a se deliciar com o macarrão instantâneo ou brigadeiro, por exemplo. "Claro que podemos incrementar, introduzindo legumes, verduras e carne", explica Ilana Elman.

Perder os cabelos ou ser submetida a uma mastectomia costuma afetar diretamente a auto estima das pacientes com CA. Falar um pouco sobre essas questões, dar dicas de como controlar o peso e superar pequenos efeitos colaterais são suportes essenciais que podem ser encontrados na versão revisada do Comida que Cuida 1. "Aceite todos os carinhos: o amor traduzido em pratos bonitos, gostosos, da comida boa que alegra, anima, aconchega. O amor de filhos, amigos, marido, namorado, esposa, de quem for, em pequenos gestos. Mimos, por favor, aceite todos. E peça mais, se der vontade". Este é um dos trechos do capítulo 6 ("Para você reflorir"), onde a autora trata especificamente da experiência do CA de mama.

Cuidados

Nutricionista do Centro de Combate ao Câncer e coordenadora do Portal Nutrionco, Tatiana de Oliveira, explica que "a alimentação do paciente com CA deve ser normal e só deve ser modificada com o surgimento dos efeitos colaterais. No caso dos que estão com a imunidade baixa, é importante evitar alimentos crus e, apesar de haver prioridade para os produtos in natura, os industrializados muitas vezes são considerados mais seguros pela questão da higiene", explica.

Pequenas dicas como chupar picolé quanto estiver com a boca seca, usar temperos para deixar a comida mais atrativa e evitar o abuso de sal que provoca retenção de líquidos e deixa o corpo "inchado", também estão recomendações que podem fazer a diferença.

A ideia é fazer com que o paciente oncológico tenha uma refeição saudável e saborosa e possa desfrutar dela ao lado da família. "Em muitos casos, a melhor alternativa é a que ele prefere. Optar pela sua qualidade de vida. Naquele momento de fragilidade, é importante que coma aquilo que lhe dê prazer", informa dr. Roberto Camponero.

Explica que a digestão começa muito antes de colocarmos o alimento na boca. "Ao olhar para um alimento apetitoso, a boca já se enche de saliva; ao mastigá-lo, o estômago começa a se retrair e a produzir suco digestivo....e assim vai. O paciente que não sente prazer em se alimentar já começa mal a digestão, engolindo os alimentos na marra", explica o médico. O Viva viajou a São Paulo convite da Sanofi-aventis

Receitas leves e laxativas

Berinjela em camadas

Beringela
2 unid Médias

Tomate
2 unid

Cebola
1/2 Unid

Alho
1/2 dente

Sal a gosto

Orégano
1 col sobremesa

Queijo parmesão ralado
1 col sopa

Molho de tomate
1 col sopa

Salsa
1 col sobremesa

Mozarela
50g

Azeite de oliva
1 col chá

Modo de fazer

1 Higienize as berinjelas, os tomates e a salsa. Fatie as berinjelas em fatias finas e reserve. Depois bata no liquidificador os tomates com o alho, o sal e o orégan o e+++ o molho de tomate, obtendo um molho;

2 Monte em uma forma refratária: uma camada de molho, duas camadas de berinjela, espalhe um pouco de molho, algumas fatias de cebola, salsa e salpique queijo ralado. Torne a colocar as fatias das berinjelas, repetindo todas as camadas;

3 Leve ao forno médio por cerca de 20 min. Cubra com uma camada de mozarela, espalhe o azeite de oliva e volte ao forno até que o queijo derreta.

Risoto de abóbora

Azeite
1 col sopa

Cebola picada
4 cols sopa

Abóbora em cubos
1 kg

Caldo de legumes
1,5 L

Sal a gosto

Arroz
2 xíc

Manteiga
4 col sopa

Queijo parmesão ralado
1/3 xíc chá

Salsinha a gosto

Modo de fazer

1 Em uma panela aqueça o azeite, doure a cebola e misture a abóbora. Cozinhe por 2 a 3 min, mexendo sempre. Adicione o caldo de legumes, o sal e deixe ferver. Diminua o fogo até que a abóbora fique ligeiramente macia;

2 Aumente o fogo e, quando levantar fervura, coloque o arroz. Mexa bem e cozinhe em fogo baixo até o arroz ficar com consistência firme. Desligue o fogo, misture a manteiga e o queijo. Polvilhe com salsinha.

Nutrição

"Quando o corpo está mal nutrido, algumas drogas não agem adequadamente"

Dr. Ricardo Caponemo
Médico oncologista presidente da ABCP

"Os pacientes não precisam sofrer grandes restrições alimentares"

Ilana Elman
Nutricionista, doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP

Indicação
Comida que Cuida 1

Sanofi-aventis
2010
117 páginas
Gratuito

MAIS INFORMAÇÕES

Comida que cuida 1
Pode ser encontrado gratuitamente em clínicas e hospitais ou no site
http://www.sanofi-aventis.com.br.

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