Nutrigenômica

Dieta baseada no estudo dos genes

00:23 · 16.04.2013
Grupo de pesquisa da Uece analisa o uso da Nutrigenômica como recurso para a prevenção de doenças

Já imaginou seguir uma dieta baseada em informações provenientes de sua carga genética? Isso será possível por meio da Nutrigenômica, método que promete melhores resultados nutricionais, além de prevenir doenças e potencializar a interação entre os genes humanos e os nutrientes pertencentes aos alimentos. Considerado o futuro da Nutrição, a Nutrigenômica vem para auxiliar na busca por uma alimentação saudável e personalizada.

A nutricionista Ana Paula Bezerra integra o Grupo de Genomática da Uece Foto: Lucas de Menezes


Os primeiros estudos surgiram após a conclusão do projeto Genoma Humano, em 2003. Considerado um marco para as ciências médicas, o projeto identificou cerca de 25 mil genes presentes no corpo humano. A partir daí, foi possível detectar que, aproximadamente, dois mil genes estão relacionados às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), a exemplo da obesidade, da hipertensão arterial e de diversos tipos de câncer. Neste caso, caberá à Nutrigenômica utilizar essas informações genéticas para definir e direcionar uma recomendação nutricional de acordo com as necessidades de cada indivíduo.

Evolução

A Nutrigenômica ainda é uma área de pesquisa recente e pouco divulgada que promete revolucionar a Nutrição e a Medicina como um todo. Os estudos estão direcionados para viabilizar a aplicação do método no âmbito de consultório, afirma Ana Paula Bezerra, pesquisadora do Curso de Mestrado Acadêmico de Nutrição e Saúde da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

"Hoje, as pessoas procuram o nutricionista para tratar e amenizar os sintomas de um determinado tipo de doença. Porém, a Nutrigenômica seria um recurso voltado para a prevenção. Ou seja, será possível oferecer longevidade, bem-estar e qualidade de vida por meio da alimentação", revela a nutricionista, membro do grupo de Genomática da Uece.

Entretanto, Ana Paula Bezerra esclarece que o novo método não é uma solução isolada, visto que as DCNTs, apesar da predisposição genética, podem ser desencadeadas por múltiplos fatores além da alimentação, como os ambientais, psicológicos e físicos.

Para a nutricionista, o novo método irá consolidar ainda mais a área da Nutrição no campo da Medicina, atuante sempre com outras vertentes da saúde. "Acho que tivemos um crescimento expressivo na última década e a tendência é ser ainda mais integrativa".

Apesar dos principais estudos relacionarem a incidência do câncer e a Nutrição, o foco principal da pesquisa de Ana Paula, que tem como orientadora a Profa. Dra. Diana Magalhães, são os genes que podem desencadear obesidade, inflamação e diabetes. "A obesidade é uma inflamação e está diretamente ligada a diabetes. Diante do panorama de epidemia mundial da obesidade, decidimos fazer essa relação na pesquisa", informa.

Futuro

Embora ainda não seja possível prever quando a Nutrigenômica estará disponível para a população, a pesquisadora reforça que os estudos estão em constante avanço e que, em pouco tempo, será possível identificar com exatidão todos os genes que acarretam as DCNTs e como os nutrientes presentes nos alimentos podem interagir com esses genes, podendo assim preveni-las. "Ainda são poucos os consultórios no Brasil que arriscam utilizar a Nutrigenômica como método, além de ser tudo muito caro. Esperamos que em alguns anos a população possa tratar a saúde de forma preventiva", conclui.

Mais Informações

Centro de Mestrado Acadêmico de Nutrição e Saúde (CMANS) Universidade Estadual do Ceará

www.uece.br/mestradonutricao

(85) 31019803

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