Conscientização

Diagnóstico tardio preocupa

00:56 · 21.05.2013
O câncer do colo do útero representa um desafio às autoridades públicas de todo o mundo em função da incidência cada vez mais elevada da doença. A fim de ampliar as formas de conhecimento sobre a prevenção e auxiliar na redução de ocorrências, a Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC), em parceria com a Preview Propaganda, lançou neste mês a campanha "Mulheres Semeiam Vida". Nesta fase, o foco da campanha será na difusão de dados por meio das redes sociais e sites femininos.

Com o slogan "Semear está na natureza da mulher", a mobilização pretente atingir o maior número de mulheres por meio da internet e das redes sociais. A campanha teve início no hotsite (www.mulheressemeiamvida.com.br) e no Facebook

Em 2012, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) registrou 17.540 casos a cada 100 mil mulheres e mais de 4.800 mortes em decorrência da doença, representando o segundo tipo de câncer mais comum e a quarta causa de morte na população feminina.

Segundo o professor José Focchi, do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), desde 1979, o índice de mortalidade por câncer do colo do útero continua elevado, com índices de um óbito a cada duas horas. Outra questão preocupante é o fato de o diagnóstico continuar a ser feito tardiamente, decorrente da falta de medidas de controle efetivas e conscientização da população.

Causa principal

Na maioria das vezes, as causas relacionadas ao câncer de colo do útero estão associadas à infecção pelo HPV (Papilomavírus humano), geralmente contraída pelo ato sexual. Segundo José Focchi, existem mais de 100 variações do vírus, enquanto cerca de 15 dessas variações são consideradas de alto risco. No entanto, os tipos mais graves (que podem acarretar em lesões malignas) são também os mais frequentes, aumentando de 50 a 100 vezes as chances de desenvolvimento desse tipo de câncer.

"Trata-se de uma complicação da própria infecção. A mulher que contraiu HPV genital não necessariamente tem câncer de colo do útero, mas possui grandes chances de desenvolvê-lo. Porém, sabendo que o vírus é o principal causador da doença, fica mais fácil combatê-la", comenta o professor José Focchi.

As causas que facilitam a infecção estão relacionadas ao uso prolongado de pílula anticoncepcional, tabagismo, dieta desequilibrada e infecções geradas por outras doenças sexualmente transmissíveis. O início precoce da atividade sexual e as más condições de higiene também são classificados como fatores de risco.

Ao entrar em contato, o vírus atua em todo o trato vaginal até alcançar a células epiteliais que revestem o útero, desordenando o processo de replicação celular dessa região. Desse modo, o tecido conjuntivo, responsável por sustentar as células funcionais do órgão, é comprometido, possibilitando a infecção de outros partes do corpo.

Uma vez que se trata de uma patologia de progressão lenta, o câncer pode levar anos para se desenvolver e, a princípio, não apresenta sintomas. Entretanto, já em um nível avançado, os primeiros indícios estão relacionados a sangramento, queixas urinárias ou intestinais, corrimento vaginal, além de dores e desconforto na região abdominal.

A relação entre o HPV e o aumento do risco de câncer do colo do útero é desconhecida pela maioria das mulheres, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Das 700 mulheres (de 16 a 55 anos), 66% das entrevistadas mostraram não sabem dessa relação, enquanto 17% nunca ouviram falar em HPV e metade das mulheres desconhecem a existência de uma vacina como forma de prevenir a patologia.

A pesquisa revelou o elevado número de brasileiras que não realiza o exame Papanicolaou, que detecta as lesões na fase inicial. Trinta e um por cento nunca fizeram o exame ou o realizaram apenas uma única vez.

Diante deste quadro, a campanha "Mulheres Semeiam Vida", representada pela atriz Mariana Rios, objetiva informar sobre as formas de prevenção da doença, além de conscientizar as mulheres sobre a necessidade manter atenção redobrada neste sentido.

Em parceira com o Instituto Brasileiro de Florestas (IBF), a iniciativa também contará com a participação do público: a cada 25 curtidas na página no Facebook, uma árvore será plantada. O intuito é chegar a 5 mil mudas plantadas, cifra que corresponde ao número de vítimas do câncer do colo do útero no Brasil (ano-base 2012).

FIQUE POR DENTRO

Vacina contra o HPV

O câncer do colo do útero pode ser detectado e prevenido de maneira eficaz. O principal modo de evitá-lo é por meio da vacinação contra o HPV, recomendada ainda na infância, a partir dos 10 anos de idade, e indicada às mulheres com até 25 anos. A vacina é aplicada em três doses e estimula o sistema imunológico, evitando os subtipos mais agressivos do vírus.

Outro modo de prevenção é o exame Papanicolaou, feito por meio de coleta de células do colo do útero. No Brasil, a recomendação é que o exame seja anual (em mulheres entre 25 e 64 anos). Caso o resultado seja negativo, é indicada a realização de uma Colposcopia, exame que detecta com maior precisão as lesões existentes no colo do útero.

"Ainda paira sobre essa questão o desconhecimento da população de que se trata de um câncer possível de prevenção e da existência de formas preventivas ", comenta Garibalde Mortoza Júnior, presidente da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia.

Estatísticas

80%
da população mundial, em determinado momento, entra em contato com algum tipo do vírus HPV. Porém, apenas em 10% dos casos, principalmente em mulheres, a contaminação apresenta disfunções graves

8 anos é o tempo médio para que surjam os primeiros sintomas decorrentes do câncer do colo do útero. Isso ocorre quando a doença se encontra em estágio moderadamente avançado

*O caderno Vida viajou a convite da ABPTGIC

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