TRANSFORMAÇÃO

Despertar floresce nova consciência

22:20 · 28.05.2011
( )
A atividade junto à natureza sempre foi fonte de inspiração para
A atividade junto à natureza sempre foi fonte de inspiração para ( )
A natureza se expressa no amor, unidade e na beleza. É ela que inspira os humanos ao salto de consciência
A natureza se expressa no amor, unidade e na beleza. É ela que inspira os humanos ao salto de consciência ( FOTO: ARQUIVO )
Contemplar uma flor tem um poder intenso de despertar. A beleza atemporal, inerente à natureza, nos conduz a uma rápida reintegração com a totalidade.

No início, o reconhecimento da beleza foi um dos acontecimentos mais significativos na evolução da consciência de nossa espécie, pois os sentimentos de amor e alegria encontram-se em intrínseca ligação a isso, indica o estudioso Eckhart Toole.

Em "Um Novo Mundo - O Despertar de uma Nova Consciência" (Sextante), Toole, sinaliza que as flores, as aves e as pedras (cristais), ao longo da evolução, sempre exerceram grande fascínio e atração sobre os entes humanos. Encantam-se, ainda, com formas de vida recém chegadas ao mundo (como os filhotes de animais e bebês humanos), por meio das quais o sutil faz brilhar beleza, doçura e inocência.

Transformação e cura

Todos esses elementos naturais tanto estiveram disponíveis como continuam sendo utilizados pelo homem - desde tempos imemoriais - para promover curas, alcançadas após a transformação da consciência.

A psicóloga clínica, professora e pesquisadora da Universidade de Fortaleza (Unifor), Gisneide Ervedosa, observa haver algumas partes do ser que quando se fragmentam, não são tão simples de serem acessadas para promover o equilíbrio e a cura.

Coordenadora do Laboratório de Religião, Espiritualidade e Outros Saberes (Larosae), ela há 15 anos integrou à sua própria jornada de autoconhecimento, cura e seu trabalho terapêutico os saberes ancestrais dos índios e também do budismo tibetano.

Uma de suas clientes, na época, uma executiva com dificuldades emocionais com a filha pequena, em certa ocasião adormeceu na sessão. Seu impulso inicial foi despertá-la para que, com a frustração, se movesse do alheamento. Sua intuição, no entanto, sinalizou-lhe que poderia aplicar uma técnica xamânica, a qual havia entrado em contato recentemente. Então, em estado meditativo, acessou a criança interior de sua paciente, inquirindo sobre seus sonhos e desejos.

O movimento alegre do brincar, normalmente, é um dos desejos legítimos da criança, tolhida pelas normas rígidas do ser adulto. Sem prazer, o brilho e vitalidade se esvai e se apaga, restringindo a própria vida.

É com bastante frequência, comenta Gisneide, que esta dimensão ferida e esquecida, ou seja, a criança interior, chegue a se interpor ao pleno desenvolvimento do ser. E, como uma sabotadora, cria grande confusão à vida adulta. Quando há uma negação da vida, no presente, facilmente vícios e impulsos destrutivos são incorporados, como defesas.

A recusa em seguir adiante, ao se negar a vida, equivale, conforme a psicóloga, à recusa em viver tudo o que a vida oferece (em termos de prazeres e dores), ou seja, até o bom e o deslumbrante ficam de fora, junto com os sofrimentos e dores negadas. Os medos, então, tendem a se instalar, inclusive com dores ainda maiores. E, como explica a psicóloga transpessoal, estar vivo e não viver gera um sofrimento interior maior do que se imagina.

Na prática de cura, o aprendizado e o emprego dos recursos do xamanismo, conforme a terapeuta corporal, Fátima Sales, é uma tentativa de transpor linhas divisórias criadas pela consciência restrita (e inconsciência). As dualidades a que estamos sujeitos, antes de chegarmos a despertar - como nascimento e morte, saúde e doença, prazer e dor, paz e conflito - começam a ser sanadas com um aporte maior de energia em nosso sistema psicofísico e sua sustentação, que auxiliam na cura.

Fátima entende que o momento atual é de muita aflição para os seres humanos, justamente porque se confrontam com tudo o que foi criado, em um movimento intenso de destruição, usdo de drogas (que reforçam a dependência e a fixação na inconsciência) e violência extrema.

O clima que permeia os lares é de intenso medo (haja visto uma das últimas notícias veiculadas de que o mundo iria acabar no último sábado, 21). O alarmismo falsificado revela a dificuldade de elevação da percepção coletiva para os processos naturais, os quais desmancham no ar tudo o que aparenta solidez. Fátima Sales pontua que nossos alicerces há tempos já indicam estarem assentados a uma falsa base.

O lado positivo de tudo isso, conforme a terapeuta corporal, está no salto que estamos sendo preparados a dar por nunca havermos antes nos permitido, como agora, enxergar de perto nossas concepções da realidade e quão falhas elas são. "Tudo o que estamos presenciando muito de perto hoje (com o bombardeiro da mídia e internet) continua reforçando aflições ao coletivo, sedento por saídas". Ser responsável com o uso da palavra e das imagens, destaca Fátima, é essencial para a superação coletiva dos bloqueios, a fim de que o bem passe a fluir por meio do servir.

Para ela é visível haver algo secular sendo movido no coletivo, constituído a partir de uma mente velha, repleta de conceitos equivocados, medos e manipulações. A mente velha, no seu entender, é barulhenta. E, todo esse barulho promovido em nosso mundo exterior tem o objetivo de um chacoalhão geral para uma efetiva mudança. A fim de que a transformação ocorra, corpo e mente precisam aprender urgentemente a se manterem serenos, por meio de atitude proativas e meditativa, no sentido da unidade. O amor e a natureza são fortes aliados neste momento de fechamento de ciclo.


ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.