Comportamento

Dar e receber é um exercício necessário nas relações

00:56 · 21.05.2013
Em "Carícia essencial", Roberto Shinyashiki mostra a importância do afeto, do cuidado com o outro no convívio social

"A carícia é uma unidade do reconhecimento humano. As pessoas demonstram que se reconhecem e que se importam umas com as outras por intermédio da troca de gestos carinhosos. A carícia essencial é aquela sem a qual o ser humano não sobrevive, pois são vitais e livra a pessoa da indiferença (algo mortal). Precisamos nos sentir reconhecidos. Por isso, dizemos que um beijo é melhor que um tapa (embora um tapa seja melhor do que a indiferença)".

A busca de equilíbrio deve nortear todas as trocas, seja no ambiente familiar como no trabalho

É o que afirma o médico psiquiatra Roberto Shinyashiki, autor do livro Carícia Essencial. Ele antecipa para o Vida alguns aspectos sobre a temática da palestra que ministrará, dia 23, na abertura do 10º Encontro de Mulheres Pague Menos. O evento prossegue até domingo, dia 26, no Centro de Eventos do Ceará.

Além de oficinas, palestras motivacionais, espetáculos e shows, o evento reunirá mais de 150 estandes que apresentarão as novidades em produtos de saúde e beleza, tendo como foco principal o bem-estar da mulher. Assunto que também será tratado nas palestras do médico Augusto Cury ("Mulheres inteligentes, relações saudáveis"´) e do cardiologista e nutrólogo Lair Ribeiro ("Mude sua alimentação, mude sua vida").

Sentimento positivo

Neste livro mais recente, o psiquiatra Roberto Shinyashiki fala da importância em oferecermos afeto e demonstrarmos sentimentos ao outro, independente do meio em que isso ocorra.

Revela que tanto a amabilidade como uma atitude afetuosa cabem em qualquer ambiente, principalmente no trabalho. "Isso deve acontecer em especial quando o trabalho é muito competitivo. É fundamental se ter a consciência e a prática da troca de carícias positivas para que o lugar não se torne insuportável. Criar essa realidade depende da tomada de consciência dessa necessidade, da troca de carícias positivas e do hábito de praticar essas trocas", pontua.

Para Skinyashiki, tais trocas representam sentimentos positivos como estímulos, atenção, reconhecimento, gentileza, entre outros. "Nós precisamos disso para nos sentirmos importantes no nosso cotidiano. Quando não recebemos as carícias necessárias em quantidade ou qualidade, nos sentimos carentes", explica o psiquiatra.

Atitudes que podem parecer sem tanta importância são, de fato, determinantes na vida das pessoas. "Dar atenção devida, passar a sensação de que o outro é importante para os outros nos tornam mais completos, mais felizes e mais saciados emocionalmente. Esse tipo de comportamento geram relacionamentos mais saudáveis e construtivos", complementa. Na área educacional, Shinyashiki desenvolve há mais de 20 anos programas que visam a melhora dos relacionamentos entre professores, alunos e pais.

Alerta para a tendência das pessoas não terem intimidade em seus relacionamentos. "Trata-se de um processo lento, porém o primeiro passo é a conscientização sobre a relevância do ato de aproximar-se de outras pessoas e redescobrir o prazer do calor humano", afirma Shinyashiki.

Equilíbrio

A máxima vale para todas as áreas da vida. "Não existe sucesso verdadeiro se ele não for equilibrado. Sem felicidade, o sucesso pode ser o maior dos fracassos", enfatiza o psiquiatra. "Para conseguir o sucesso pleno é preciso aprender a gostar do fazer profissionalmente, e dedicar tempo de qualidade para as outras atividades", destaca.

Também chama atenção para o equilíbrio indispensável nos momentos que dedicamos a nós mesmos, para estar com a família, com os amigos, com o que importa na vida. "Não é possível separar as coisas e achar que se pode ter sucesso em uma, em detrimento de outras", analisa.

Além do equilíbrio, Shinyashiki reforça como o indivíduo se coloca como refém do medo e da raiva. "Não podemos ter medo da solidão, nem dos sentimentos de abandono que trazemos da infância". Sobre tais sentimentos aconselha: "Não convém alimentar a raiva de pessoas que nos fizeram sentir solidão no passado. Ficar sozinho é uma das coisas mais complicadas para o ser humano. O medo da solidão faz com que aceitemos qualquer tipo de atenção e ficamos à mercê de pessoas manipuladoras".

Para se libertar do medo, da raiva e da solidão, é preciso começar a pensar diferente. Ele indica a companhia de pessoas que elevem sua autoestima. "Muitas vezes é preciso a ajuda de um psicólogo, um psicoterapeuta, um padre, um conselheiro ou um pastor", conclui.

Palestrantes

Augusto Cury

Médico, pesquisador e escritor. Em suas 28 obras, aborda a capacidade do ser humano em treinar seu modo de pensar. Na palestra "Mulheres inteligentes, relações saudáveis", dia 24, às 9h50, fala sobre a mulher, suas emoções, medos, anseios e reações.

Roberto Shinyashiki

Médico psiquiatra, com doutorado em Administração e Economia. É autor de vários livros, entre eles "A carícia essencial", tema de sua palestra, dia 23, às 10 horas. Nela, irá mostrar como a mulher pode lidar melhor com seus relacionamentos.

Lair Ribeiro

Cardiologista e nutrólogo, autor de 149 trabalhos científicos e 36 livros. Especialista em hábitos alimentares, na palestra "Mude sua alimentação, mude sua vida", dia 24, às 15h40, dirá como é possível modificar padrões a partir de uma dieta saudável.

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