Horta em apartamento

Cultivar plantas em casa, mais que espaço, exige dedicação

00:00 · 06.01.2014
O modo como o sujeito interpreta e constrói os conceitos do seu entorno (o ambiente) define o conjunto de comportamentos que adota. "Pessoas que cultivam plantas em casa favorecem a construção de ideias e significados que valorizam a preservação da vida, a promoção do bem-estar (físico, social, cultural, humano)", afirma a psicóloga Márcia Frezza, do Laboratório de Estudo das Relações Humano-Ambientais (Lerha) do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor).

A família que cultiva plantas para decorar e para se alimentar integra um ciclo de cuidados, equilíbrio e vida. O ato em si proporciona a formação de uma rede social que renderá bons frutos para todos os envolvidos Foto: Divulgação

Para decorar ou mesmo incluir na dieta, as plantas agregam valores e vantagens a quem as cultiva. O hábito envolve pessoas de todas as faixas etárias que acabam se inserindo nesse contexto. "Proporciona a criação de uma rede social que pode assumir atitudes comprometidas com o seu entorno em construir ambientes promotores de saúde e bem-estar. Aqueles que cultivam plantas se beneficiam de imediato, pois pode ser um grande prazer e uma forma de reduzir sofrimentos e angústias gerados pela rotina".

Parte do todo

A família que cultiva plantas para se alimentar é parte integrante de um ciclo. A pessoa planta, cuida, promove o desenvolvimento e crescimento da planta e, depois, alimenta-se com seus nutrientes. "Com isso, ela se insere em um ciclo de cuidados, de equilíbrio, de saúde, de vida e passa a se sentir parte do ambiente".

Na criança, esses efeitos são importantes, pois ela irá desde cedo desenvolver habilidades de cuidar, de se responsabilizar, de se sensibilizar, de se sentir parte do entorno e de respeitar o outro. "Favorecer o desenvolvimento de crianças mais sensíveis e comprometidas as torna mais suscetíveis a terem comportamentos que resultem na promoção de relações mais saudáveis e equilibradas entre diferentes sujeitos e grupos sociais, e entre o homem e o ambiente. Resultado: sociedades e culturas também mais sensíveis e responsáveis", diz a psicóloga.

Como plantar

Em meio aos novos hábitos, os graduandos em Agronomia Danísio Vieira e Adelino Lucena ministram oficinas sobre plantio. Ambos ressaltam que ter uma horta doméstica garante legumes e verduras sempre frescos, sem risco de contaminação por agrotóxicos ou por águas inadequadas ao consumo humano, o que proporciona a ingestão de alimentos seguros e de qualidade.

Diana Cavalcante, seu marido e os dois filhos cultivam plantas ornamentais e comestíveis em casa. Mesmo morando em apartamento, o hábito permite o contato com a natureza e traz bem-estar aos envolvidos Foto: Alex Costa

Na maioria dos apartamentos, as áreas de cultivo são limitadas, daí as hortaliças, as ervas e as plantas medicinais serem as mais utilizadas. Danísio Vieira orienta que é preciso dar preferência a plantas com raízes e ciclos curtos, como o coentro, a cebolinha, a alface, o manjericão, a salsa, a pimenta e a couve-flor.

Ainda é possível o cultivo de frutas de pequeno porte como o tomate-cereja. Deve-se separá-lo em um vaso grande com profundidade de no mínimo 25 centímetros, pois requer adubação e luz solar abundantes. Cultivar hortaliças com raízes profundas como rabanete, cenoura e beterraba não é uma boa ideia, já que não se adaptam a solos poucos profundos.

Escolha um local arejado com luz natural por, no mínimo, quatro ou cinco horas por dia. As hortaliças, em especial, precisam receber insolação diária. Janelas ou varandas são ideais. Prefira os locais com mais sol da manhã. O da tarde pode ser prejudicial.

Para iniciar o plantio da muda, a boa escolha do solo e do vaso é essencial. O mais indicado é o solo natural junto ao composto orgânico e húmus, pois a terra deve ser orgânica, solta e fácil de manusear.

Já o vaso ou a jardineira são escolhidos conforme as características da planta. Danísio Vieira explica que, em geral, utiliza-se vasos com 18 a 25 centímetros de profundidade, ideais ao bom desenvolvimento do sistema radicular das hortaliças e plantas medicinais. Verifique a presença de furos embaixo do vaso, necessários para escoar a água. O recipiente não deve ser preto, pois a cor tende a reter muito calor acarretando o aumento de temperatura e causando danos às hortaliças. Cores claras ou terrosas são as indicadas.

Há mais materiais úteis, a exemplo de borrifador, regador (de preferência com furos bem pequenos), escarificador (ancinho), pá de jardinagem, tesoura de poda, pedriscos de argila ou argila para drenagem, manta de drenagem e plaquinhas de identificação.

Sementes ou mudas podem ser cultivadas. Mas a escolha depende do tipo de propagação e da planta, a qual também irá determinar o espaçamento entre si. "Algumas como a alface, recomenda-se o uso de mudas, enquanto, o coentro é plantado com sementes, sendo o seu ciclo de plantio entre 30 e 35 dias. O espaçamento entre plantas como a alface é de 25 a 30 centímetros, já para o coentro, deve-se fazer linhas contínuas de um centímetro de profundidade cada", esclarece Adelino.

No cultivo, a irrigação demanda paciência e observação. Os cuidados com a planta estão relacionados com fatores como a umidade do substrato, que estando muito úmido ou muito seco, pode prejudicar o plantio; a irrigação, que deve ser moderada e feita com equipamento apropriado.

Aguar as plantas

No início do cultivo, deve regar a planta por três vezes ao dia nas primeiras horas da manhã e no final da tarde até que germine, no caso de sementes, ou que se estabilizem, se forem mudas. "A planta necessita de tempo para absorver a água e radiação solar se encontra baixa, o que reduz a evaporação da água e aumenta a absorção. Plantas de ciclos curtos com sistema radicular superficial apresentam maior sensibilidade que as demais e merecem atenção, já que, em sua maioria, possuem mais de 90% de água na constituição das partes que são comestíveis", afirma.

Depois do período de cerca de oito dias para as sementes e de 18 a 22 dias às mudas, a irrigação pode ser feita apenas duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde. É preciso estar atento ao excesso de água no solo, porque prejudica a produtividade e qualidade das plantas, o que favorece o surgimento de doenças, danos à aeração do solo (renovação do ar) e a respiração das raízes.

Segundo a nutricionista funcional Mirella Freire, uma das maiores vantagens de cultivar os próprios alimentos é o fato de serem orgânicos, livres de qualquer substância nociva ao organismo. E, por essa característica, até sua lavagem muda antes do consumo. "Basta lavá-lo em água corrente. Às folhas maiores e com nervuras, utilize uma escovinha delicadamente", orienta.

receita

Mini bruschetta

ingredientes

15 fatias de pão italiano tipo bengala (cada fatia com um dedo de largura)

2 colheres (sopa) de azeite

2 dentes de alho amassado

2 tomates picados

1/2 xícara (chá) de folhas de manjericão

1/2 xícara (chá) de azeitonas pretas picadas

1 pitada de sal e pimenta-do-reino a gosto

Modo de preparo

Coloque o pão em uma assadeira e pincele com o azeite. Adicione o alho sobre as fatias. Leve o pão ao forno por cerca de 15 minutos. Misture o tomate com o manjericão, as azeitonas, sal e pimenta. Cubra as torradas com o tomate temperado. Sirva em seguida.

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