Equilíbrio

Cuidado que vai além do outro

21:54 · 29.10.2011
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O Biospa oferece também massagens que cuidam do corpo e promovem relaxamento e uma intensa sensação de bem-estar
O Biospa oferece também massagens que cuidam do corpo e promovem relaxamento e uma intensa sensação de bem-estar ( Viviane Pinheiro )
Barreto: cuidado para as formas de preencher os vazios
Barreto: cuidado para as formas de preencher os vazios ( )
O barulho do vento soprando nas conchas, o cheiro de maresia, pés descalços na areia ou o simples fato de relaxar em uma rede são pequenos elementos que, muitas vezes, em nosso dia a dia corrido, não conseguimos desfrutar ou dar o devido valor. Atribulados, esquecemos de perceber nosso próprio corpo e o contato dele com o mundo ao redor.

"Temos muito a cultura do visual. As pessoas não estão mais no corpo. Deixam de apenas ser, para se preocupar em fazer para ter e só aí, conseguir ser. Estão, na realidade, andando na contramão, pois o primordial é ter a consciência de quem são", afirma a sofróloga Tereza de Farias.

Esse contato consigo, ao ser mediado dentro da proposta do BioSpa, torna-se uma forma de percepção e de conscientização sobre o próprio processo de adoecimento e, no caso de médicos, um modo também de lidar com os pacientes.

Tereza de Farias explica que, além do entendimento por meio de teorias e dinâmicas em grupo, há ainda a vivência de momentos simples como caminhar na praia e enterrar um ao outro na areia, que muito ensinam, sem, até mesmo, nos darmos conta.

O dia, na Ocas do Índico, começa sempre com uma alimentação natural, afinal, a alimentação faz parte essencial do cuidado com o corpo. Inicia-se um processo de reorganização alimentar, uma vez que o indivíduo passa também a perceber melhor aquilo que vai lhe servir de alimento.

Conexão com o corpo

Conforme a massoterapeuta Aldeíde Barreto, que também participa do workshop, o objetivo não está relacionado com a estética em si, tratando-se de um trabalho essencialmente terapêutico. "É uma forma de sermos cuidados como um todo, proporcionando acolhimento, bem-estar e revigoramento", cita.

Cada participante tem direito a uma sessão da "massagem do pajé", que dura três horas e inclui quatro momentos: desintoxicante (usando argila), de limpeza e energização da pele (sais de banho), ofurô (banho de imersão em ervas aromáticas)e a massagem terapêutica.

Escutar o corpo é um desafio que o psiquiatra Adalberto Barreto, a sofrólogaTereza Mara e a massoterapeuta Aldeíde Barreto se propuseram a mediar entre os participantes do BioSpa (o próximo deve ocorrer entre os dias 2 e 4 de dezembro). Sem fórmulas pré-estabelecidas, o objetivo é aprender a decodificar a linguagem corporal e a investigar o porquê da doença através dos princípios da sofrologia.

"A classe médica tem um grau de adoecimento muito grande, pois eles esquecem de si mesmos e estão sob constante estresse. É importante atrai-los para uma medicina mais humanizada para que eles tenham a percepção de que há uma forte conexão entre as doenças do corpo e as questões psíquicas", explica Tereza Mara. Para ela, o contexto em que se insere o paciente é essencial nesse entendimento.

A partir da consciência, é possível atingir um bem-estar maior, pois, diz a sofróloga, só é possível ser curado aquilo que é compreendido.

Fique por dentro

Sofrologia e o estudo da consciência humana

Ciência que trata do equilíbrio da consciência, a Sofrologia foi criada em 1960 pelo neuropsiquiatria Dr. Lozano Alfonso Caycedo com dois objetivos: estudar a consciência humana, tanto enferma como normal e ser uma nova forma de terapia.

É uma abordagem da fenomenologia que trabalha três eixos principais: realidade objetiva, ação positiva (escolha do indivíduo) e esquema corporal. Promove o estímulo à harmonia biológica do ser natural, reforçando a consciência através dessa estrutura que a organiza e lhe dá sentido: o corpo.

As diversas técnicas de Sofrologia valorizam a capacidade do indivíduo em superar suas dificuldades e os conflitos. Promove um estado de relaxamento que permite maior proximidade com o inconsciente e maior abertura à mudança, o que facilita e acelera o processo de conhecimento pessoal, possibilitando uma ação terapêutica extremamente profunda e eficaz. São várias as indicações para esta terapia, que incluem desde a ação curativa nas doenças psicossomáticas, assim como a ação preventiva na resistência ao estresse.

Decodificara linguagem corporal

Se algo não está bem, prontamente o corpo nos manda sinais de que é preciso parar. O importante, no entanto, é compreender que não basta mascarar o problema apenas com remédios ou quaisquer tipos de procedimentos médicos. É preciso ler e entender as mensagens corporais.

O psiquiatra e também atropólogo, Adalberto Barreto, gosta de assinalar que a leitura simbólica dos sintomas não anula outras explicações sobre o processo saúde-doença, tais como as bioquímicas ou mecânicas. Na verdade, traz um olhar diferente, integrativo e complementar, lembrando ao homem (seja ele médico ou paciente) que um sintoma é mais do que a expressão de uma disfunção orgânica.

Próximo de lançar seu livro "Quando a boca cala os órgãos falam", Barreto esclarece que, em sua prática como psiquiatra, o corpo sempre esteve presente, mas que sua percepção sobre ele foi se modificando e se ampliando com o tempo.

"O corpo busca o cuidado de uma forma sutil e quase imperceptível como uma ardência no estômago, que, quando não compreendida, pode evoluir para o gastrite. Nesse ponto, o corpo tem que gritar para ser ouvido", revela.

Escutar o que o corpo diz requer uma atenção diferenciada, na qual cada um se permite mergulhar em si mesmo, navegar na própria história de vida e na de seus antepassados, pois tudo isso faz parte de nós e constitui nossas células.

Simbologia das doenças

Muitos exemplos podem ser citados como forma de entendimento do que ele chama de decodificação da linguagem corporal. A alimentação, por exemplo, que tem um papel central em nossa vida física, emocional e social, está estreitamente ligada à "alimentação afetiva".

"Comer demasiado é uma forma de preencher um vazio interior e está relacionado ao sentimento de abandono e solidão. É uma insegurança afetiva que leva inconscientemente a querer armazenar alimento para evitar qualquer penúria ou falta futura", explica Adalberto Barreto.

Segundo o psiquiatra e terapeuta familiar, a obesidade, muitas vezes aparece após um grande choque emocional ou uma perda importante e pode até ter ligação com uma carência de cuidados em uma relação direta com a mãe, na primeira infância, quando ela representava um vínculo com a alimentação e a sobrevivência.

A diabetes, por exemplo, pode estar associada à uma vida pautada em regras e cobranças e que acaba sendo encarada como uma missão amarga e dolorosa que não nos deixa espaço para o prazer, a "doçura". O medo parece permear todas as preocupações. Quando a taxa de açúcar está excessiva, gera o armazenamento de açúcar no sangue, que, na linguagem simbólica, seria uma forma de compensar o sofrimento decorrente de situações de exigências e cobranças.

O hipotireoidismo pode representar mágoas não resolvidas e refletir um desencanto e fracasso diante da vida, no qual se tem a sensação de estarmos abandonados por todos.

Já o hipertireoidismo acaba por expressar uma espécie de potencialização do sentimento de raiva e decepção que permaneceu silenciado.

"As vezes não entendemos as mensagens enviadas pelo corpo e tendemos a sufocá-la de várias maneiras. Para que ele não precise gritar, adoecer, precisamos nos mobilizar, investir em nossa saúde, fazendo os ajustes necessários que interrompem o processo gerador de patologias, concentrando-se em uma atividade positiva e preventiva", conclui o psiquiatra.

Mais informações

BioSpa Ocas do Índio
De 2 a 4 de dezembro;
Incrições: (85) 9987.3210;


ROSEMARY BEZERRA
REDATORA

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