FUROCUMARINAS

Cuidado com o limão

22:09 · 01.01.2011
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Substâncias fototóxicas presentes no limão reagem à exposição solar e resultam em queimaduras conhecidas como fitofotodermatoses

No calor da praia, nada melhor do que uma limonada gelada ou uma caipirinha para refrescar. Brasileiro adora limão, e a sua popularidade cresce principalmente nos ambientes de praia. Porém, é lá onde se deve ter maior cuidado, pois a exposição solar após o manuseio da fruta pode ocasionar queimaduras de até segundo grau.

Ação fototóxica

O limão - assim como a laranja, a tangerina e outras frutas cítricas - é rico é substâncias fototóxicas conhecidas como furocumarinas. Segundo a dermatologista e professora do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Dra. Maria José Diógenes, essas substâncias reagem quando expostas ao sol, gerando queimaduras mais conhecidas como fitofotodermatoses.

Em função da falta de conhecimento, aliada às diversas utilizações e à popularidade, principalmente do limão, torna esse tipo de queimadura frequente nos consultórios dermatológicos no período de férias escolares.

A gravidade da reação provocada na pele varia de acordo com alguns fatores. Os limões de casca mais grossa são mais ricos em furocumarinas e tem ação mais potente do que os frutos de casca mais fina. A quantidade de sumo da fruta em contato com a pele, a duração e o horário (das 10 às 14 horas) da exposição solar também são agravantes. A pele da face - assim como a das crianças - é mais sensível, apresentando reações mais sérias.

No entanto, a Dra. Diógenes explica que "em geral, esse tipo de queimadura não apresenta muita gravidade, mas deve ser cuidada tão logo apareça. Em geral, a recuperação das queimaduras é completa. As manchas, quando aparecem, vão embora em dias ou meses", explica.

As fitofotodermatoses na maioria dos casos, se caracterizam por eritema (vermelhidão) e o surgimento de bolhas e/ou vesículas acompanhadas ou não de coceira, ardor e queimação.

Tratamento específico

Logo após a percepção dos primeiros sintomas, o paciente deve procurar imediatamente um dermatologista, pois somente um profissional poderá indicar o tratamento adequado, que pode variar conforme a gravidade da lesão, a área da pele afetada e a idade do paciente.

"Evitar a automedicação é vital para que não ocorram complicações ou agravamento", adverte. O mais prudente é sempre adotar uma atitude preventiva. Mas não é preciso deixar de usar o limão no refrigerante, para temperar o peixe ou a salada, pois se não houver exposição ao sol, uma vez que as furocumarinas não terão ação tóxica em contato com a pele.

É importante sempre lavar bem as mãos após o contato com a fruta e subprodutos (limonada, caipirinha). Para evitar que outras pessoas também tenham a dermatite, não se deve tocá-las com as mãos sujas de limão ou qualquer outra fruta rica em furocumarinas. "Além disso, o manuseio deve ocorrer preferencialmente em ambientes cobertos", aconselha a dra. Maria José Diógenes.

Cautela

"Os limões de casca mais grossa são ricos em furocumarinas e possuem uma ação mais potente"

Dra. Maria José Diógenes
Dermatologista e Professora da UFC

Fique por dentro
Produtos de ação fototóxica

O contato com outras substâncias também pode oferecer perigos, se houver exposição solar. Produtos bastante utilizados como perfumes, cosméticos perfumados (filtro solares, hidratantes, loções de limpeza, dentre outras) são capazes de provocar dermatites e/ou manchas na pele por conterem substâncias fotoalérgicas ou fototóxicas.

Os bronzeadores em si, são produtos fototóxicos e devem ser evitados principalmente em países tropicais. Misturas caseiras feitas com cenoura, figo, aipo e salsa, refrigerantes ou óleos também muito comuns nas praias, são prejudiciais à pele.

É importante, portanto, usar filtros solares não perfumados durante o dia e os cosméticos somente durante a noite. O uso de perfumes (em caso de exposição solar) deve se restringir apenas a algumas áreas (atrás das orelhas ou em regiões da pele que estejam devidamente cobertas).

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