DIABETES

Controle glicêmico

23:13 · 27.08.2011
A maioria dos pacientes consegue diagnosticar a doença ainda jovens
A maioria dos pacientes consegue diagnosticar a doença ainda jovens ( Arquivo )
A maioria dos pacientes consegue diagnosticar a doença ainda jovens
A maioria dos pacientes consegue diagnosticar a doença ainda jovens ( Arquivo )
Baixa escolaridade e renda econômica são entraves para o tratamento efetivo da doença no Brasil

O Estudo Multicêntrico de Diabetes Tipo 1, que teve início em dezembro de 2008 e foi finalizado no início desse ano, é o maior já realizado no Brasil, país que ainda conta com pouquíssimos dados sobre a doença.

A diabetes afeta 10 milhões de brasileiros, dos quais, 10% apresenta a doença do tipo 1, a forma mais grave. O objetivo da pesquisa foi avaliar a proporção de pacientes diabéticos que têm controle glicêmico adequado, nas diferentes regiões do País, além de mapear o perfil clínico, demográfico e a qualidade do atendimento oferecido a estes pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo foi realizado em 28 cidades de todas as regiões, com 3591 pacientes com idade média entre 21 anos. Recebeu o apoio da Farmanguinhos/Fiocruz/Ministério da Saúde, da Fundação Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro e da Sociedade Brasileira de Diabetes.

De acordo com Dra. Marília de Brito Gomes, professora associada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e doutora em Endocrinologia pela Escola Paulista de Medicina, o estudo, a baixa escolaridade (37,7% dos entrevistados tem nível fundamental incompleto) associada à renda econômica (entre um e cinco salários mínimos), de 77,4% dos entrevistados é uma barreira importante na obtenção de um controle adequado do diabetes.

"A complexidade do tratamento da doença como uso, em geral, de dois tipos de insulina e avaliação da glicemia (níveis de glicose no sangue) em vários horários, além de dieta, exercícios, avaliação da capacidade funcional do paciente e seus familiares são fatores fundamentais para a condução adequada do tratamento", explica a médica.

Métodos de rotina

A maioria dos pacientes consegue diagnosticar a diabetes ainda jovens, configurando-a como uma doença de longa duração e com maior probabilidade de evolução para complicações crônicas. Dessa forma, o diabetes 1 representa um maior custo para o sistema de saúde e para a sociedade em geral. Até o momento não existem meios de prevenção do diabetes tipo 1, apenas formas de minimizar seus efeitos a curto, médio e longo prazo através do controle clínico e metabólico adequado.

É importante ressaltar que existe uma mudança gradativa no modo como a doença é diagnosticada. Em cerca de 39% dos pacientes, ela foi descoberta por métodos de rotina, sem a necessidade de internação hospitalar. Quanto aos fatores de risco mais importantes, destacam-se a classe socioeconômica, a baixa idade e a região de moradia dos pacientes (Sudeste)

Sintomas

A maioria dos casos teve início com sintomas tratados como inofensivos como idas constantes ao banheiro para urinar, sentir muita sede e perder peso. Essa situação permite ao Sistema de Saúde elaborar políticas de alerta em unidades de emergência para que realizem testes de glicemia em todos os pacientes que apresentarem os sintomas.

Tais complicações diminuem a expectativa de vida dos pacientes, além de elevar os custos diretos e indiretos para o sistema de saúde. "Do total do custo direto relacionado ao diabetes, cerca de 50% são decorrentes das complicações crônicas da doença", explica Marília Brito Gomes.

"O tratamento intensivo da hiperglicemia e de todos os fatores de risco cardiovasculares, diminui, significativamente, a evolução para complicações crônicas. É fundamental que as políticas de saúde pública sejam orientadas nesse sentido, mas é importante que o paciente tenha noção da importância do conhecimento da doença e da necessidade do controle adequado", conclui a médica.

Números

71,5% dos portadores de diabetes tipo 1 teve a doença diagnosticada antes dos 15 anos de idade; cerca de 20% tiveram diagnóstico antes dos cinco anos;

46% dos pacientes mantém um péssimo controle das taxas glicêmicas. Apenas 18% dos diabéticos possuem o equilíbrio da glicemia;

42% da população com a doença, principalmente as crianças, teve o diagnóstico de cetoacidose diabética, uma complicação aguda do diabetes com necessidade de internação hospitalar e que apresenta importante risco de vida;

44% dos índices de mortalidade nos pacientes são decorrentes de doenças cardiovasculares. Cerca de 30% a 65% dos pacientes que participaram da pesquisa não haviam realizado o rastreamento das complicações crônicas no ano anterior.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.