LEITE

Conhecer para melhor consumir

16:40 · 19.08.2007

Caixa, saquinho ou mesmo em lata. Vários são os tipos, e características do leite consumido.


Quem nunca foi ao supermercado e, na hora de escolher o leite, começou a se perguntar qual o tipo ideal? Dúvida comum, já que o comércio, a cada dia, oferece um leque maior de produtos. Para solucionar esse tipo de ´impasse´, o melhor e mais correto é conhecer os três tipos principais da bebida, com todas as suas características e peculiaridades mais importantes.

De acordo com Cláudio Lima, engenheiro de alimentos, especialista em Saúde Pública e mestre em Tecnologia de Alimentos, inicialmente, é essencial saber que existem três tipos de leite. Dependendo do processo utilizado para sua obtenção, podem ser: pasteurizado, UHT (ou em caixa) e o leite em pó.

Pasteurização

Pasteurização é o processo utilizado para garantir ao consumidor um leite seguro, ou seja, uma bebida em que o risco de contaminação por microorganismos seja bem pequeno. A partir do procedimento utilizado para sua obtenção ainda na fazenda, o leite pasteurizado podem ser de três tipos: A, B e C.

O leite tipo A é obtido sob um controle mais rigoroso. Conforme conta Cláudio Lima, pelo fato de ser ordenhado mecanicamente, pasteurizado e embalado na fazenda, as quantidades de microorganismos são bem pequenas. Já o tipo B que, preferencialmente, também é ordenhado de forma mecânica, é transportado até a indústria para que possa ser pasteurizado e embalado.

O leite tipo C, assim como o B, é pasteurizado e embalado na indústria. Por permitir ordenha manual, contêm um número maior de microorganismos. Além disso, enquanto os outros tipos possuem quantidades superiores de gordura, o C tem o padrão mínimo de 3%.

Conforme afirma o engenheiro de alimentos, o leite pasteurizado, apesar de ser mais observado em sacos, pode ainda ser encontrado em embalagens (garrafas) plásticas.

Outro exemplo de leite é o UHT, mais conhecido pela denominação de longa vida e comercializado em caixa. Por conta do processo de (ultra) pasteurização, sua qualidade, em comparação com a bebida pasteurizada, é bem mais segura. Por conta do tipo de embalagem no qual é encontrado no comércio, alguns cuidados se tornam necessários. Sobre isso Claúdio Lima assevera: “Garrafas plásticas nas prateleiras, fora das geladeiras dos supermercados e padarias, são leite UHT. Nesse tipo de caso, é necessário ter essa especificação”.

Outro tipo conhecido e popular de leite é o em pó. Nesse produto, elimina-se a maior parte da água de sua estrutura, deixando, no máximo, valores em torno de 5%. O restante dos constituintes são proteínas, lactose, gorduras, sais minerais, entre outros. Do ponto de vista comercial, o leite em pó pode ser de duas espécies: integral e desnatado. O primeiro possui, no mínimo, 26% de gordura (peso), enquanto o segundo, tem valor máximo de 1,5%.

Valores nutricionais

Em relação aos valores nutricionais, o leite em pó, em comparação com outros tipos, não possui nenhuma variação. O grande diferencial é o modo de preparo que, dependendo da quantidade de água acrescentada, pode tornar a bebida mais forte ou mais fraca. “O leite em pó é concentrado e, por isso mesmo, na hora do consumo, deve-se atentar para as orientações presentes no rótulo”, ressalta Claúdio Lima.

Quando o assunto é o leite tipo C, muitos consumidores consideram-no ´fino´ e ´aguado´. Na verdade, a única diferença existente entre ele e o UHT é o processo de homogeneização pelo qual o último passa. Através desse procedimento, toda a gordura do leite é distribuída de maneira uniforme, e, além disso, adiciona-se um estabilizante (citrato de sódio) que, evitando a formação da nata e a separação da gordura, torna o leite mais viscoso.

Sobre o consumo de leite por bebês, Cláudio Lima reforça: “O leite ideal para o crescimento do bebê sempre será o leite materno. No entanto, se por algum motivo não for possível amamentar, os melhores substitutos são as fórmulas infantis, ou seja, os leites modificados”. Ainda de acordo com o engenheiro de alimentos, nos primeiros meses de vida, os leites de vaca integral pasteurizado, em pó ou longa vida devem ser evitados. Já em relação às crianças pequenas, com exceção dos casos em que há intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite, não existem restrições quanto ao consumo da bebida, seja de saco ou de caixa.

É muito comum, principalmente, em fazendas, o consumo do leite retirado diretamente da vaca. A bebida crua, como é chamada, trás vários riscos à saúde, uma vez que não passa pelo tratamento térmico. Enfermidades transmitidas pelos alimentos, como: tuberculose, brucelose, salmonelose e bacteriose podem ser adquiridas por meio da ingestão desse leite não tratado. Para evitar esse tipo de problema, é essencial escolher produtos que tenham passado por algum processo de pasteurização. Outra opção indicada seria utilizar os leites longa vida (UHT), que, através do procedimento da (ultra) pasteurização conseguem eliminar os mais perigosos agentes causadores das doenças.

FIQUE POR DENTRO

O que caracteriza uma bebida láctea

Bebida láctea é leite? A resposta é uma só: não. Ao contrário do que muitos pensam, muitas vezes por conta das embalagens semelhantes, as duas bebidas são bastante diferentes. A bebida láctea é feita a partir da adição de soro do próprio leite. Por ser um subproduto, resultante da fabricação de queijos, acaba tendo um custo bem mais baixo. Por ser fabricado a partir da adição de soro, seus valores nutricionais são bem inferiores, se comparado aos do leite integral. Essa diferença pode ser claramente notada quando comparamos as quantidades de proteínas e cálcio. Enquanto que no leite integral, para cada 200 miligramas, a quantidade de proteína é de 6 gramas, na bebida láctea esse valor é de apenas 3,5 gramas. Quando analisamos os valores de cálcio, percebemos também uma diferença significativa. Para a mesma quantidade (200 miligramas), os números de cálcio no leite integral são de 240 miligramas, enquanto que, na bebida láctea, os valores não ultrapassam os 140 miligramas.

TIPO DE PROCESSAMENTO DO LONGA VIDA

Circula na internet a informação de que, uma vez não comercializadas até determinado prazo, as caixas de leite longa vida voltam para a indústria para que possam ser repasteurizadas. Ainda de acordo com as informações presentes na rede, o processo pode ocorrer por até 5 vezes, deixando a bebida com um sabor bem diferente.

Segundo as informações, ao retornarem para a venda ao consumidor final, o fundo das caixas vem marcado com um pequeno número, que varia de 1 a 5 e que corresponde a quantidade de vezes que o produto foi repasteurizado. Por exemplo, se na embalagem constar o número 4, isso significa que aquele leite já sofreu quatro processos de pasteurização.

Sobre o fato, Cláudio Lima garante que tudo não passa de um ´mentiroso boato´. Segundo ele, os números correspondem a uma marcação do fabricante da embalagem, somente para controle da produção. ´Todas as indústrias dominam a sua produção por meio de números impressos´, conta o engenheiro de alimentos.

É importante destacar ainda, para encerrar definitivamente esse tipo de informação, que antes de sair da indústria o leite longa vida é inspecionado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura. Já em relação a qualidade, a responsável pelo controle é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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