Fisioterapia

Condutas para o tratamento do torcicolo congênito

00:00 · 12.11.2013
Se o bebê costuma virar a cabeça sempre para o mesmo lado, ou se fica tranquilo mais de um lado do que de outro, é hora de levar essa questão para ser avaliado pelo pediatra, pois o diagnóstico pode ser torcicolo congênito ou adquirido.

Tal condição é caracterizada pelo encurtamento ou contratura unilateral, principalmente do músculo esternocleidomastoideo (localizado no pescoço) que, em geral, manifesta-se na fase neonatal ou em lactentes.
“Em crianças com torcicolo a cabeça fica inclinada para o lado do músculo afetado e rodada para o lado oposto”, explica a fisioterapeuta Elizabeth Correia Gurgel, especialista em fisioterapia em neonatologia, pediatria e desenvolvimento infantil. Elizabeth tem formação pelo Método Therasuit (Michigan- USA), Método CME (Cuervas Medek Excercise) e pelo Conceito Neuroevolutivo Bobath.

Questão de postura

As causas do torcicolo congênito ainda não estão totalmente esclarecidas, no entanto, descreve a fisioterapeuta, as hipóteses mais relevantes para essa alteração são: mal posicionamento intra-uterino, hereditariedade, obstrução venosa ou esquemia arterial com hipofluxo sanguíneo do músculo esternocleidomastoideo.

No caso do torcicolo adquirido, as causas mais frequentes são má postura após o nascimento (em berço, bebê conforto, carrinhos e durante a alimentação), assim como por alterações visuais ou traumas durante o parto.

Como identificar

A grande questão é como os pais podem perceber essa doença e, assim, buscar ajuda médica. “Nos primeiros dias ou até meses de vida, o torcicolo passa desapercebido, podendo ser detectado tanto pelos pais como pelo pediatra”, diz.

Nestes casos, são observadas limitações nos movimentos do pescoço, elevação do ombro e inclinação da cabeça para o lado afetado e rotação da cabeça para o lado oposto. Alguns bebês ainda podem apresentar um nódulo na porção média do músculo esternocleidomastoideo.

Observação importante: “Bebês com esse encurtamento muscular preferem dormir na posição prona (barriga para baixo) com o lado afetado para baixo, o que acaba provocando uma pressão assimétrica no crânio e nos ossos faciais que estão em pleno desenvolvimento. Esta pressão constante pode levar a uma remodelação óssea inadequada resultando na plagiocefalia”.

Quando o torcicolo congênito é tratado corretamente, os riscos de assimetria craniana são reduzidos. Segundo Elizabeth Gurgel, a fisioterapia é a conduta mais indicada. Estudos mostram que 90% a 95% das crianças com torcicolo melhoram com o tratamento fisioterápico antes do primeiro ano de vida; 97% melhoram se iniciado antes dos seis meses.

Dormir na posição correta

O encurtamento muscular pode ser potencializado por alguns hábitos ou por posturas inadequadas e frequentes. “A melhor posição para bebê dormir é em decúbito lateral (de lado); favorece o alinhamento, a linha média (mão na mão/mão-boca) que vai influir no desenvolvimento motor”.

No caso do uso da rede, por ser curvada, leva a uma acomodação da criança, limitando as possibilidades de movimentos. Também pode estimular posturas viciosas e, consequentemente, um torcicolo ou outras alterações posturais.

Controle cervical

É comum, por achar que o bebê já está com o pescoço “durinho”, colocá-lo de pé antes dos três meses de vida. Sobre essa questão, a fisioterapeuta comenta: “O bebê está desenvolvendo o controle cervical e saindo da postura flexora para a extensora. Primeiro o bebê vivencia a postura horizontal (supino e prono) e só depois inicia as mais altas (sentar, engatinhar e ficar em pé), sendo muito importante ter todas as etapas do desenvolvimento motor. Portanto, não está preparado para ser colocado de pé, pois suas estruturas ósteo-musculares não estão preparadas para receber essa carga. Tal condição pode desencadear desequilíbrio em pés, joelhos, quadril e tronco”.

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