ALERTA

Comprometimento cognitivo leve

20:44 · 24.09.2011
Apesar do impacto no cotidiano dos portadores, o CCL não é tratado adequadamente

Caracterizado por declínios na memória, linguagem, capacidade de tomada de decisões, raciocínio e habilidades visuais-espaciais, o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) é apontado como o principal precursor da Doença de Alzheimer (DA).

Contudo, por apresentar menor impacto no cotidiano do indivíduo e familiares, comumente não é tratado. Por meio de análise de estatísticas oficiais e estudos epidemiológicos, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) detectou que, anualmente, mais de 900 mil brasileiros apresentam CCL.

Diagnóstico

Segundo a Dra. Sonia Brucki, vice-coordenadora do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da ABN, o diagnóstico assertivo da CCL se baseia em avaliação dos sintomas (memória, linguagem ou outros), de sintomas de causas que possam levar a queixas cognitivas (a exemplo de alterações da tireoide, depressão, déficit de vitamina B12, entre outros), assim como exames de imagem (ressonância, primeira opção, ou tomografia), e laboratoriais para excluir outras causas tratáveis. De acordo com a médica, quando necessário, avaliação neuropsicológica também é solicitada para chegar ao diagnóstico do CCL. A importância do diagnóstico e tratamento do Comprometimento Cognitivo Leve deve-se à manutenção da capacidade cognitiva do paciente e adiamento do processo de neurodegeneração, uma característica do Alzheimer.

Dra. Sonia Brucki informa que a elevada atividade intelectual (por meio da educação formal, leitura, estudo de idiomas, entre outros), aliada a uma boa alimentação e a prática de atividades físicas diárias podem gerar reserva cognitiva suficiente de modo a atenuar os impactos da CCL, podendo ser este um fator que retarda a conversão para a Doença de Alzheimer.

Tratamento

O acesso ao tratamento farmacológico para a DA é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. Contudo, estudos da Universidade Federal de Minas Gerais feitos a partir de dados da entidade estimam que quase 90% dos pacientes que poderiam se beneficiar do uso de medicamentos, em termos de qualidade de vida, estão sem tratamento no País.

Nos Estados Unidos, cerca de US$ 100 bilhões são gastos anualmente com o tratamento de portadores de Alzheimer (2,3 vezes todo o orçamento do Ministério da Saúde para este ano de 2011, no Brasil), segundo pesquisa publicada pela Academia Americana de Médicos de Famílias (AAFP).

Fique pode dentro

Por diagnósticos oportunos e precisos

"Não há uma maneira simples de acabar com a lacuna no tratamento em todo o mundo. O que está claro é que cada país precisa de uma estratégia nacional para demência que promova o diagnóstico precoce e cuidados depois dessa etapa. Serviços de cuidados primários, centros especializados de diagnóstico e tratamento, e serviços de base comunitária, todos têm um papel a desempenhar, mas em diferentes graus, dependendo de recursos". É o que defende o professor Martin Prince, do Instituto de Psiquiatria do King´s College de Londres, no Relatório Mundial da Doença de Alzheimer, divulgado pela Alzheimer Disease International. Para a presidente da ADI, Dra. Daisy Acosta, a falha em diagnosticar em tempo oportuno representa uma oportunidade tragicamente perdida de melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Segundo o novo relatório, cerca de três quartos dos estimados 36 milhões de pessoas que vivem com demência em todo o mundo, não têm sido diagnosticadas. A falha em diagnosticar resulta - em parte - da falsa crença de que a demência é uma parte normal do envelhecimento e que nada pode ser feito para ajudar.

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