HIPERSONIA

Como tratar o distúrbio do sono excessivo

22:32 · 17.12.2011
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Distúrbio do sono excessivo traz complicações para as atividades laborais como distração e desconcentração
Distúrbio do sono excessivo traz complicações para as atividades laborais como distração e desconcentração ( Arquivo )
No caso da narcolepsia, o sono pode chegar em situações inusitadas. Estima-se que cerca de 40 mil brasileiros sejam afetados por este distúrbio do sono
No caso da narcolepsia, o sono pode chegar em situações inusitadas. Estima-se que cerca de 40 mil brasileiros sejam afetados por este distúrbio do sono ( Arquivo )
Mudança de hábitos é decisiva para a manutenção das horas de sono com efeito reparador

Só mais cinco minutinhos. Quem nunca disse a si mesmo essa frase depois de ouvir o despertador sinalizando a hora de acordar que atire o primeiro travesseiro. Uma noite bem dormida é essencial para a elaboração de hormônios vitais para o corpo, reparação dos órgãos, renovação das células e organização da memória.

Embora seja determinante para a qualidade de vida, a hora de dormir é cada vez mais banalizada. "Com a rotina estressante e o aumento da cobrança em todos os níveis de trabalho, o sono passou a ser algo secundário na vida das pessoas, sendo que uma noite mal dormida pode ser a maior responsável pelo rendimento não satisfatório no dia seguinte", alerta Oziel de Souza Filho, anestesiologista do Centro de Estudos do Sono de Fortaleza.

De acordo com o médico, a duração ideal do sono é diferente nas diversas fases da vida, sendo maior quanto mais jovem o indivíduo for. Bebês, por exemplo, dormem até dezoito horas por dia, enquanto idosos costumam dormir até seis horas. Nos adultos, a duração média do sono deve ser de oito horas.

O comportamento do organismo, porém, varia de pessoa para pessoa e algumas têm a necessidade de mais algumas horas de sono. Não respeitar essa particularidade implica em passar o resto do dia sonolento, comprometendo a disposição, o que caracteriza um transtorno conhecido como hipersonia ou distúrbio do sono excessivo.

Sono diurno

De acordo com Oziel, pacientes que apresentam hipersonia são vistos erroneamente como preguiçosos por apresentarem falta de energia para realizar as atividades cotidianas e dificuldades de concentração e de raciocínio. Estudos estimam, porém, que 40% dos indivíduos poderão ser afetados pelo distúrbio em algum momento da vida, com tendência de aparecimento antes dos 25 anos de idade.

O distúrbio do sono excessivo pode não ter uma causa específica, sendo conhecido como hipersonia idiopática, mas também pode ser decorrente do uso de medicações (anti-depressivos e outros medicamentos com efeitos no sistema nervoso central), ou representar o sintoma de uma outra patologia, como a depressão, a obesidade, a apneia obstrutiva do sono ou a narcolepsia.

Dormir de repente

A narcolepsia também se caracteriza pela sonolência excessiva durante o dia. A diferença em relação ao quadro de hipersonia idiopática é que a narcolepsia independe de uma noite bem dormida, e o sono pode chegar a qualquer momento, mesmo em situações inusitadas como numa roda de conversa com os amigos, andando ou mesmo dirigindo, o que a torna um distúrbio perigoso. A narcolepsia é causada principalmente por uma alteração genética; atinge cerca de 40 mil brasileiros.

Já a apneia do sono é uma condição que desorganiza os movimentos respiratórios durante o repouso, ocorrendo a obstrução parcial ou total das vias aéreas. A apneia, se não tratada, pode ter consequências graves, com risco de óbito. As noites mal-dormidas interferem nas atividades diárias, causando a hipersonia.

Diagnóstico e tratamento

Segundo Oziel, para detectar a hipersonia, é preciso observar por pelo menos um mês se o histórico de sonolência excessiva diurna é acima do comum, a ponto de causar transtornos ocupacionais, emocionais e sociais. O histórico familiar, o uso de medicamentos e o estado mental também são analisados para identificar uma possível relação com alguma uma outra doença.

A exemplo das demais patologias, o tratamento é feito de acordo com o diagnóstico. Nos casos de hipersonia idiópática, as recomendações são no sentido de corrigir os hábitos, orientando sobre a higiene do sono, o corte de bebidas alcoólicas e cafeína, em especial à noite, evitar trabalhos noturnos e a permanência insone até a madrugada. Em se tratando da hipersonia associada a outras patologias, normalmente o tratamento da doença já corrige o distúrbio do sono excessivo.

Mudando os hábitos

Uma prática bastante comum entre as pessoas que dormem poucas horas durante a semana é tentar recuperar o sono nos finais de semana, dormindo muito mais do que estão habituadas. Tal ato, porém, pode desregular todas as noites de sono, pois não existem meios para compensar as horas não dormidas.

Além do estresse rotineiro, outro fator que prejudica o rendimento do sono é a presença de diversos aparelhos eletrônicos dentro do quarto. "Os quartos de dormir se transformaram em grandes salas de entretenimento com televisão, som, videogame, computador, diversas opções do que fazer em vez de dormir. Acredito que as pessoas dormiam melhor quando os quartos eram basicamente para dormir", opina o médico.

Para ajudar a prevenir alguns distúrbios, dr. Oziel de Souza lista cuidados que podem ser observados para ter uma noite de sono reparador: "Ter horas estabelecidas para dormir e acordar; praticar exercícios físicos; evitar ingestão de bebidas alcoólicas que contenham cafeína (chá, café, refrigerante); fazer refeições noturnas leves; ter quarto com cama, travesseiros e lençóis confortáveis e temperatura agradável são atitudes simples e essenciais", conclui.

Estimativa

40% é a estimativa de pessoas no Brasil que poderão ter distúrbio do sono excessivo em algum momento da vida. A manifestação da doença geralmente ocorre antes dos 25 anos.

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