Cuidados

Combate à hepatite pode ser feito com atitudes simples

00:22 · 03.09.2013
A doença, que infecta tanto quanto o vírus HIV e existe em quatro tipos principais, acomete 2,3 milhões de brasileiros

Geralmente, estamos cercados de conselhos relacionados à saúde: como prevenir doenças, evitar problemas sérios no corpo e se medicar com responsabilidade. Porém, nem sempre seguimos o que nos é aconselhado à risca, alguns por falta de informação, já outros por descaso.

No Brasil, uma das doenças que mais afeta a população é a hepatite e, por mais comum que pareça, muitos não são conscientes dessa realidade. É uma doença sobre a qual todo mundo já ouviu falar, mas que nem todos têm cuidado necessário para evitá-la.

A hepatite é uma inflamação no fígado que pode ser causada por vírus, uso de alguns remédios, álcool, outras drogas, entre outros. Ela se manifesta de várias maneiras e apresenta seis tipos: A, C, D, E, F e G, cada um com sua especificidade.

As principais observadas são A, B e C, responsáveis pelas maiorias dos casos da doença no País. A que mais chama atenção é a C, que afeta diretamente o fígado e pode evoluir para a forma crônica da doença, causando fibrose, cirrose e até câncer, o que pode levar a morte.

A doença é transmitida de diversas maneiras, por isso, o cuidado: pelo sangue, por meio de transfusão de sangue e hemoderivados, hemodiálise, através de procedimentos cirúrgicos e odontológicos em que não se aplicam as normas de biossegurança adequadas, e também da mãe para o filho durante gravidez e parto.

Os sintomas da doença são poucos frequentes e às vezes podem até passar desapercebidos, contudo, cefaleia, dores, febre, mal-estar, musculares, náuseas e vômitos, podem ser sinais de que há algo errado com o corpo.

Vítimas

Em relação à faixa etária das pessoas que adquirem a hepatite C, o diagnóstico é mais frequente em indivíduos de 30 a 59 anos de idade. No sexo masculino, 35% encontram-se na faixa etária de 40 a 49 anos de idade. Já entre o sexo feminino, a faixa etária de 40 a 59 anos de idade abrange 50% dos casos.

A boa notícia é que, apesar de sua gravidade, a hepatite C, embora ainda sem vacina, pode ser curada por meio de tratamento e, quanto antes for diagnosticada, maiores são as chances de cura. De acordo com o médico Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), a hepatite é uma doença preocupante porque atinge diretamente o fígado, um órgão fundamental ao bom funcionamento do corpo humano.

"Quando o fígado está comprometido, todo o organismo estará", pontua. Segundo Kfouri, o pior dos vírus é o C porque apresenta uma agressividade maior e atinge, sobretudo, pessoas mais velhas.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 1,5 milhão de brasileiros estão com hepatite C, porém, 50% deles desconhecem o problema.

Estima-se que aproximadamente 3% da população mundial estejam infectados pelo vírus C, o que representa cerca de 170 milhões de indivíduos com infecção crônica e sob o risco de desenvolver as complicações da doença. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é considerado um País de endemicidade intermediária para hepatite C, sendo que cerca de 1,5% da população é de portadores crônicos da doença. "Hoje, temos vacinas contra as hepatites A e B, que já estão disponíveis gratuitamente para pessoas de até 50 anos", destaca o presidente da SBIm. Ainda segundo Kfouri, as crianças se vacinam mais que os adultos.

Hepatite A e B

Recentemente, o Ministério da Saúde informou a ampliação da faixa etária de vacinação contra a hepatite B, de 29 anos para 49 anos. A hepatite B é uma doença transmitida sexualmente e com capacidade de infecção maior do que o vírus HIV, causador da Aids.

Entre a população idosa e sexualmente ativa, o risco de contrair a doença é considerável, pois muitos deles são resistentes e até mesmo não conscientes do uso de preservativos. Contrapondo a gravidade do vírus B, são ações básicas do cotidiano que podem evitar a doença, como ter cuidado com agulhas, instrumentos utilizados por manicures e aparelhos de barbear. "Não é bom partilhar esses objetos", diz.

Já sobre a hepatite A, Kfouri afirma que a prevenção também é fácil. Basta procurar ingerir alimentos com boa procedência e água de boa qualidade, além de evitar alimentos crus ou mal cozidos e, claro, se prevenir com a vacinação. Geralmente, é durante a infância que se entra em contato com o vírus. Dessa maneira, as crianças constituem grupo de risco importante, assim como os adultos que interagem com elas e também os profissionais de saúde.

Pesquisa

Um estudo chamado de "Saúde, Medicalização e Qualidade de Vida" trouxe um resultado preocupante: a população que vive no Brasil ainda não se atentou para a gravidade da hepatite. Realizado pelo Instituto de Especializações e Pesquisas Farmacêuticas (ICTQ), o estudo buscou compreender como se comporta o brasileiro frente ao processo de adoecimento, medicalização e busca de uma qualidade de vida.

Após finalizado, o estudo concluiu que a população brasileira não se preocupa com a doença, apesar das suas diversas formas de contágio e o risco que representa à saúde. Durante a realização da pesquisa, o ICTQ perguntou aos entrevistados "qual a doença que mais te assusta ou traz medo". Do total, somente 4% afirmaram ser a hepatite.

O perfil dos brasileiros que menos se preocupam com a enfermidade vivem em cidades situadas no interior do País, têm idade a partir dos 45 anos e possuem apenas o ensino fundamental.

A pesquisa concluiu, ainda, que o estado do Ceará é a região do Nordeste que mais se preocupa e teme a doença. Os índices de medo da hepatite no Nordeste brasileiro são elevados para 6%.

De acordo com dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Hepatologia, 50 % dos transplantes de fígado realizados são decorrentes das hepatites virais. Além disso, 75% dos casos de problema no fígado estão relacionadas com a doença.

SAIBA MAIS

O vírus da hepatite C é responsável por muitos casos de hepatite crônica e por alguns casos de cirrose e de câncer de fígado.

Na mulher grávida, é importante salientar a possibilidade de ocorrer a transmissão materno-fetal da hepatite B.

A vacina contra a hepatite A existe desde 1991. É dada em duas doses: a segunda, 6 a 12 meses após a primeira e recomendada para pessoas que viajam com frequência ou que permanecem um longo período em países onde a doença é comum entre a população.

A Hepatite B foi descoberta em 1965 e é a mais perigosa das hepatites. É uma das doenças mais graves do mundo. Torna-se crônica em menos de 10% dos casos, mas pode ser fatal.

Ao ser identificada a hepatite C precocemente (por meio de exames) tratamento é medicamentoso, dura em média 6 meses e não pode ser interrompido.

LÍVIA LOPES
REPÓRTER

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.