Arteterapia

Com corpo, imagem e criação

00:21 · 14.05.2013
É comum ouvir expressões como a arte de falar, de criar, de viver. Mas ela vai além dos jargões e traz benefícios à saúde quando se apresenta como terapia

De um modo geral, a arteterapia é entendida como o uso da experiência artística e criativa no contexto terapêutico visando ao desenvolvimento pessoal. É assim que define Raimundo Severo, expoente do método no Ceará há cerca de 20 anos. Psiquiatra e psicoterapeuta, Severo é mestre em arte como estratégia de saúde mental e fornece formação em arteterapia no Instituto Aquilae, do qual é fundador.

Daniele Tavares e o arteterapeuta e psicomotricista Genivaldo Macário
Foto: Kleber Alves Gonçalves

Fazer arte não é o mesmo que fazer arteterapia. "O trabalho em terapia, a psicoterapia, não necessariamente utiliza um recurso artístico. A arte, apesar de frequentemente levar a um processo de desenvolvimento pessoal, não tem essa proposta para todo processo artístico. Fazer arteterapia também não implica que o resultado desse trabalho tenha um reconhecimento artístico no meio cultural. O foco maior está no processo e não na estética do produto ou no resultado", argumenta.

Conhecimento

No entanto, é fundamental saber arte para atuar com a prática, além de entender sobre terapia. "O domínio da linguagem artística trabalhada é essencial. Na linguagem em movimento, trabalha-se com espaço, tempo, peso, fluxo, que são categorias próprias. Quando se executa a imagem, há aspectos como ponto, linha, plano, luz, volume, entre outros, que devem ser conhecidos", justifica.

No caso de Raimundo Severo, cujo foco principal é a dançaterapia, a linguagem corporal é uma das vertentes que estuda incisivamente, junto com a arte contemporânea, já que ela também se dedica aos processos de criação. "Precisei estudar bastante dança para trabalhar arteterapia com foco na dança. Há quem tenha o domínio da linguagem visual. Usa-se esse conhecimento para estimular processos criativos autobiográficos. O objetivo é fazer as pessoas falarem de si e da sua existência", diz.

Independentemente da linguagem, o processo é o mesmo. Composto pelo momento de experimentação, de criação e, posteriormente, de diálogo sobre a experiência vivenciada no dia, com o intuito de compartilhar aprendizado sobre si mesmo. As sessões de arteterapia variam de acordo com o tipo de trabalho, mas costumam durar de 2 a 2 horas e meia, e podem ser realizadas individualmente ou em grupo.

No atendimento individual, após conversar com o terapeuta, o paciente expressará questões pertinentes através do material artístico escolhido, como o desenho, a pintura, a modelagem, a colagem, a escultura e a fotografia.

Dançaterapia

Já na dançaterapia, Severo prefere realizá-la em grupo: "Estimulo a consciência corporal com exercícios de educação somática para a ampliação da percepção. Depois, baseado nos princípios de Rudolf Laban, proponho movimentos. É preciso proporcionar conhecimento para a pessoa se apropriar da linguagem expressiva do corpo. A partir daí, a criação é espontânea. Eventualmente, proponho que construam composições autobiográficas", complementa.

Não há a intenção de apresentar como dança cênica, mas sim a preocupação com o processo de criação. Em seguida, todos discutem sobre a experiência. "Não é simplesmente colocar uma música e pedir para as pessoas se moverem".

VICKY NÓBREGA
ESPECIAL PARA O VIDA

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