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Cinco casos de disfagia

19:54 · 01.10.2011
Dona Joana, antes bem-disposta e independente, perde a autonomia, a capacidade de falar e o paladar. Também não tem saliva na boca. O motivo da disfagia: um câncer de mandíbula não detectado a tempo.

O quadro de saúde de Amenaide também é complexo. Ela não consegue engolir porque tem mal de Chagas - doença que poderia ter sido evitada apenas com medidas sanitárias. Desnutrida, ela é rejeitada pela família, que considera absurdo os "rituais" que a jovem pratica para tentar engolir. A luta para ser "normal" acaba tornando Amenaide amarga e, ao mesmo tempo, transforma-a numa pária.

Estas são algumas das histórias relatadas pela fonoaudióloga Patrícia Amaral na obra "Degluta - A luta de cinco brasileiros contra a disfagia" (Plexus Editora, 160 páginas, R$ 38,90). Os casos foram presenciados por ela no Hospital das Clínicas de São Paulo (onde atuou por três anos).

Experiente no atendimento de pacientes com um nível extremo disfagia, que impede os indivíduos de engolir os alimentos -, Patrícia desenvolveu uma tese polêmica: a de que a maioria dos doentes que atendeu poderia ter evitado a doença se tivesse condições de vida decentes e acesso ao sistema de saúde.

Outras histórias

Segurança de banco e bebedor contumaz, Fábio desenvolve um tumor na língua e o câncer se espalha pelo pescoço, levando os médicos a fazer uma cirurgia esteticamente deformante e que lhe tira o movimento do braço. Além de perder a capacidade de falar, ele é obrigado a se aposentar no auge da vida.

A autora costura cada caso com os bastidores do funcionamento de um grande hospital e com dados atualizados sobre a saúde no país. Destinado a profissionais de saúde, mas especialmente a cidadãos críticos, "Degluta - A luta de cinco brasileiros contra a disfagia" permite ao leitor refletir sobre as mazelas que se abatem sobre a população brasileira.

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