Chegar à autocura - Viva - Diário do Nordeste

SELF-HEALING

Chegar à autocura

29.11.2008

Meir Schneider criou um método que hoje leva o seu nome e favorece a recuperação da saúde

O ser humano conta com uma capacidade inata de criar. Apesar de não compreender muito bem como funciona esse potencial imenso que carrega em seu interior para promover também sua saúde e seu bem-estar, vai tateando no escuro até encontrar e desenvolver seus talentos, motivado por outros que tiveram experiências exitosas.

Foi o que se sucedeu com Meir Schneider. Nascido em Levov, na Rússia, contava com uma herança trágica em seu meio familiar: a cegueira. A avó, já atenta a esse estigma familiar, foi a primeira a perceber sua deficiência e se empenhar em ajudá-lo pelas vias normais da medicina.

Schneider foi submetido desde tenra idade a inúmeras cirurgias, todas sem muito sucesso, apenas ajudando-o a recuperar um mínimo de visão que não permitiu que ficasse em completa escuridão e nutrisse em sua alma a esperança de um dia enxergar.

De origem judia, a família mudou durante a Segunda Guerra para Polônia e, em seguida, para Israel. Quando jovem, tentava levar uma vida relativamente, normal. Fazia muitas coisas sozinho, aprendeu a andar de bicicleta, jogar futebol e, conta, levou quedas e foi atropelado inúmeras vezes.

Relata em seu livro ´Movimento para autocura´ (Editora Cultrix), como chegou ao Self-healing. Com muita reverência pela medicina moderna, compreendeu na juventude, ao conhecer outro jovem que se curara, Isaac, que os músculos de seus olhos eram muito fracos e havia muito tecido cicatricial, decorrente das inúmeras cirurgias de catarata as quais fora submetido. A alternativa seria melhorar seus olhos com exercícios continuados.

Automotivação

Os médicos não acreditam ser possível melhorar certas condições patológicas com exercícios porque as pessoas são muito imediatistas e, por isso mesmo, indisponíveis para práticas regulares e continuadas. Logo se cansam e desistem. Constata-se isso facilmente ao se observar o número de inscritos em academias de ginástica e aqueles que, de fato, as freqüentam com a regularidade proposta para se obter algum condicionamento físico.

O primeiro exercício ensinado por Isaac a Meir Schneider foi o “palming”, um método para relaxar os músculos e nervos dos olhos que se constitui em sentar-se em uma cadeira virado para o encosto, apoiar nele os braços e colocar as mãos espalmadas nos olhos, de modo a relaxar pescoço, face e os olhos.

O que distingue os movimentos do Meir Schneider Self-Healing de outros métodos e técnicas de reabilitação, segundo o presidente da Associação Brasileira de Self-healing, Wilson Garves é a característica de seu próprio criador, ou seja, a determinação na prática continuada de exercícios para reverter uma condição pré-estabelecida.

“O Método Meir Schneider se caracteriza, principalmente, por estimular no indivíduo a consciência cinestésica (do movimento), os recursos que o seu corpo tem de se regenerar. Assim, fica evidente que o indivíduo que nos procura se torna um agente importante no processo de sua recuperação. É um método holístico e, como tal, vê o indivíduo como um todo. Se estou com uma cefaléia preciso ver a tensão que está em todo o corpo, principalmente, nos músculos das costas”.

Liberar tensões

Garves é formado pelo método de Schneider e diz notar nos clientes que o procuram e praticam os exercícios em casa com mais assiduidade, segundo recomendação, que estes sempre obtêm avanços mais positivos do que os que querem se beneficiar da prática quando está com seu acompanhamento terapêutico.

´O método foi construído a partir da própria necessidade do Meir de enxergar. Foram dias e dias até ele ver os primeiros resultados. Acreditando em si e se trabalhando, simultaneamente, foi aos poucos ajudando algumas pessoas que tinham problemas relacionados a movimento, dores e visão. Desta forma foi constituindo o Método Meir Schneider Self-healing´.

A experiência exitosa de um indivíduo tende a motivar outros por acreditarem no processo de autocura, mesmo em caso de doenças severas, atesta Garves. Ele apenas adverte quanto à responsabilidade do profissional sobre o estado clínico de um paciente e, nas condutas permitidas a este indivíduo, estimulá-lo a ir além das concepções de sua mente. São as idéias e crenças sobre a impossibilidade de se alcançar o bem-estar que impedem alguém de lutar por sua melhora, sua qualidade de vida e, até mesmo, para a cura definitiva do seu caso, constata Garves.

O presidente da ABSH indica serem muitas as variáveis que acabam por determinar a recuperação total de um paciente. Em sua experiência, os maiores êxitos ocorrem no tratamento de doenças neuromusculares, de coluna e articulações. São nestas áreas que costuma ver resultados interessantes e eficazes. E, mesmo que o quadro clínico permaneça, a qualidade de vida do paciente melhora tanto que, para ele, não faz muita diferença estar ou não com a doença.

Ser responsável

Wilson Garves cita o caso de uma senhora de 72 anos que não acreditava poder reverter sua escoliose. Com muita prática em casa e assiduidade nas sessões, se recuperou das dores e, também, reverteu em muito a estrutura desviada de sua coluna.

Outro, um adolescente com uma cifose de 90 graus (o normal da curvatura torácica é de cerca de 55 graus), levado pela mãe a diversos ortopedistas tinha como solução indicada uma cirurgia de risco. Após a prática de Self-healing por dois anos, a curvatura da coluna torácica do rapaz chegou a 65 graus.

Meir Schneider esteve no início do mês no Rio de Janeiro, ministrando um curso para ensinar como se recupera a visão. Seu sistema holístico desenvolve a inteligência inata do corpo e diz que os movimentos facilitam a criação de novos circuitos neurais.

FIQUE POR DENTRO

Sistema holístico de reabilitação e prevenção

O método Self-healing de autocura se constitui de exercícios determinados, desenvolvidos por Meir Schneider, um deficiente visual de nascença que recuperou a visão. Trata-se de um sistema holístico, não-médico, de reabilitação e prevenção. É integrado, combinando educação dos movimentos, massagem terapêutica, automassagem, movimento passivo, exercícios de movimentos suaves, respiração, visualização e treinamento de visão.

O método vai além das expectativas inconscientes que programam o que pensamos, como nos movemos, respiramos e vemos; ensina novas maneiras de nos mover e de viver. Propõe aprendermos a utilizar músculos e articulações de forma consciente e equilibrada.

MOVIMENTOS

Além do ´palming´, que é a espalmação sentado em uma cadeira, a pessoa que tem deficiência visual pode exercitar seus olhos de modo simples, olhando para o próprio dedo indicador (alternando as mãos) e movendo-se, da direita para a esquerda e retornando para a posição anterior.

Ao alongar as mãos, estendendo os dedos e os mantendo alongados por dez respirações profundas, várias vezes ao dia (enquanto descansa ou realiza outra atividade diária) alivia problemas de artrite.

Outro alongamento conhecido, usando a parte traseira de uma cadeira para se apoiar, levantando um pé atrás e segurando o tornozelo, ajuda nos problemas das costas.

O exercício facilita na soltura da pelve, normalmente, região bastante tensionada e dolorosa. Dobrar um joelho e passar por cima do corpo para tocar o chão do lado oposto.

ROSE MARY BEZERRA
Redatora

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