CUIDADOS

Check-up das unhas

02:58 · 30.01.2011
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Observar o estado geral das unhas é vital, pois elas sinalizam doenças físicas e emocionais

Manter as unhas bem cuidadas é uma prática comum, principalmente entre as mulheres. Hoje há técnicas (unhas de porcelana e decoradas), produtos e esmaltes de todos os tipos e cores, desenvolvidos para satisfazer um público ávido por novidades. A importância das unhas, no entanto, não se restringe à aparência, pois quando esteticamente feias, sujas, quebradiças ou roídas podem indicar enfermidades (locais e sistêmicas), além de problemas de ordem emocional.

As unhas são formadas por uma camada espessa e quase transparente de ceratina, que protege a extremidade dos dedos, permitindo a visualização de lesões sub-ungueais e o consequente diagnóstico de algumas enfermidades, esclarece a dermatologista e professora do curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), Dra. Maria José Diógenes.

Além de doenças locais como inflamações (paroniquias), onicomicoses, ocnicobacterioses, verrugas, onicofagia, problemas sistêmicos como hipotiroidismo, diabetes, anemia, doenças cardiovasculares, dentre outros, algumas alterações cutâneas podem se manifestar e serem percebidas por intermédio das unhas. "Qualquer doença consutiva ou que afete o estado nutricional pode alterar as unhas, sendo importante lembrar a anorexia nervosa pela maior frequência com que vem sendo observada na atualidade", indica a especialista.

Renovação

Unhas saudáveis renovam-se periodicamente. Nas mãos, a renovação acontece a cada seis meses (período em que a unha sai de sua matriz a estende-se até a borda livre) e, nos pés, a cada 12 meses, em média. Mas para que isso aconteça, o indivíduo deve se encontrar em bom estado nutricional, evitando as dietas para emagrecer (sem a devida orientação médica), manter o organismo bem hidratado e a saúde de um modo geral (física e emocional).

Dra. Maria José Diógenes também chama atenção para os cuidados essenciais como evitar a compressão dos dedos (por calçados apertados ou desconfortáveis), de traumatismos peri-ungueais (e/ou ao nível da matriz ungueal), além de reduzir o uso de produtos químicos que possam ressecar a lâmina ungueal, entre outros.

Emocional

Além das unhas, a pele os cabelos destacam claramente a vaidade feminina. "Qualquer mudança brusca nestes elementos pode sinalizar problemas na psique", segundo a psicanalista Denise Castelo Branco Martins Monteiro. Explica que, inicialmente, deve-se investigar e descartar quaisquer problemas físicos que possam resultar em unhas enfraquecidas, tais como alterações hormonais, carências vitamínicas, quadros pós-cirúrgicos, uso de alguns tipos de medicamentos. E que não é prudente culpar o estresse por tudo o que possa ocorrer com a saúde.

Embora níveis elevados de estresse levem a uma intensa liberação de substâncias, como o cortisol, "é essencial organizar as variáveis e checar o quadro geral do paciente". Isto porque em estados de tensão e ansiedade, há os que roem as unhas, outros que trincam os dentes e os outros que chegam até a se auto-agredir, com os denominados sintomas conversivos, arrancando os próprios cabelos.

Fique por dentro
Traumas e lesões são riscos constantes

As unhas são feitas das mesmas substâncias que os cabelos: ceratina, um tipo de proteína.

Cada uma delas é composta de diversas partes (seis, ao todo), as quais em conjunto contribuem para a saúde, o crescimento e o bom estado geral.

Estas são a lâmina ungueal (camada externa visível); leito ungueal (camada abaixo da lâmina e conectada a ela, nutrida por vasos capilares que lhe dão a cor rosada); matriz (a parte mais importante, no entanto, não visível, a qual fica sob a cutícula, na base da unha); lúnula (parte visível da matriz, em forma de meia lua); cutícula (parte que excede a lúnula, formando uma dobra ressecada de células mortas) e dobra da unha (elevação da pele ao redor da unha).

As queixas nos consultórios dos dermatologistas em relação às unhas costumam ser variadas. Algumas são mais frequentes, decorrentes de sua constituição (se estão íntegras, deformadas ou quebradiças). As causas sempre devem ser avaliadas por um especialista.

Quando se quebram muito, normalmente, é devido ao ressecamento, falta de hidratação, ou umidade excessiva. Embora esta umidade possa parecer paradoxal, é comum acontecer devido ao uso extremo das mãos nos trabalhos domésticos (como lavar louça, roupa, entre outras) ou atividades profissionais que requeiram que elas passem muito tempo molhadas ou submetidas a produtos químicos, como os de limpeza ou removedores de esmalte.

Embora não pareça, os especialistas advertem que os traumas e ferimentos causados por esse tipo de substância são realmente prejudiciais para a constituição das unhas.

Prevenção

"Produtos de limpeza mudam o pH da pele, favorecendo bactérias e fungos"

Maria José Diógenes
Médica Dermatologista e professora da UFC

"Não é prudente ir logo culpando o estresse por tudo o que acontece conosco"

Denise C.B. Martins Monteiro
Psicanalista

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