Entrevista com Virgínia moreira

Ceará é referência em psicologia humanista

00:21 · 14.05.2013
Maiores expoentes mundiais debatem sobre as práticas da Abordagem Centrada na Pessoa

A comissão organizadora do XII Fórum Internacional da Abordagem Centrada na Pessoa, que acontece de 26 de maio a 1º de junho, no Hotel Vila Galé, na Praia do Cumbuco. O evento reunirá os maiores expoentes mundiais em ACP FOTO: DIVULGAÇÃO

O que diferencia a ACP das a outras linhas da psicologia humanista?

Seu diferencial consiste na ênfase que a ACP atribui à relação psicológica de ajuda como facilitadora do crescimento pessoal. Partindo da ideia de que o ser humano tem um potencial de desenvolvimento que lhe é inerente, seu método de trabalho busca facilitar ao paciente o acesso a seus próprios recursos internos de transformação e desenvolvimento.

Fale-nos sobre as primeiras referências da ACP datadas da década de 1940?

Carl Rogers criou uma proposta inovadora de psicoterapia nos anos 1940, nos Estados Unidos, chamada inicialmente de Psicoterapia Não-Diretiva. Posteriormente, passou a ser chamada de Psicoterapia Centrada no Cliente e, finalmente, de Abordagem Centrada na Pessoa, quando ampliou, em seus últimos anos, a outros campos de atuação como a escola, as organizações e os grupos.

A ACP pode ir além da psicoterapia individual. É possível aplicá-la também em grupos?

Certamente. O trabalho em grupo é um dos pontos fortes das abordagens humanistas em psicologia, tendo em vista seu caráter eminentemente compreensivo. Minha experiência clínica como psicoterapeuta nos últimos 30 anos, em Fortaleza, tem se dado não apenas em psicoterapia individual, mas também em psicoterapia de casais e grupos. São mudanças muito significativas nas vidas das pessoas que vivenciam estes processos, seja no âmbito existencial, por problemas como separações, luto, estresse, ou nas relações de trabalho, seja no âmbito patológico como no caso de depressão, transtornos alimentares, pânico ou esquizofrenia.

O trabalho com psicoterapia de grupo representa uma contribuição importante no campo da saúde mental e coletiva, nem sempre utilizada em todo o seu potencial. Essa é a razão pela qual a aprendizagem sobre a facilitação de processos grupais é um dos focos que mais busco consolidar na formação dos jovens psicoterapeutas que estudam comigo.

Nas décadas de 1970 e 1980, Carl Rogers veio ao Brasil para disseminar seus conhecimentos e compartilhar a prática clínica com profissionais brasileiros. Quais treinamentos foram realizados no período?

No fim da década de 1970 e 1980, Carl Rogers esteve em Recife e no Rio de Janeiro onde promoveu workshops para um grande número de pessoas, quando mostrou e pesquisou seu método de trabalho com grupos. Como parte da sua equipe de La Jolla, USA, estiveram no Brasil os facilitadores de grupos John Keith Wood e Maureen O´Hara que, nos anos de 1980, promoveram treinamentos e formação em ACP e Gestalt terapia no Brasil. Nesse mesmo período, esses dois professores estiveram também em Fortaleza onde facilitaram workshops e treinamentos. Eu, Gercileni Campos de Araújo, Georges Boris, Célio Freire, Carlene Dias e Francisco Parente, entre outros colegas cearenses, tivemos o privilégio, naqueles anos, de sermos jovens alunos nessas atividades de curta duração aqui em Fortaleza. Encantada com essa abordagem clínica pedagógica fui, então, realizar minha formação em São Paulo, com John Wood e Rachel Rosemberg (USP), uma das pioneiras da ACP no Brasil. Desde então, tenho aprofundado a prática e a pesquisa da psicoterapia no consultório e no Laboratório de Psicoterapia Humanista Fenomenológica Crítica (Apheto) da Unifor, em uma vertente fenomenológica. Atualmente, já formei em Fortaleza várias gerações de psicoterapeutas humanistas fenomenológicos, alguns dos quais também formaram novos profissionais. Colegas de outros estados nordestinos formam profissionais humanistas já há vários anos. Assim, é significativo o número de profissionais que atuam no enfoque humanista inspirado na Abordagem Centrada na Pessoa.

O que motivou a escolha de Fortaleza para sediar um evento do porte do XII Fórum Internacional da Abordagem Centrada na Pessoa?

É um produto da história, agora com mais de 30 anos, da psicologia humanista no Ceará. Em maio de 2010, quando participei do último fórum internacional, realizado em Moscou, na Rússia, aceitei o convite da comunidade internacional da ACP para realizar este evento no Ceará, contando com apoio de ex-alunos e colegas psicoterapeutas humanistas e que hoje constituem a comissão organizadora deste grande evento. Tendo em vista a nossa história cearense, o fórum presta uma homenagem à memória de John Keith Wood.

O Fórum contará com a presença de expoentes da ACP em todo o mundo.

Serão representantes de 13 países, contemplando uma grande diversidade de contribuições na área da psicologia humanista e, mais especificamente, da ACP. Estes são alguns dos trabalhos que serão apresentados: Maureen O´Hara/EUA (A psicologia humanista na contemporaneidade); Veniamin Kolpaclmikov/Rússia (Diferenças e aproximações entre a terapia centrada na pessoa e a terapia existencial); João Hipólito, Odete Nunes e Rute Brites/Portugal (Diagnóstico e ACP); Sofia Von Humboldt, Isabel Leal, Georgeta Niculescu, Florentina Palada, Corina Pânzaru, Michaela Tudosie, Nicoleta Spiru, Michaela Teodorescu, Irina Mihaila/Romênia (Adaptação ao envelhecimento e idade subjetiva); Kazuo Yamashita/Japão (ACP e Dharma); Enrique Rivera Medina/México (Reestruturação familiar e morte); Marguerita Fougier/Itália (ACP e esporte); Vera Lúcia Alves, Ariane Massei, Helen Mozena e Marua Eufrázia de Faria/Brasil (A produção acadêmica brasileira em ACP); Virgínia Moreira, Liane Landim e Geórgia Romcy/Brasil (John Keith Wood e a psicologia humanista brasileira).

Quais serviços de psicologia humanista estão hoje disponíveis para a população cearense?

São disponibilizados nos serviços de psicologia aplicada das universidades e faculdades de psicologia, oferecendo à população atendimentos diversos em psicoterapia, além de plantão psicológico. Alguns atendem gratuitamente, enquanto em outros são cobrados apenas preços simbólicos.

Serviços

Universidade de Fortaleza
Serviço de Psicologia Aplicada Atendimento: 8h às 20 horas
Telefone: (85) 3477.3644/3643

Universidade Federal do Ceará

Clínica-Escola de Psicologia
Atendimento: 8h às 20 horas
Telefone: (85) 3366.7690
(Novas consultas a partir de agosto)

Universidade Estadual do Ceará

Serviço de Psicologia Aplicada
Atendimento: 8h às 18 horas
Telefone: (85) 31019981

Faculdade de Tecnologia Intensiva

Atendimento: 8h às 20 horas
Telefone: (85) 3533.7066

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