FIBROMIALGIA

Carinho também pode doer

18:22 · 11.06.2011
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O paciente fibromiálgico fica com a sensibilidade tão exacerbada, que um simples toque (carinho) pode potencializar ainda mais o estado da dor difusa
O paciente fibromiálgico fica com a sensibilidade tão exacerbada, que um simples toque (carinho) pode potencializar ainda mais o estado da dor difusa ( FOTO: ARQUIVO )
ERRONEAMENTE, OS PACIENTES SE ACOSTUMAM A CONVIVER COM ESSA DOR CRÔNICA E DIFUSA

A falta de informação faz com que a maioria dos brasileiros demore, em média, até 29, 2 meses (quase 2,5 anos) para procurar ajuda médica após experimentarem os sintomas da fibromialgia.

Este foi um dos resultados da pesquisa "Fibromialgia: além da dor", realizada pelo Instituto Harris Interactive a pedido da Pfizer. O estudo contou com 904 participantes (604 médicos e 300 pacientes ) no Brasil, México e Venezuela.

Rotina de dor

No Brasil, 98% dos pacientes concordam que a fibromialgia é uma doença que não se conhece bem, enquanto 77% dos clínicos gerais e 84% dos especialistas acreditam que a enfermidade não é muito conhecida entre os próprios médicos.

Segundo o reumatologista Eduardo Paiva, chefe do Ambulatório de Fibromialgia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, os sinais da dor crônica e difusa precisam ser valorizados. "Caso o paciente tenha uma dor que não passa durante três meses, ele deve procurar um médico", afirma .

Dormir e acordar com dor por dias, semanas e meses a fio. Ser um paciente fibromiálgico representa também ter uma rotina pontuada pelo medo e desconhecimento sobre a doença. A pesquisa confirmou que a fibromialgia impacta fortemente a qualidade geral de vida (91%) dos portadores, pois compromete a mobilidade física (79%); a motivação e a iniciativa (69%); a concentração e a memória (68%); e o estado geral de ânimo (67%).

Entre os outros problemas relacionados à fibromialgia mencionados pelos pacientes estão: fadiga (96%); dormência ou formigamento (96%); problemas para dormir (95%); ansiedade (91%) e depressão (88%).

Com sintomas tão debilitantes é fato que a doença prejudica a capacidade de trabalho do portador, e o rendimento profissional tende a cair vertiginosamente. Segundo a pesquisa, 59% dos pacientes sentem-se limitados na carreira e 50% só se acham capazes de trabalhar às vezes e sem ganhar tanto quanto antes de receber o diagnóstico.

O equilíbrio emocional fica de tal forma abalado que 37% dos entrevistados alegaram não se sentirem capazes de trabalhar e de receber um salário; 35% dos pacientes afirmam ter perdido o emprego em consequência da doença.

Anamnese detalhada

Diante dos múltiplos e complexos sintomas (comuns a várias outras patologias), existe um consenso quanto a necessidade de os médicos dedicarem mais tempo com os pacientes para o diagnóstico da fibromialgia. "É preciso voltarmos ao antigo hábito das entrevistas minuciosas para entendermos melhor os sintomas", cita o Dr. Eduardo Paiva.

Tal condição mostra a necessidade das escolas médicas darem mais espaço à fibromialgia nas grades curriculares.

Pesquisa

77% dos pacientes pensaram que os sintomas desapareceriam sozinhos;

75% imaginavam ser capazes de controlá-los;

65% não sabiam que se tratava de uma doença que exige cuidados médicos;

63% não sabiam como descrever os sintomas ao médico;

29% temiam que o médico não os levasse a sério.

Fonte: Pesquisa Fibromialgia: além da dor/Pfizer

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