CUIDADOS

Caça aos insetos

20:51 · 06.08.2011
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Pingar algumas gotas de óleo de cozinha para imobilizar o inseto é a primeira medida a ser tomada
Pingar algumas gotas de óleo de cozinha para imobilizar o inseto é a primeira medida a ser tomada ( FOTO: MARÍLIA CAMELO )
A ENTRADA DE INSETOS NO CANAL AUDITIVO PODE EVOLUIR E INFECTAR. CUIDADO REDOBRADO COM O USO INADEQUADO DE COTONETES

Imagine estar dormindo tranquilamente, aproveitando um momento de descanso, quando começa a sentir uma cocegazinha no ´pé da orelha´ e, de repente, descobre que um inseto invadiu seu ouvido. A reação não é das melhores, muito pelo contrário: as tentativas de escapar do inseto resultam num ruído potencializado pela proximidade com o tímpano, membrana que capta as vibrações das ondas sonoras. A sensação é de que há um cavalo trotando dentro do canal auditivo. Fora isso, o barulho constante e a inquietação do bicho começam a acarretar numa forte dor de cabeça. Diante de todo esse incômodo, a única coisa que vem à mente é a dúvida sobre o que fazer para tirar aquele ser estranho de dentro do ouvido.

Pingar algumas gotas de óleo de cozinha para imobilizar o inseto e evitar que ele cause maiores danos é a primeira medida a ser tomada. Segundo recomenda o Dr. Eric Haguette, otorrinolaringologista e professor de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), "a entrada de insetos no ouvido é muito frequente. Matar o inseto deve ser a primeira providência, pois sua presença pode machucar o tímpano, região mais sensível do ouvido". O passo seguinte é ir ao otorrinolaringologista - único profissional que possui ferramentas e técnicas seguras para sanar o problema. Afinal, o canal auditivo é um orifício muito pequeno e qualquer tentativa de retirar o animal por conta própria (com cotonetes e outros objetos) pode ser prejudicial.

A incidência de insetos que penetram os ouvidos ocorre principalmente em adultos (durante o sono). Em alguns casos, o animal pode acabar morrendo e a pessoa nem saber que está com um corpo estranho dentro de si. "Se demorar muito para retirar, pode ocasionar uma otite, inflamação na parte externa do ouvido. Se não for ao otorrino para limpar, o inseto pode se degenerar lá dentro e desencadear um processo inflamatório", destaca o médico.

Limpeza inadequada

Além de insetos, também são bastante comuns os casos de pessoas com objetos inanimados no ouvido. Nos adultos, a principal causa desse tipo de acidente é a tentativa de limpar as orelhas de forma inadequada. "Muita gente pega palito de fósforo ou de dente e enrola um pedaço de algodão para limpar o ouvido. O problema surge quando o algodão se solta dentro da cavidade. Importante: não se deve limpar o ouvido, nem com cotonete, pois ele tem um mecanismo de auto-limpeza que expulsa o excesso de cera, de sujeira".

Mas são as crianças as mais afetadas. A falta de noção do perigo e a curiosidade são responsáveis pela inserção de objetos estranhos, desde caroços de feijão, naftalina e baterias de relógios. Nesses casos, a busca de ajuda médica deve ser imediata. Os piores casos são os com sementes, pois quando se coloca água ou óleo buscando retirar o grão, ele pode inchar, tornando a saída mais difícil e causando uma dor no ouvido ainda maior. As baterias também representam um grande perigo, já que liberam substâncias corrosivas que podem levar à necrose da região afetada.

Embora seja o principal alvo de corpos estranhos, o ouvido não é o único órgão lesado por esse tipo de acidente. As narinas comportam objetos ainda maiores que os suportados pelos ouvidos e também estão na mira das crianças que, em suas brincadeiras, depositam sementes, pedrinhas e peças de brinquedos.

Muitas vezes, porém, por medo de represálias dos pais, elas acabam omitindo a presença de um objeto no nariz, ou mesmo esquecem que colocaram algum objeto no local. Assim, é prudente que os pais fiquem atentos a ocorrência de secreções amareladas, purulentas e mal-cheirosas que saem apenas do lado no qual o objeto foi inserido, sem que a criança esteja resfriada.

FIQUE POR DENTRO
Apetite de avestruz

A relação de objetos estranhos encontrados no corpo dos pacientes é bastante extensa e conta com muitos casos exóticos e que podem resultar em sérios danos à saúde. O otorrinolaringologista Eric Haguette relata que são encontrados desde bolinhas de jornal, porcas de brincos e até miçangas de colares que são introduzidas erroneamente no canal auditivo.

O médico endoscopista Wilson Meireles garante que também já observou muita coisa estranha ser engolida, o que é comprovado pelas radiografias que mostram objetos como anel, moedas, tampa de metal, prego, chaveiro, crucifixo e até mesmo escova de dente, colher e garfo. "Encontramos de tudo. Geralmente, esses objetos mais esdrúxulos são observados em pessoas com deficiência mental, mas já retirei uma fivela de cinto de um homem que estava sob o efeito de drogas." Dr. Wilson atende a esses casos no Instituto Dr. José Frota, que possui um serviço de emergência (24h) de otorrinolaringologia e endoscopia respiratória.

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