DIABETES

Busca pelo controle do diabetes tipo 2

21:54 · 29.10.2011
Doença causa complicações em diferentes órgãos. Rins estão entre os mais afetados

Não é causado por vírus, bactéria ou qualquer outro microrganismo, mas parece uma epidemia. O diabetes faz parte da vida de 366 milhões de pessoas no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS)e estima-se que os números vão crescer ainda mais. No Brasil, 10 milhões convivem com a doença e 6,5% desse índice encontra-se no Ceará.

A doença se caracteriza pelo comportamento anormal do organismo em relação ao hormônio insulina, seja parando a produção (tipo 1) ou impedindo que o hormônio aja nas células (tipo 2). A função da insulina é permitir a entrada da glicose, principal fonte de energia das células humanas. A prevalência em mais de 90% dos casos é o tipo 2. Como essa categoria da doença não costuma apresentar muitos sintomas, o diagnóstico é tardio. "A pessoa pode passar meses, ou mesmo anos, até descobrir a doença, o que geralmente ocorre de maneira ocasional, às vezes numa internação ou num exame de sangue", afirma o endocrinologista Marcos Tambascia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Complicações

Se o problema não for controlado, pode afetar o cérebro, o coração, os olhos, o sistema nervoso e os rins. "Quem tem diabetes está sujeito a ter um acidente vascular cerebral, uma doença cardiovascular, uma retinoplatia ou uma complicação mais grave nos rins", diz Tambascia.

Os problemas renais merecem uma atenção especial, pois os medicamentos utilizados para tratar o diabetes podem aumentar as complicações. Segundo a endocrinologista Thaís Gomes de Melo, qualquer medicamento possui um ciclo de ação no qual depois que desempenha a sua função, é expelido através da urina, das fezes, do suor, ou mesmo pela respiração.

A maioria dos medicamentos para diabetes atualmente no mercado são expelidos quase em sua totalidade através da urina. Os rins são os órgãos responsáveis pela filtragem do sangue, eliminando as impurezas através da urina. Os medicamentos cuja excreção se dá por meio desse canal comprometem ainda mais os rins já debilitados dos pacientes diabéticos que possuem o problema.

Danos aos rins

Cerca de 65% das pessoas com diabetes tipo 2 estão na faixa de risco de desenvolvimento de algum grau de insuficiência renal. De acordo com Artur Beltrame, professor de Nefrologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a doença nos rins diminui a expectativa de vida dos portadores de diabetes e contribuem com o risco de outras complicações, como as doenças cardiovasculares. "Se os rins não limpam o sangue corretamente, o corpo retém mais sais do que deveria. Isso pode ocasionar aumento de peso, inchaço no organismo como um todo, além de outras complicações mais graves", afirma Beltrame.

Os custos do tratamento aumentam significativamente nos pacientes com problemas renais, pois dependendo da gravidade do quadro, deve ser submetido a sessões regulares de hemodiálise, tratamento cuja função é desintoxicar o sangue, com a ajuda de aparelhos especiais. Calcula-se que pacientes que são portadores de uma doença renal em estágio terminal aumentam os gastos com a doença em até 771%.

Controle efetivo

O diagnóstico de diabetes se dá quando, num exame de sangue feito em jejum, o índice de glicemia é igual ou maior que 126 mg/dl. Se a medida persistir depois de realizar novamente o teste, a pessoa deve iniciar o tratamento para controlar a doença. Além das recomendações para a prática de atividades físicas, manutenção do peso e alimentação saudável, o portador de diabetes fazer o monitoramento contínuo para detectar o mais rápido possível qualquer outra complicação causada pela doença.

A intenção principal é manter os níveis de glicose nos parâmetros normais, com a adoção de hábitos mais saudáveis, em conjunto com a medicação adequada.

Dentre os principais fatores de risco associados ao diabetes estão a obesidade visceral (quando a gordura fica acumulada no abdome) e o sedentarismo, um dos motivos pelo qual os índices da doença estão crescendo. "Com a mudança das pessoas do campo para as grandes cidades, os hábitos de vida foram mudando e tonando-as mais preguiçosas. Hoje, numa favela, é mais provável você encontrar uma criança obesa que uma criança desnutrida", afirma Dr. Marcos Tambascia.

O histórico familiar é outro elemento de grande peso no desenvolvimento da doença. Pessoas que tiveram familiares diretos com diabetes tipo 2 são três vezes mais propensos a ter o mesmo mal, comparados àqueles que não possuem antecedentes familiares de diabetes. Por isso os médicos alertam para a realização periódica de exames de glicemia em todas as pessoas a partir dos 40 anos, idade de maior incidência da doença.O Viva viajou a convite da Boehringer Ingelheim e da Eli Lilly

Previsão

552 milhões é o número estimado de pessoas com diabetes no mundo para os próximos 20 anos. A doença é responsável pelo óbito de cerca de 4,6 milhões de pessoas anualmente.

Fique por dentro

Linagliptina

A descoberta de um novo princípio ativo promete ser um avanço no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2 e problemas renais. A linagliptina (Trayenta) é um medicamento que reduz os níveis de glicose no sangue e cuja excreção se dá quase totalmente pelo intestino, diminuindo os riscos aos rins. O remédio foi aprovado em julho de 2011 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para o tratamento do diabetes tipo 2, em dose diária de 5mg. No Ceará, a caixa com trinta comprimidos custa R$ 91,00.

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