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Bons hábitos

00:00 · 07.01.2014
Plantar o que se come é o primeiro passo para um novo estilo de vida. Os ganhos psicológicos ocorrem a partir da relação de cuidado do homem com seu entorno

Ao se pensar em horta automaticamente sua imaginação lhe transfere a espaços amplos, abertos e a um ambiente semelhante a um sítio. Mas pode não ser bem assim. Hoje, incluir alimentos sem agrotóxicos na dieta tem sido uma bandeira dos especialistas e adeptos da vida saudável. A possibilidade de conseguir plantar aquilo que se come, para alguns, ainda parece algo distante do estilo de vida urbano. No entanto, "decoram" os céus da cidade, apartamentos cuja varanda e locais mais arejados, ao ar livre, e até suas paredes, estão invadidos por alimentos que compõem as refeições do seu "produtor moderno".

Diana Cavalcante divide com a família o cuidado com a terra e a dieta saudável FOTO: ALEX COSTA

Permacultura

É o caso da massoterapeuta Diana Cavalcante que, junto com seu marido Rafael, há 7 anos cultiva plantas e alguns alimentos em sua casa. Não importa o local por onde já moraram (quitinete, sítio, casa e apartamento), as plantas sempre estão presentes. "Nos envolvemos com a permacultura. Por isso, esse cultivo permanente e a proposta de tentar ir menos possível ao mercado, usufruindo dos alimentos que cultivamos, como coentro, manjerição, cebolinha, tomate, alface, pimentão, além dos ornamentais que sempre plantamos também", conta.

Apesar da utilidade, Diana ainda considera o hábito terapêutico devido à conexão com a natureza. "O contato com a planta, com a água, com a terra é vital. Vivemos em um modelo plástico, longe desse contato, longe de tudo", diz. Os dois filhos do casal também participam do cultivo. "Quando morávamos no sítio, o João e a Maria observavam e interagiam em todo o processo (plantio, floração, cultivo e o preparo dos alimentos).

Hoje, vivendo em apartamento, o hábito não mudou. A cada dois meses, a família faz um "replantio", em que acrescentam ao adubo, farinha de osso e casca de ovo, além de húmus, a fim de renovar os nutrientes do adubo que está no vaso. Muito do adubo é produzido por eles, por meio da compostagem com restos orgânicos. Durante esse "evento", as crianças continuam se envolvendo e participando.

Relação com o ambiente

A interação nesse processo de cultivo é positiva para todas as partes envolvidas direta ou indiretamente. Segundo a psicóloga Marcia Frezza, mestre em psicologia social e institucional, pesquisadora na área de Psicologia Ambiental e Sustentabilidade, o homem e os grupos humanos desenvolvem relações com seu entorno (o ambiente), definido como todos os elementos que compõem o espaço-tempo, não somente os animais, as florestas e os rios como todos os seres, incluindo o próprio homem. Por meio da relação com o ambiente é que o sujeito construirá conhecimento sobre seu entorno, assim como extrairá e organizará as informações e, principalmente, interpretará e dará significado aos dados coletados.

Vicky Nóbrega
Especial para o Vida

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