Nutrição

Biogênicos favorecem a regeneração da vida

00:22 · 03.09.2013
Maria Luiza Branco explica que existem categorias para classificar a energia vital dos alimentos, pontuados ainda na década de 1930 pelo filósofo e naturalista Edmund Szekely. São eles os biogênicos, bioativos, bioestáticos e biocídicos.

Fátima Uchoa afirma que as propriedades nutricionais da alimentação viva, em especial das sementes germinadas, não deixam dúvidas quanto à riqueza de enzimas, vitaminas, aminoácidos e outros compostos orgânicos FOTO: Fabiane de Paula

Aqueles que possuem maior quantidade de energia vital são considerados biogênicos, a exemplo das sementes em processo de germinação e dos brotos, que ainda estão recebendo energia da terra e favorecem a regeneração da vida. Já os bioativos são responsáveis por ativar a vida, pois ainda mantêm a vitalidade do alimento. Estão na lista, as frutas, as verduras e os legumes provenientes da colheita fresca, orgânica e imediata. Ambos são considerados alimentos vivos, destinados pela natureza a assegurar a vida e o bem-estar do ser humano.

"A alimentação viva mexe com os corpos suprassensíveis de cada indivíduo e o verde é algo que, por natureza, tem grande vitalidade. Se você toma um suco de grama de trigo germinado, por exemplo, é possível aproveitar o seu potencial nutritivo máximo", esclarece Fátima Uchoa.

Do contrário, estão os alimentos que pouco ou nada contribuem para a vida. Dentre eles, os bioestáticos, cuja energia vital foi diminuída pelo tempo (caso dos crus em estoque), pelo frio (refrigeração ou congelamento) ou pelo calor (cozimento). Seu consumo garante o funcionamento mínimo do organismo, mas não fornece substâncias vivas básicas.

Há ainda os biocídicos que, apesar de serem os mais consumidos, também são os mais prejudiciais. Considerados os responsáveis pelas doenças modernas (problemas cardiovasculares, câncer, reumatismo, diabete e depressão), esse grupo integra qualquer alimento que teve sua energia vital suprimida pela industrialização ou processos químicos, como conservantes e aromatizantes.

"Muitos estudos apontam que esses alimentos impedem a condução de energia intracelular e, consequentemente, enfraquecem o organismo. Ou seja, os biocídicos seriam aqueles que destroem e consomem a vitalidade do corpo", salienta Maria Luiza Branco.

Mais nutrientes

Apesar de não haver mecanismos para medir a vitalidade dos alimentos (afinal, ela deve ser experienciada, e não mensurada), as propriedades nutricionais da alimentação viva, em especial das sementes germinadas, não deixam dúvidas quanto à riqueza de enzimas, vitaminas, aminoácidos e outros compostos orgânicos.

Segundo Maria Luiza Branco, algumas sementes podem multiplicar em até 2 mil vezes suas características básicas quando germinadas. Só em relação à vitamina B, há um acréscimo de 300% a 1.500%.

Por esse motivo, a médica afirma que é possível ter maior saciedade, mesmo quando as sementes são ingeridas em poucas quantidades.

"A vitalidade do processo de germinação é algo especial que ultrapassa as pesquisas científicas. Hoje, com a luz da física quântica, a energia vital que transborda dessas sementes é melhor compreendida".

Já Fátima Uchoa destaca que a lentilha, por exemplo, tem uma quantidade de vitamina C muito pequena. Porém, quando germinada, se torna uma das melhores fontes dessa vitamina.

Além disso, brotos de girassol guardam mais proteínas que o espinafre e brotos de alfafa, se comparadas com a salsa, possuem mais minerais e clorofila, principal fonte de vitalidade.

"Nos primeiros 5 a 10 dias, as plantas jovens alcançam sua máxima densidade nutricional, sendo mais nutritivas do que qualquer outra fase de crescimento. Estão cheias de enzimas, vitaminas, proteínas e minerais que se multiplicam e que são necessários para amadurecer o vegetal até sua fase adulta", destaca.

A acupunturista ainda lembra que, durante e após o processo de germinação, é possível controlar o excesso de ácidos inerentes às sementes que estão associados a dores articulares, azias e enxaquecas. "A germinação promove uma espécie de lavagem dos ácidos e, por isso, é preciso deixá-las de molho, principalmente quando se trata de amêndoas, nozes e avelãs".

Vínculo com o alimento

Devido ao ritmo acelerado da vida moderna, cada vez mais, perdemos contato com a produção e o preparo de nossos alimentos, fazendo da hora da refeição somente mais um momento frente às inúmeras tarefas a cumprir da agenda. A fim de romper com essa prática, a alimentação viva sugere um resgate do vínculo entre homem e alimento.

"Devemos ser o único responsável pelo alimento, já que o nosso instinto alimentar se orienta a partir da nossa própria natureza. Comer é um ato político. Cada vez que você decide o que vai almoçar, você está dizendo quais são os seus valores. O seu prato diz muita coisa", expõe Maria Luiza Branco.

Processo de adesão

O primeiro passo para aderir à alimentação viva é reduzir os industrializados, principalmente aqueles com alto grau de acidez (como carnes, ovos, queijos, chocolates e derivados) e inserir na dieta alimentos menos processados, como integrais e orgânicos. Entretanto, toda mudança deve ser gradativa e, se possível, com acompanhamento nutricional.

"A alimentação viva e crua requer muito mais do metabolismo e, por isso, o corpo precisa se acostumar, até mesmo para poder absorver todos os nutrientes de maneira satisfatória", informa Fátima Uchoa.

No entanto, conforme a médica, é possível ter uma alimentação diversa e, acima de tudo, saudável, apenas consumindo alimentos vivos. "Por meio das sementes e dos brotos é possível ter um leque de opções para a dieta. É tudo muito rico. Basta ter a mente aberta para descobrir o mundo da alimentação viva. De repente você estará fazendo as suas próprias receitas".

FIQUE POR DENTRO

No plantio da comida natural, viva e saudável

Considerado o primeiro projeto em promoção de saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz), o Terrapia, idealizado pela médica e ambientalista Maria Luíza Branco, é um espaço de referência sobre alimentação viva no Brasil.

Por meio de práticas cotidianas, desenvolve uma culinária brasileira sem cozinhar os alimentos e auxilia seus participantes a enxergar o corpo como um ecossistema e um meio de participação na preservação do meio ambiente.

O projeto surgiu em 2009 e, atualmente, conta com a participação de aproximadamente 20 integrantes fixos, além de 40 novos membros que chegam a cada ano. "Decidimos oferecer um espaço para que cada um dos integrantes se apropriem da sua saúde. É um lugar de encontro para que as pessoas possam conhecer uma proposta de alimentação que traga mudanças e transformações, sejam elas físicas, emocionais ou psicológicas", afirma a idealizadora.

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