CAPS

Atenção psicossocial

13:07 · 16.01.2011
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Clínicos gerais são treinados para atender a população com problemas mentais mais leves

A necessidade impulsiona novos tipos de condutas e tratamentos. É o que tem sido feito no serviço público, que tem buscado equacionar as deficiências e limitações nos tratamentos. Com a reforma psiquiátrica, os leitos dos hospitais psiquiátricos foram sendo extintos para darem lugar ao tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), Centros de Convivências e Residências Terapêuticas.

Atenção primária

O avanço na implantação de CAPs em todo o Estado (82 unidades, sendo 14 na Capital, divididas em seis gerais, três infantis e cinco destinados a dependentes de álcool e drogas) não garantiu ainda atendimento a uma demanda crescente de pacientes, com falta, inclusive, de profissionais qualificados. Com isso, os casos que podem ser solucionados no âmbito da atenção primária e na rede secundária são encaminhados para este segmento, enquanto dos quadros mais graves são encaminhados para internação na rede hospitalar.

Embora ainda haja preconceito nos hospitais clínicos quanto a receberem pacientes com transtornos mentais, estes precisam ter garantido o pronto atendimento. Contrário à redução no número de leitor, o presidente da Sociedade Cearense de Psiquiatria (Socep), José Alves Gurgel, diz ser essencial a criação de novas vagas nos hospitais gerais.

Acrescenta que os desafios dos CAPS atualmente são enormes e continuam tendo seu quadro de atendimento avaliado em todo o Estado (são vários os municípios que ainda não possuem uma unidade do CAPs, com alguns funcionando de forma precária, sem um psiquiatra).

Ao longo do ano de 2010, médicos (clínicos gerais) que atendem no Programa de Saúde da Família (PSF) foram treinados para realizar atendimentos de problemas de saúde mental nos postos de saúde. Embora não seja o ideal, no entanto, Dr. Gurgel diz ser necessário esta fase de transição.

Mesmo porque, explica, estes médicos são sempre supervisionados e orientados por um psiquiatra. Segundo ele, existe a inter-consulta, que é feita por um médico generalista que realiza o atendimento no posto de saúde. As dúvidas relativas a alguns casos são encaminhadas para discussão com o psiquiatra, que oferece o suporte necessário para o tratamento.

Outro ponto destacado é fato de nem todos os pacientes estarem dispostos a ser atendidos no CAPs, quando não há gravidade. Os quadros de psicose, dependência química, depressão, pânico e fobias, por exemplo, podem ser tratados pelos médicos do Programa de Saúde da Família; os distúrbios mais complexos são avaliados por um psiquiatra. Dr. José Alves Gurgel informa que "não será criado mais CAPs sem um psiquiatra ".

Segundo o médico, as crianças são encaminhadas para a unidade Psiquiátrica Infantil. Já as Residências Terapêuticas também colaboram com o circuito de saúde mental, a fim de os pacientes terem um local em que se sintam protegidos, incluindo as Comunidades Terapêuticas, para o tratamento dos dependentes químicos e as Casas de Custódia, para acolher e tratar os indivíduos que apresentam problemas mentais e cometem crimes.

Com tudo isso, ficará mais fácil melhorar os atendimentos nos Hospitais Psiquiátricos, que funcionam de forma precária e devem atender os mais gravemente transtornados.

"Muito ainda há que ser feito. O CAPs deve ser visto como o centro que integra toda a rede. Falta contemplar com centros de especialidades ambulatórios de depressão e de transtorno de déficit de atenção. Outro encaminhamento será a criação do serviço domiciliar no âmbito do CAPs. A fim de evitar internação, o profissional segue para o atendimento na casa do paciente, atuando na região de cobertura da unidade.

No momento, revela Dr. Gurgel, há 150 psiquiatras no Ceará e 14 vagas disponíveis para Residência Médica na especialidade, sendo apenas um terço delas preenchidas.

ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

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