VÍRUS

Atenção para a baixa imunidade

00:34 · 09.01.2011
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A varicela (mais conhecida como catapora) não é doença só de criança. Causada pelo vírus Varicela-zoster, é altamente contagiosa e pode acometer também adolescentes e adultos que não tenham manifestado a doença na infância. É justamente nesses pacientes que os sintomas geralmente são mais graves.

Tudo começa com uma febre moderada e sensação de mal-estar. Horas depois, manchas vermelhas surgem na pele rapidamente e se tornam elevadas e com bolhas cheias de líquido (vesículas). Finalmente, em pouco tempo, há a formação de crostas doloridas bastante incômodas por todo o corpo. "Tudo isso dura cerca de sete a dez dias, até que todas as lesões cheguem ao estágio de crosta e passe a febre", explica o diretor clínico do Hospital São José, dr. Robério Leite.

A transmissão ocorre pela inalação de gotículas de ar contendo o vírus. Mesmo sem manifestá-la, a pessoa contaminada já é capaz de transmitir a doença. Por isso, surtos em escolas e locais de trabalho são geralmente muito comuns. O isolamento do paciente é essencial para evitar que o vírus seja transmitido para pessoas que ainda não foram expostas a ele.

Nos casos mais leves, o tratamento da varicela é apenas sintomático, porém, em casos mais graves, dr. Robério Leite recomenda o uso do medicamento aciclovir, antiviral eficaz contra o vírus da catapora. Além disso, é muito importante o cuidado com a higiene da pele e das unhas para que não ocorra infecção das lesões por bactérias, sendo útil o uso de uma solução de permanganato de potássio em compressas colocadas sobre região cutânea. Pode-se usar antitérmico para controlar a febre e antialérgicos para aliviar o prurido, diz o médico. Quando há infecções por bactérias, o uso de antibióticos também se faz necessário, informa.

No entanto, nos casos de pacientes imunossuprimidos e em que há complicações mais graves como pneumonia, infecções no fígado, coração, encefalite, dentre outras, deve haver internação imediata.

A varicela é uma doença desagradável, porém, na maioria dos casos, tem uma boa evolução. Os casos de óbito são poucos e maiores em adultos (taxa de letalidade de 15 a 40 vezes maior que em crianças saudáveis).

Baixa imunidade

Pessoas com deficiência de imunidade estão mais susceptíveis a contrair qualquer doença viral, assim como a varicela. Porém, conforme o dr. Robério Leite, ela é uma das doenças de maior transmissibilidade, bastando permanecer em um mesmo ambiente por poucos minutos com uma pessoa com catapora para ser infectado.

"Já Herpes Zoster, popularmente conhecido como cobreiro, representa uma reativação do mesmo vírus que causou a catapora num indivíduo em um momento anterior da sua vida. O surgimento do cobreiro, realmente, está relacionado com a queda da imunidade e por isso é mais observado nos idosos e nos pacientes com deficiência imunológica", adverte o infectologista.

Segundo ele, até o momento a melhor fórmula para reforçar a imunidade é adotar um estilo de vida saudável e com menos estresse. No caso da varicela, vacinar as crianças logo que completem 12 meses de vida.

Entrevista
Victor Saques Neto*

Os portadores de herpes têm o risco de ter os olhos atingidos

Como ocorre a transmissão?

A herpes é uma Doença Sexualmente Transmissível que se manifesta na pele, causada por dois tipos de vírus: o Herpes Simples Vírus (HSV) e o Varicela Zoster. O primeiro se divide em dois tipos (1 e 2), com transmissão pelo contato físico (na pele ou área infectada). O HSV-1 ocorre em feridas no rosto e região labial. O HSV-2 é comum nas áreas genitais.

O tipo de vírus influencia na gravidade da doença?

Sim. Cada tipo de vírus se manifesta em uma área diferente, mas ambos ocorrem nos olhos e podem trazer prejuízos à visão dos portadores no mesmo grau, apesar do vírus Zoster ser mais rápido e agressivo.

Como a herpes ocular ocorre?

São indicadas por sinais que vão desde vermelhidão ocular, fotofobia, lesões na pálpebra até a perda da visão central. Os indivíduos que perceberem esses sinais, mesmo que não saibam se são ou não portadores do vírus, devem procurar um oftalmologista com urgência.

É grave essa ocorrência?

Sem o tratamento adequado, os danos podem ser agravados. O quadro pode evoluir de pequenas vesículas, inchaços e vermelhidão das pálpebras para lesões na córnea (ceratites herpéticas). Há risco de inflamações na íris, o que causa a uveíte herpética; na retina ocorrem lesões que podem comprometer a visão. A herpes não tem cura, mas pode ter longos períodos sem se manifestar.

Como se dá o tratamento?

As infecções são tratadas com antivirais e as manifestações oculares requerem medicamentos apropriados. Para tratar a herpes ocular é indicada uma pomada específica quando as feridas são externas e medicamentos de via oral para tratar manifestações do vírus no interior do olho.

Oftalmologista do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB)*

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