Aplicações do ozônio - Viva - Diário do Nordeste

DOR

Aplicações do ozônio

07.06.2008

Técnica é empregada no tratamento de hérnia de disco, neuralgias e fibromialgia.

É da união de três átomos de oxigênio que se obtém o ozônio, gás que, além de proteger o planeta Terra da ira cintilante dos raios ultravioleta emitidos pelo sol, vem ajudando a Medicina a combater doenças.

A Ozonioterapia é uma técnica que utiliza o ozônio como agente terapêutico no tratamento de um grande número de patologias. Seu emprego visa a melhorar a circulação sangüínea, reduzir o colesterol, ajudar na cicatrização de feridas e oxidar toxinas, sendo também aplicado no tratamento da dor crônica.

Durante o último encontro ´Sábado da Dor´, realizado no dia 31 de maio, em Fortaleza, o acupunturista e médico especialista no tratamento da dor, Dr. Cláudio Gimenes, apresentou à comunidade médica local estudos sobre os efeitos do ozônio no corpo humano e como podem melhorar quadros dolorosos.

Aplicações

´O ozônio, ao reagir com os tecidos corporais, forma substâncias que estimulam todo o sistema antioxidante, promovem uma grande liberação de oxigênio para as células. Também tem efeitos analgésico e antiinflamatório que aceleram a cicatrização das lesões´, comenta o médico.

No caso específico da dor crônica, Dr. Cláudio Gimenes informa que o ozônio está sendo utilizado com bons resultados no tratamento de dores causadas por hérnias de disco, inflamações crônicas, neuralgias, fibromialgia, dentre outras enfermidades.

Por ter poucas contra-indicações e efeitos colaterais, quando realizada de forma correta, a ozonioterapia permite, muitas vezes, a redução da dosagem dos medicamentos adotados para reduzir a dor. É importante ressaltar que a técnica não tem a finalidade de substituir o uso de opióides, sendo considerada como mais uma contribuição ao arsenal terapêutico médico.

Pesquisas

Embora empregado já há alguns anos, só agora a ozonioterapia vem conquistando espaço na medicina convencional. Atualmente, cerca de dez mil médicos europeus utilizam este recurso no tratamento de seus pacientes. Diversas universidades européias, assim como a de Cuba e a da China, começaram a investigar os efeitos do ozônio no organismo, promovendo pesquisas controladas sobre a eficácia do método.

De acordo com Dr. Cláudio Gimenes, vários trabalhos sobre o tema vêm sendo desenvolvidos em universidades brasileiras. Além disso, podem ser encontrados projetos em andamento sobre a utilização da ozonioterapia na rede pública de algumas cidades.

O médico chama atenção para o fato de o tratamento ser acessível, ´principalmente se olharmos a economia que poderemos ter ao compará-lo aos tratamentos tradicionais. A ozonioterapia diminui o tempo de tratamento de várias doenças e, além disso, diminui o uso total de medicamentos, o que leva a uma redução dos efeitos colaterais e a uma maior qualidade de vida dos pacientes, o que é realmente o mais importante´, ressalta.

A técnica tem servido, ainda, para fortalecer o sistema imunológico e resguardá-lo dos efeitos nocivos provocados pelos radicais livres. Mas, conforme os estudos mais avançados, a ozonioterapia está mais relacionada à área odontológica, às doenças infecciosas, às arteriais periféricas e ao tratamento de feridas.

A ozonioterapia pode ser feita de várias maneiras, incluindo a aplicação tópica de óleos ozonizados, a insuflação de gás em regiões corporais doentes e a injeção de mistura oxigênio- ozônio em pontos dolorosos. ´É importante que seja realizada uma avaliação criteriosa do paciente, pois o tratamento só terá sucesso se bem conduzido por um médico experiente na técnica. Como as aplicações são variadas, não posso falar de tempo de duração ou freqüência, pois cada caso é um caso´, declara Dr. Cláudio.

Pesquisas

No Brasil, a prática não é recente. O início aconteceu em 1975 e passou a ter mais adeptos durante a década de 1980, quando começou a atrair o interesse de algumas universidades. Embora os benefícios sejam incontestáveis, o tratamento com a ozonioterapia ainda está disponível em poucos hospitais e clínicas brasileiras, principalmente em alguns centros na região Sudeste.

Em Cajamar, por exemplo, na Grande São Paulo, há um requerimento aprovado na Câmara Municipal determinando que a prefeitura passe a oferecer o serviço nos postos de saúde do município. A Prefeitura de Nova Lima, em Belo Horizonte, também vem desenvolvendo projetos visando à aplicação da ozonioterapia.

Fundada em 2006, a Associação Brasileira de Ozonioterapia (Aboz) foi criada a partir da necessidade de legalizar a prática de forma consciente e ética. Outra meta é a informação e a capacitação, tendo como base as experiências realizadas no Brasil e no exterior.

São objetivos da Aboz: promover o ensino e a pesquisa nos diversos setores; realizar e estimular campanhas educativas; participar de campanhas que envolvam a ozonioterapia; colaborar com os poderes públicos e instituições relacionadas ao uso da ozonioterapia.

FIQUE POR DENTRO

Emprego do ozônio começou na Alemanha


O uso médico do ozônio remonta do século XIX, propriamente na década de 1840. Na época, foi o químico Werner Siemens quem descobriu os efeitos do gás, quando em 1857 construiu o primeiro tubo de indução para a destruição de microorganismos.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o médico alemão Christian Friedrich Schonbein difundiu o ozônio no tratamento de feridas em soldados. Devido às dificuldades técnicas e com o advento dos antibióticos, o alemão não conseguiu difundir suas descobertas, restringindo sua divulgação junto às comunidades médicas da Alemanha e da Áustria. Somente a partir da década de 1980 que a técnica se expandiu e chegou a outros países.

A ozonioterapia é reconhecida pelo Ministério da Saúde de países como Alemanha, Itália e de outros 16 países. Como exemplo, Cuba dispõe de 39 Centros Clínicos de Ozonioterapia, enquanto que na Rússia a prática é utilizada e está disponível em todos os hospitais públicos mantidos pelo governo.

Ana Cecília Soares
Especial para o Viva

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