Pirâmide alimentar

Alimentos regionais estão na nova versão

00:38 · 23.07.2013
Releitura da pirâmide alimentar permite manter os hábitos da dieta regional sem descuidar da saúde

Que tal incluir na dieta uma porção de iogurte natural e, de quebra, adicionar frutas regionais como caju, goiaba e graviola, assim como sucos e salada de frutas? E, também sem culpa, se permitir comer, mesmo que moderadamente, carne de sol ou de carneiro, batata doce, macaxeira, milho, feijão-de-corda e jerimum?

Melhorar a qualidade da dieta dos brasileiros de forma a adaptá-la aos hábitos culturais de cada região é o que define o redesenho da pirâmide alimentar, o instrumento mais utilizado para nortear qualitativa e quantitativamente o padrão alimentar. Trata-se de uma representação gráfica do Guia alimentar ou das orientações sobre uma dieta saudável, apresentada no 5º Congresso Brasileiro de Nutrição Integrada, realizado em junho.

"A refeição é um momento no qual se deve ter prazer. Então, as boas escolhas alimentares também devem levar esses fatores em consideração". É o que argumenta a pesquisadora Sônia Tucunduva Philippi, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP, que elaborou o primeiro trabalho sobre "Pirâmide alimentar adaptada para a população brasileira" e colaborou com o Ministério da Saúde na criação do Guia alimentar brasileiro. Nele consta o cálculo das porções e o valor energético de cada uma delas, para todos os grupos alimentares para uma dieta de 2000 calorias/dia

Segundo ela, "cada região possui suas especificidades e práticas alimentares. Da terra seca do sertão saem ingredientes-chave para a cozinha local. Batata-doce, inhame e milho acompanham pratos com feijão-de-corda (baião de dois e do escondidinho de carne de sol)". O objetivo, destaca Sônia Philippi, é alcançar o equilíbrio e uma dieta diversificada e não apenas restrições alimentares.

Redesenho

Aprimorada, a pirâmide alimentar é formada por oito grupos de alimentos dispostos em quatro níveis, de acordo com o nutriente que mais se destaca na sua composição. Para cada grupo são estabelecidos valores energéticos, permitindo estabelecer os equivalentes em valor energético (calorias).

Conforme a Dra. Sônia Philippi, uma alimentação saudável deve ser composta por quatro a seis refeições diárias, sendo três principais (café da manhã, almoço e jantar), concentrando de 15% a 35% das recomendações diárias de energia. Também são indicados três lanches intermediários (manhã, tarde e noite), 5% a 15% do aporte de energia.

Boas escolhas

Autora de dez livros e do software Virtual Nutri Plus - Web, Sônia Philippi coordena projetos de pesquisa nas áreas de nutrição, consumo, guias e transtornos alimentares. Sobre a inserção de frutas regionais, a pesquisadora indica o consumo em sua forma natural: "Apenas de vez em quando a fruta deve ser ingerida como suco, sempre sem açúcar ou como ingrediente de preparações culinárias", diz.

Até então fora da relação das chamadas "boas escolhas alimentares", a batata-doce, a macaxeira e o jerimum podem, sim, fazer parte da dieta. "Não há restrições, mas devem ser observadas as quantidades, ou seja, de acordo com as porções diárias correspondentes a cada grupo alimentar", afirma Sônia Philipp.

FIQUE POR DENTRO

Poder aquisitivo influi para o excesso de peso

Os dados da última Pesquisa de Orçamento Familiar (IBGE) mostrou que o excesso de peso em homens adultos saltou de 18,5% para 50,1%; no sexo feminino o aumento mais importante ocorreu no grupo com excesso de peso, que passou de 28,7% para 48%.

O alto índice de obesidade (encontrado em todas as regiões do País) identificou claramente a necessidade de que algo tinha que ser feito, sendo este o mote para o redesenho da pirâmide alimentar (a anterior foi lançada em 1999). "A maior parte da população é de uma classe econômica mais elevada, localizada nos centros urbanos", afirma Sônia Philippi.

Conforme a pesquisadora, quanto maior a renda, maior a tendência de ficar acima do peso. "O aumento do poder aquisitivo deve estar acompanhado da educação da população para que ao escolher um alimento, haja consciência sobre o que se está consumindo. Os mais jovens devem fazer as refeições em família, com a presença de alimentos de todos os grupos da pirâmide alimentar".

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