PREVENÇÃO

Alimentos alérgicos

02:27 · 04.12.2011
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Os alimentos alérgenos mais comuns são trigo, leite de vaca, ovos, crustáceos, peixes, soja, castanhas e amendoim
Os alimentos alérgenos mais comuns são trigo, leite de vaca, ovos, crustáceos, peixes, soja, castanhas e amendoim ( Arquivo )
Saiba como e porque tratar a alergia, a hipersensibilidade ou a intolerância alimentar

Oito alimentos - a maioria presente nas tão esperadas festas e confraternizações familiares - respondem por quase 80% das reações alérgicas causadas por alimentos, afirma a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI-CE), dra. Francisca Xavier de Melo Rego. São eles: leite de vaca, trigo, soja, ovo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas.

Somente quem sofre com o problema sabe o quanto são desagradáveis os efeitos de uma alergia alimentar. E não é apenas pelo fato de estar proibido de consumir o tal alimento, mas também porque, se ingerido, ele pode causar sintomas que vão desde simples coceiras e inchaços até o mais grave e perigoso: a anafilaxia.

O risco para a alergia alimentar (AA) sofre influência de diversos fatores que incluem a falta do efeito protetor do aleitamento materno (muitas mães deixam de amamentar e/ou introduzem muito cedo o leite de vaca na dieta dos pequenos), idade em que os alimentos sólidos e alergênicos são colocados na dieta, a exposição nociva a poluentes, principalmente à fumaça de cigarro, e parto cesáreo.

Para a médica, que presidiu recentemente o XXXVIII Congresso Brasileiro de Alergia e Imunopatologia sediado em Fortaleza, "nas últimas décadas, temos observado um aumento da prevalência da alergia alimentar devido, principalmente, a essas mudanças no estilo de vida das pessoas, com a inserção de novos hábitos alimentares, que incluem alimentos industrializados e a diminuição do consumo de leite materno.

O que é intolerância

Antes de se aprofundar em alergias alimentares, é importante saber diferenciá-las das chamadas intolerâncias alimentares. Conforme a professora do curso de Nutrição da Universidade de Fortaleza (Unifor), mestre em bioquímica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Mary Viana Jorge, "a intolerância alimentar é uma manifestação adversa a um alimento não relacionada ao mecanismo imunológico, mas a alterações dos processos metabólicos de digestão e absorção de determinado componente do alimentos. Já a alergia descreve reações dependentes de mecanismos imunológicos IgE, sejam eles mediados ou não".

Vários são os mecanismos que levam ao desencadeamento das AAs, e até quem nunca apresentou alguma reação a determinados alimentos como caranguejo, por exemplo, pode, já adulto, manifestar sintomas. Dessa forma, se o paciente possui o gen para a alergia herdado do pai ou da mãe, a AA pode surgir em qualquer época de sua vida.

"Isso acontece, por exemplo, durante a introdução precoce de alimentos em crianças predispostas geneticamente. No caso do leite de vaca, elas passam a produzir muitos anticorpos IgE específicos para as proteínas do leite e apresentarão manifestações clínicas minutos ou horas após a introdução do alimento", explica a dra. Francisca Xavier.

Ressalta, por isso, a importância de orientar crianças que tenham histórico familiar de doença alérgica como forma de prevenir ou retardar o aparecimento do quadro alérgico.

É apenas a partir do histórico familiar que o médico pode iniciar a investigação da AA, para que o paciente possa ser orientado na prevenção da introdução de alimentos que são os mais frequentes provocadores de alergias (90% das alergias alimentares em crianças são causadas por leite, trigo, ovo, amendoim e soja, enquanto que, nos adultos, 85% são por amendoim, nozes, peixe e mariscos), o que pode evitar ou retardar o aparecimento.

Além da avaliação do histórico clínico, exames físicos, dieta de exclusão e teste de desencadeamento com a proteína suspeita são as formas ideais de precisar o aparecimento da alergia e o diferenciamento da intolerância alimentar. Na dependência dos mecanismos imunológicos envolvidos na gênese dos diferentes quadros de alergia alimentar, a abordagem laboratorial deve ser distinta.

Segundo a dra. Francisca Xavier, são três os tipos de manifestações de AA. O primeiro e mais comum, é a rápida instalação com manifestações clínicas como urticária, edema de face e de glote, crises de asma e anafilaxia (forma mais grave da doença, na qual o paciente apresenta hipotensão com colapso respiratório e cardíaco, podendo até ser fatal). O segundo é mais tardio e menos frequente e geralmente se manifesta com sintomas gastrointestinais como enterocolites, proctites, que são inflamações no intestino. Por último, há a forma mista como a esofagite e a gastrite eosinofílica.

Embora a recomendação seja retirar totalmente da dieta o alimento causador de alergia, é possível, em alguns casos, que o paciente volte a ingeri-lo sem problemas. "Isso ocorre principalmente em crianças, que, ao crescerem, passam a tolerar o alimento, devido principalmente ao amadurecimento do sistema imunológico do trato gastrointestinal, com a redução da absorção de proteínas alimentares que causam alergia", diz a dra. Francisca Xavier. Porém, é importante ressaltar que, embora muitas intolerâncias possam permitir algum tipo de ingestão do alimento ofensor, a hipersensibilidade alimentar ou alergias não o permitem.

Perigo

80% das alergias alimentares são causadas por 8 alimentos: leite de vaca, trigo, soja, ovo, peixe, frutos do mar, amendoim e castanhas. São mais comuns em crianças do que em adultos.

Substituições

Leite de vaca: a substituição vai depender da faixa etária. Acima dos seis meses de idade, pode ser substituído pelo leite de soja. Acima de um ano, a soja ainda é uma opção. A partir de um ano de idade, com uma dieta balanceada, estando sempre atento à inserção do cálcio na alimentação, o leite pode ser dispensado;

CLARA DE OVO: se a criança tiver uma alimentação balanceada, à base de legumes, verduras e carne, o ovo é dispensável;

TRIGO: pode ser substituído pelo fubá e pela aveia;

FRUTOS DO MAR: podem ser substituídos pelo peixe. Porém, se tiver uma alimentação balanceada, à base de legumes, verduras e carne, os frutos do mar também são dispensáveis;

SOJA: pode ser substituída por bebidas especiais, com fórmulas especiais que atendam às necessidades nutricionais do paciente. Neste caso, recomenda-se os hidrolisados proteicos.

ANAMÉLIA SAMPAIO
REPÓRTER

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