NUTRIÇÃO

Alimentação é vida

20:17 · 14.05.2011
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As crianças adquirem o hábito de alimentos saudáveis a partir de tenra infância, experimentando os diversos sabores e criando as conexões adequadas. A boca é fonte de satisfação e cuidado
As crianças adquirem o hábito de alimentos saudáveis a partir de tenra infância, experimentando os diversos sabores e criando as conexões adequadas. A boca é fonte de satisfação e cuidado ( Foto: Arquivo )
NUTRIÇÃO: FAZER DO ALIMENTO UM MEDICAMENTO É PREMISSA QUE DEVE LEVAR EM CONTA A DIMENSÃO EMOCIONAL

Ao longo da evolução humana e dos séculos, o alimento sempre foi destacado como essencial à vida e à saúde. Os discípulos do pensador grego Pitágoras (século VI a.C.), sabiam do valor do alimento pelos versos áureos do mestre "ministrar com método alimentos ao corpo". Já Hipócrates, o pai da Medicina (séc. IV a. C) prescrevia fazer do alimento o próprio medicamento.

O alimento prossegue, adiante, com seu sentido vital. Seu processamento, com a industrialização, permitiu que se tornasse acessível aos que buscavam nele fonte de energia rápida para se manter em pé, embora nem sempre acompanhado de saúde e vigor real, pelo refinamento.

Obesidade

Realidade em todo o mundo, a obesidade é uma dos efeitos colaterais dessa insistência de focalização extrema no alimento. Combatê-la parece ser uma tarefa vã, por não se chegar à raiz do problema.

Adentrar nos lares e, nestes, em suas cozinhas, é buscar entender este laboratório onde ainda são realizados alguns dos experimentos mais importantes das famílias. Foi lá que o médico Alberto Peribanez Gonzalez fez descobertas incríveis.

Experimentos e pesquisas saborosas com o alimento vivo levaram o médico a escrever "Lugar de Médico é na Cozinha" (Alaúde). Dr. Gonzales fala da revolução que surgiu a partir de algumas importantes descobertas científicas. A Nutracêutica, a Probiótica e aPré-biótica são algumas delas.

As substâncias que provêm de alimentos ou partes de alimentos promotores de benefícios à saúde, longevidade são nutracêuticas. E ainda as indicadas para prevenção ou reversão de doenças e problemas crônicos (como as fibras, ácidos graxos poliinsaturados, proteínas, aminoácidos, minerais, vitaminas e antioxidantes).

Além deste campo, a descoberta da Probiótica e Pré-biótica, desde princípios do século passado, promoveram um salto na saúde e qualidade de vida dos que utilizam seus produtos (resultado da ação de microrganismos - bifidobactérias e lactobacilos benéficos), que promovem o desenvolvimento de estímulos e equilíbrio orgânico.

O médico observa os vegetais de modo distinto, sem a existência de plantas medicinais. Ou seja "todas as plantas que ingerimos regularmente são medicinais em maior ou menor escala". Nesta perspectiva, todos os vegetais ingeridos se ajustaram à culinária e ao paladar humano, em milhares de anos. "As hortaliças orgânicas, que crescem em qualquer quintal e são irrigadas com amor e água limpa, sem cloro, não as congeladas, quando ingeridas em diversidade, diariamente, em uma média de sete tipos diferentes, ajudam cada um a receber todos os possíveis organismos homeostáticos do solo (promotores de equilíbrio), todos os minerais e mais de 800 princípios ativos diferentes".

Prazer imediato à boca

A comida sempre esteve (e permanece) ligada à satisfação. "Com a ingestão do alimento há a produção de endorfinas", esclarece a psicóloga comportamental Sandra Eli Bachiega.

Com o fácil acesso dos alimentos, surge o anseio pelo prazer imediato. E, com ele, as escolhas indevidas, como fast foods, toda sorte de comidas prontas, com farináceos, muito sal e açúcar. O paladar, antes disto, passava por múltiplas experiências sensoriais. A elaboração de pratos levava tempo na cozinha. O prazer era tanto demorado quanto desfrutado em sua essência de saciedade, explica.

Os alimentos prontos, conforme a psicóloga, são rápidos e fáceis de serem digeridos. Logo se transformam em glicose e açúcar liberado na corrente sanguínea. Crianças e adultos se acostumam e se viciam em obter energia rápida, dessa forma.

No entanto, a nutrição nunca conta somente com a dimensão física (orgânica). Todo o trato gastrointestinal (a partir da boca) conta com sua correlação emocional. A comida pronta sacia a voracidade, sendo digerida rapidamente mas gerando um vazio constante e compulsão por preencher esse vazio com mais alimentos desse tipo.

Comer é um condicionamento que se inicia muito cedo, diz. A forma como a mãe alimenta os filhos, se houver desajustes, poderá conduzi-los a extremos: o alimento que substitui tudo e todas as emoções (inclusive o afeto) para compensar excessos ou faltas.

Orgânicos

A chegada do filho León (hoje com cinco meses e meio), para Márcia Novaes foi um presente em vários sentidos. Funcionária pública federal (é formada em Direito) e estudiosa profunda das terapias complementares e alimentação (com curso em alimentação viva), ela planeja repassar essas experiências desde cedo para seu bebê.

Consumidora há muitos anos de alimentos orgânicos, Márcia diz que aprendeu com suas pesquisas e práticas, formação na Escola da Dinâmica Energética do Psiquismo e estudos espirituais, que a dimensão energética de tudo deve ser levada em conta. Por isso, todo alimento que vai à sua mesa recebe sempre gestos e palavras de bênçãos. "Isso faz toda a diferença", atesta.

León já está sendo apresentado ao sabor das frutas e sucos (mamão, banana, laranja lima) e dos alimentos salgados (sopinhas de legumes amassadinhas). "A criança vai criando no primeiro ano sinápses dos sabores. E, mais adiante, não rejeita esses alimentos", comenta.

Os alimentos naturais, fibrosos e não refinados são os apropriados. A psicóloga Sandra Bachiega confirma que a escolha de alimentos processados em detrimento dos com fibras naturais causa dependência e danos ao organismo. "As fibras ajudam a acelerar o metabolismo enquanto que os alimentos processados tornam o metabolismo mais lento, pelo excesso de toxinas que produzem e liberam".

Também para Márcia Novaes, o alimento está diretamente relacionado à vida. Aliás, ele indica como é a vida. Se alguém tem vontade de comer, a vida é boa e tem muito sabor. Já se alguém tem voracidade, mostra uma ansiedade em viver, vai tentar sempre preencher esse vazio, essa falta com alimentos, porque acha que a vida não sacia. A falta de vontade de comer, por seu turno, indica totalmente uma desistência e desinteresse em descobrir novos sabores e possibilidades para a existência. Por isso, ver nos alimentos a saúde, as bênçãos e o bem-estar é tão importante .


Fique por dentro

Livre-se das toxinas

Uma alimentação inadequada deixa resíduos no organismo, informa Dr. Mark Hyman na obra "Ultrametabolismo" (Sextante). Soma-se a isso as toxinas do meio ambiente (agrotóxicos, substâncias químicas). Com toda essa carga tóxica, sucedem alterações consideráveis no próprio metabolismo do organismo.

Médicos com Dr. Hyman indicam métodos que estimulem o sistema natural de desintoxicação orgânica, que ajudam a manter o metabolismo saudável, a longo prazo, e emagrecimento.

Desde o século XX, surgiram 80 mil novas substâncias químicas, a maior parte sem sua segurança testada. As substâncias não eliminadas, ficam nos tecidos adiposos, ossos e órgãos, diz ele.

Satisfação

"A comida está muito relacionada com a satisfação. Na falta do prazer o alimento é o substituto imediato"

Sandra Eli Bachiega
Psicóloga, mestre em Psicologia


ENTREVISTA

Dieta alimentar (sem açúcar) e boa higiene bucal resultam em dentes íntegros

Quais problemas bucais mais observados em seu consultório?

A gengivite, inflamação devido a presença de placa bacteriana (e/ou tártaro) que se acumula nos dentes quando não conseguimos removê-la mecanicamente (com a escovação e uso correto do fio dental) é um dos mais comuns. Também encontramos as cáries, doença infecciosa causada por bactérias e que pode ser transmitida de um dente para outro, bem como de uma pessoa para a outra. O controle é via alimentação, evitando-se consumir alimentos ricos em açúcar (as bactérias se alimentam destes) várias vezes ao dia ou antes de dormir.

Alimentos ácidos são prejudiciais à saúde bucal ?

Os alimentos ácidos e fibrosos - como a laranja o limão - se consumidos em excesso, podem causar danos na estrutura dos dentes (conhecida como lesão não cariosa ou erosão ácida). Tive um paciente que comia todo dia laranja mastigando. O ácido da laranja, junto com o atrito das fibras presentes nos gomos, destruíram grande parte do esmalte dos dentes dele. Este problema também é encontrado em pacientes com bulimia, devido ao contato dos ácidos estomacais com os dentes, quando o paciente provoca o vômito.

Como é a higiene bucal ideal?

Idealmente, deveríamos escovar os dentes assim que acordamos, tomarmos o café da manhã e, em seguida, escovarmos. Após o almoço e o jantar, fazermos também a higiene oral completa. É interessante que a escovação seja feita tão logo terminada a refeição. Quem usa próteses ou implantes deve ser muito cuidadoso na escovação e no uso do fio dental para tentar remover o máximo de placa bacteriana.

E quem reclama de mau hálito?

A literatura registra que de 90% a 95% das halitoses são causadas no ambiente bucal, principalmente na língua (entre 5% a 10% são causas sistêmicas). Na língua há as papilas gustativas, dentre as quais se formam criptas - saquinhos que retêm resíduos de alimentos, células epiteliais descamadas e placas bacterianas (formando a saburra). Esses resíduos quando começam a fermentar, liberam odor de enxofre, sendo a principal causa do mau hálito. A escovação correta + fio dental + remoção da saburra, com dispositivos feitos para limpeza da língua, são responsáveis pela melhora da halitose em mais de 90% dos casos. Uma bala na boca não é remédio para a halitose.

Pessoas que roncam costumam ter mau hálito? Por quê?

Outra causa da halitose pode ser o refluxo gastroesofágico, resultado do não vedamento dos esfíncteres do estômago. Pacientes que roncam e têm apneia, em geral, são portadores de refluxo. Os roncados são respiradores bucais e apresentam ressecamento da mucosa. Esta diminuição do fluxo salivar ( xerostomia, que já ocorre normal mente à noite), favorece a halitose. O fluxo salivar também pode ser alterado por falta de ingestão de água. É importante ingerir de dois a três litros de água por dia para evitar que a parte sólida da saliva se torne mais espessa e se acumule no dorso posterior da língua, aumentando a ocorrência de halitose.

Dr. André Pessoa Bezerra de Menezes (*)
Dentista, especialista em estética, prótese e implantes


ROSE MARY BEZERRA
REDATORA

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