Psicanálise

A vida e o viver criativo

17:39 · 17.09.2011
"Estar vivo e sentir-se real". A partir deste conceito fundamental, o psicanalista D.Winnicott se debruçou no que para ele seria uma questão não enfrentada pela Psicanálise; sobre o que versa a vida e o viver criativo.

Esta será a temática do seminário "O viver criativo em Winnicott", que acontece dia 23 e terá a psicanalista Ana Elizabeth Cavalcanti como palestrante convidada no evento promovido pelo Centro de Referência à Infância (INCERE). Cavalcanti e sócia-fundadora do Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem (CPPL), membro do Círculo Psicanalítico de Pernambuco e autora do livro "Autismo: construções e desconstruções" (Ed. Casa do Psicólogo).

Relação

Sobre a contribuição dada por Winnicott à Psicanálise quando afirma que "o bebê jamais é visto como um ser sozinho", Cavalcanti ressalta que o psicanalista "coloca em questão a ideia de uma relação de oposição e conflito entre eu e outro/indivíduo e cultura".

Diz que tal condição expressa "uma dicotomia ontológica, constituinte e própria da condição humana; é uma construção da modernidade que marcou grande parte do pensamento psicanalítico. Ele introduz a ideia de uma continuidade e interdependência entre o indivíduo e seu meio ambiente, obrigando a pensar o indivíduo como um ser em relação", complementa Ana Elizabeth Cavalcanti.

Esse conceito, justifica, gera um impacto relevante nas práticas psicanalíticas "porque nos leva a compreender o lugar decisivo dos cuidados reais dispensados aos bebês, sobretudo nos primeiros momentos de vida".

Prática pediátrica

Com essa proposição, Winnicott abre um importante leque de possibilidades para se compreender a história da constituição dos graves transtornos psíquicos na infância e na vida adulta. "Ao mesmo tempo, traz uma grande contribuição para a prática pediátrica, uma vez que transforma a mãe e seu bebê numa dupla indissociável, que deve ser assim olhada, escutada e acolhida pelo pediatra. Muitos dos transtornos psíquicos que podem tomar uma feição muito grave posteriormente, podem ser evitados pela intervenção de um pediatra que volta o olhar e a escuta para a mãe/bebê em relação".

Vida que vale a pena

Viver uma vida que tem sentido foi uma questão crucial de Winnicott. "Talvez esteja nesse campo a sua maior contribuição para compreendermos o sofrimento psíquico na atualidade. No momento em que a depressão é a grande expressão do mal estar, é pertinente nos indagar sobre o que nos faz sentir vivo e que vale a pena viver. E para ele uma vida que vale a pena ser vivida é a que o indivíduo é criativo, ou seja, imprime sua marca singular nas coisas que faz e produz", conclui.

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